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De um desvio pelos EUA à via rápida da Bundesliga: a improvável ascensão de Yan Diomande

O caminho de Yan Diomande até o RB Leipzig não seguiu a rota tradicional de uma academia africana para um gigante europeu. Em vez disso, passou por salas de aula americanas, campos semiprofissionais e um sistema de desenvolvimento que poucos talentos de elite escolhem por vontade própria. Esse desvio, motivado pela necessidade, talvez explique a rapidez de sua ascensão.

Um momento que exigiu atenção

Em agosto de 2023, a final do campeonato nacional da UPSL aconteceu longe dos holofotes habituais do futebol. Ainda assim, um jogador definiu o resultado. Diomande, com apenas 16 anos na época, marcou dois gols incluindo o da vitória na prorrogação para garantir o título ao AS Frenzi por 2 a 1. Segundo o GOAL, foi nesse momento que seu potencial se tornou impossível de ignorar.

Seu treinador, Tyler Weston, mais tarde comentou que, quando o jogo ficou travado, Diomande assumiu a responsabilidade por conta própria. Foi uma prévia de uma característica que marcaria sua trajetória: a capacidade de decidir partidas mesmo em situações adversas.

Naquele momento, Diomande ainda era estudante nos Estados Unidos. Menos de três anos depois, é titular regular no RB Leipzig e considerado um dos atacantes jovens mais promissores da Europa.

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Por que os EUA foram a resposta

Diomande deixou a Costa do Marfim aos 15 anos não por falta de interesse europeu, mas porque os caminhos formais estavam fechados. Sem poder assinar um contrato profissional por ser menor de idade, sua família optou por um visto estudantil para os Estados Unidos uma solução rara para alguém com seu perfil.

Ele se matriculou na DME Academy, na Flórida, onde o futebol era o foco do dia a dia, mas os estudos continuavam obrigatórios. Esse ambiente oferecia algo incomum: tempo. Longe de empresários, contratos e da pressão do profissionalismo precoce, Diomande pôde se desenvolver física e taticamente.

A UPSL na prática, uma liga de quarta divisão tornou-se seu campo de testes. Segundo o GOAL, Weston e sua equipe rapidamente perceberam que tinham em mãos um jogador em outro nível, e estruturaram o time para aproveitá-lo ao máximo, em vez de limitá-lo a um papel tradicional.

Desenvolvimento além das quatro linhas

A mudança teve seus custos. Conciliar os estudos com os treinos foi frustrante, e a distância da família pesava. Diomande reconheceu que suas prioridades estavam claras o futebol vinha em primeiro lugar, mas o sistema americano exigia concessões.

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Fora do futebol, o basquete serviu como uma ponte cultural. Assistir e jogar ajudou a aliviar o isolamento da vida no internato e destacou semelhanças entre culturas esportivas, em vez de suas diferenças. Essas adaptações, embora desconfortáveis, fortaleceram sua resiliência.

Na Europa, tudo é mais rápido

Assim que pôde assinar um contrato, a transição de Diomande para o futebol profissional acelerou. Após testes e negociações sem sucesso, ele se juntou ao Leganés, estreou contra o Real Madrid e marcou dois gols em poucas aparições. Esse curto período foi suficiente para convencer o Leipzig a investir cerca de 23 milhões de dólares no verão seguinte.

A mudança ocorreu em meio a uma fase de reconstrução na Alemanha, mas Diomande se adaptou imediatamente. Desde então, tornou-se um artilheiro constante, estreou pela seleção da Costa do Marfim e atraiu o interesse de vários clubes da Premier League.

"Estou feliz", disse ele ao refletir sobre a velocidade dos acontecimentos. "Tudo está acontecendo muito rápido."

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Uma plataforma diferente

A trajetória de Diomande desafia suposições sobre onde grandes carreiras precisam começar. Sua passagem pelos Estados Unidos nunca foi pensada como definitiva, mas lhe deu o espaço necessário para crescer sem pressa algo que muitas academias europeias já não oferecem.

De uma final ignorada na Virgínia à briga pelo título na Bundesliga, sua ascensão foi rápida. Mas talvez tenha sido justamente a pausa, e não a pressa, que tornou isso possível.

Fonte: GOAL

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