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Esclarecimento emitido após Trump ser acusado de bloquear adeptos de 15 países participantes da Copa do Mundo

A incerteza em torno das regras de imigração nos Estados Unidos gerou novas preocupações relativamente aos preparativos para o próximo Campeonato do Mundo de futebol masculino, embora detalhes fundamentais sugiram que é pouco provável que os adeptos que pretendem viajar sejam diretamente afetados.

O torneio, que será organizado conjuntamente pelos Estados Unidos, Canadá e México, deverá começar dentro de menos de seis meses e prevê-se que atraia milhões de adeptos por toda a América do Norte. Qualquer sugestão de novas restrições de entrada provocou, por isso, um escrutínio mais apertado por parte de adeptos e organizadores.

Onde começou a preocupação

Esta semana, o Daily Mail noticiou que o Departamento de Estado dos EUA tinha distribuído um memorando interno instruindo os funcionários consulares a recusarem certos pedidos de visto provenientes de 75 países, enquanto são revistos os procedimentos de controlo. O jornal referiu que 15 desses países deverão participar no Campeonato do Mundo, incluindo o Brasil, levantando receios de que os adeptos enfrentem obstáculos para assistirem aos jogos nos Estados Unidos.

O artigo relaciona ainda esta questão com tensões diplomáticas mais amplas envolvendo a Venezuela e com relações deterioradas entre Washington e vários outros governos. De acordo com o Daily Mail, esses desenvolvimentos já causaram inquietação entre os adeptos, havendo relatos de milhares de bilhetes cancelados devido à incerteza quanto às condições de viagem.

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Várias seleções afetadas têm jogos da fase de grupos marcados para solo norte-americano, o que levanta dúvidas sobre a assistência e o impacto prático no torneio caso os adeptos não consigam entrar no país.

O que a política abrange realmente

Segundo o Daily Mail, o memorando centra-se em vistos de imigração e orienta os funcionários a rejeitar pedidos de indivíduos considerados propensos a depender de apoio estatal. Entre os fatores citados estão o estado de saúde, a idade e o domínio da língua inglesa. Espera-se que a política entre em vigor a 21 de janeiro.

“O Departamento de Estado usará a sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um encargo público para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano”, declarou Tommy Piggott, porta-voz do Departamento.

“A imigração proveniente destes 75 países será suspensa enquanto o Departamento de Estado reavalia os procedimentos de processamento de vistos para evitar a entrada de cidadãos estrangeiros que recorreriam a apoios sociais e benefícios públicos.”

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Contudo, e de forma crucial, segundo o The Athletic, as medidas aplicam-se apenas a vistos de imigração não abrangendo vistos de não-imigrante ou vistos de curta duração, como aqueles habitualmente usados por turistas ou adeptos em deslocações para eventos desportivos.

“Preocupações compreensíveis para muitos, que vão muito além de um torneio desportivo, mas isto refere-se a vistos de imigração e não a vistos de não-imigração, pelo que é importante esclarecer, para quem tem dúvidas, que nesta fase não parece afetar visitantes de curta duração para o Campeonato do Mundo”, escreveu o jornalista Adam Crafton, do The Athletic, na plataforma X.

https://twitter.com/AdamCrafton_/status/2011512289544061393?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2011512289544061393%7Ctwgr%5E82efd4ed5bc670698f208afbeb11add08a0648b8%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.givemesport.com%2Fdonald-trump-blocks-nations-fans-visas-entering-usa-world-cup%2F

Essa distinção ajudou a aliviar receios imediatos entre os adeptos, embora subsistam questões sobre a clareza da comunicação da política e sobre eventuais alterações futuras.

Resposta da FIFA gera críticas

Até ao momento, a FIFA tem evitado críticas públicas à política de imigração dos EUA. Antes do sorteio do Campeonato do Mundo, a organização elogiou o Presidente Donald Trump por “acolher o mundo na América” e atribuiu-lhe mesmo um Prémio da Paz.

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“Poderás sempre contar com o meu apoio”, disse o presidente da FIFA, Gianni Infantino, a Trump durante a cerimónia, descrevendo o prémio como “verdadeiramente uma das maiores honras da minha vida”.

À medida que prossegue o debate em torno dos vistos, da segurança e do acesso dos adeptos que viajam, a relutância da FIFA em abordar diretamente a questão tem sido alvo de críticas por parte de observadores que defendem que a clareza e a transparência são essenciais num evento desta dimensão.

Fontes: Daily Mail, The Athletic, Departamento de Estado dos EUA

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