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Até onde se estendia o poder de Sir Alex Ferguson no Manchester United

A tarde em Anfield estava rapidamente se desfazendo. O Manchester United enfrentava dificuldades, e Lee Sharpe sabia que estava abaixo do esperado. O que ele não imaginava como contou mais tarde era que as consequências o acompanhariam até em casa.

Anos depois, em entrevistas, Sharpe descreveu o episódio como um dos exemplos mais claros de quão absoluta podia ser a autoridade de Sir Alex Ferguson durante seu longo comando em Old Trafford, estendendo-se muito além das questões puramente futebolísticas.

Um treinador que ditava as regras

Ferguson comandou o Manchester United de 1986 a 2013, construindo uma era marcada tanto pelo controle quanto pelo sucesso. Os jogadores raramente o desafiavam, e muitos reconheceram posteriormente que sua influência moldava praticamente todos os aspectos da vida no clube.

Sharpe disse que essa influência chegava até mesmo à sua vida pessoal. No podcast Sacked in the Morning, ele relembrou que Ferguson lhe permitiu morar com a namorada ainda na adolescência mas apenas sob condições rígidas.

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“Do topo à base, ele [Ferguson] mandava no clube”, disse Sharpe. “Ele disse que permitiria e perguntou se iríamos nos casar… Mas também avisou que, se meu desempenho caísse, eu voltaria a morar na residência do clube.”

Na época, contou Sharpe, ele não deu muita importância ao aviso.

Liverpool, confusão e um ponto de ruptura

O acordo terminou após uma difícil partida fora de casa contra o Liverpool. Segundo Sharpe, Ferguson alterou o sistema de jogo, deixando ele e Ryan Giggs sem saber ao certo quais eram suas funções em campo.

“Eu e o Ryan Giggs corríamos feito loucos, sem saber quem marcar”, contou. No intervalo, a paciência de Ferguson se esgotou, dizendo que os dois eram “completamente inúteis”.

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O que veio depois, segundo Sharpe, foi muito além de uma bronca no vestiário.

Uma punição que o seguiu até em casa

Sharpe afirmou que Ferguson exigiu mudanças imediatas em sua vida fora de campo.

“[Ferguson disse]: ‘Amanhã, você vai vender sua casa, vender seu cachorro, vender seu carro. Manda sua namorada de volta para Birmingham e volta para a residência do clube.’”

Sharpe obedeceu: mandou a namorada embora e se mudou para o alojamento do clube. Nas semanas seguintes, Ferguson se aproximava nos treinos e perguntava, meio em tom de brincadeira: “Já casou?”

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Mesmo entre as muitas histórias sobre a famosa rigidez de Ferguson, Sharpe dá a entender que esse episódio foi especialmente extremo.

Sem reconciliação de verdade

O tempo pouco fez para amenizar a situação. No podcast Quickly Kevin; Will He Score?, Sharpe disse que Ferguson se mostrou distante quando se reencontraram anos depois.

“Eu o vi há alguns anos… ele nem quis me olhar”, contou Sharpe.

Ele associou esse distanciamento à sua autobiografia de 2005, na qual se referiu a Ferguson como um “valentão”, sugerindo que esse comentário pode ter fechado de vez a porta para qualquer reconciliação.

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Como a carreira de Sharpe no United é lembrada

Apesar da relação conturbada, o histórico de Sharpe no Manchester United foi notável. Ele disputou 261 partidas, conquistou três títulos da Premier League e ergueu dez troféus importantes antes de se transferir para o Leeds United em 1996 por cerca de 4,5 milhões de libras.

Sua trajetória coincidiu com a ascensão de Ryan Giggs, o que limitou seu papel a longo prazo no time. Ainda assim, Sharpe continua sendo uma figura lembrada com carinho pelos torcedores símbolo de um período em que a autoridade de Ferguson raramente era questionada, e os jogadores aceitavam que o futebol vinha antes de tudo.

Hoje, o relato de Sharpe oferece um retrato de uma época diferente, em que o poder dos treinadores em grandes clubes ia muito além das quatro linhas e poucos jogadores tinham coragem, ou condições, de contestá-lo.

Fontes: podcast Sacked in the Morning; podcast Quickly Kevin; Will He Score?; Transfermarkt

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