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A aposta de 450 milhões de euros de Sergio Ramos no Sevilla reflete uma cidade à procura de estabilidade

O Sevilla FC poderá em breve iniciar uma nova fase liderada por um dos seus jogadores formados mais emblemáticos, desta vez fora do relvado. Segundo a Cadena SER, Sergio Ramos alcançou um acordo preliminar com o principal grupo de acionistas do clube para uma operação avaliada em cerca de 450 milhões de euros, num momento em que tanto a instituição como a cidade enfrentam questões profundas de estabilidade e governação.

As conversações colocam Ramos no centro de uma possível mudança de propriedade, marcada por perdas financeiras contínuas, tensões internas entre acionistas e um debate mais amplo em Sevilha sobre a necessidade de uma gestão responsável e de reformas financeiras.

Um acordo inicial abre a fase de auditoria

De acordo com a Cadena SER, o entendimento inicial ativou um período de exclusividade que permitirá ao grupo de Ramos realizar uma análise detalhada das finanças do Sevilla FC antes de qualquer acordo definitivo.

A proposta foi apresentada através da Five Eleven Capital, um veículo de investimento desportivo ligado a Ramos e ao seu parceiro de negócios Martin Ink. O grupo detém vários ativos desportivos que partilham estruturas financeiras e de gestão, mantendo, no entanto, independência nas operações do dia a dia.

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A origem das conversações

O interesse de Ramos tornou se público no início do ano. Segundo o Mundo Deportivo, uma primeira reunião juntou o antigo defesa, o assessor jurídico do Sevilla, Pérez Solano, e vários acionistas.

Estes contactos ocorreram enquanto grupos proprietários como a família Del Nido, José Castro, a família Carrión e outros investidores avaliavam uma possível venda face ao aumento da pressão financeira e às divisões internas.

Pressão financeira nos bastidores

Segundo estimativas citadas por diversos meios de comunicação espanhóis, a dívida real do Sevilla poderá ultrapassar significativamente os 70 milhões de euros oficialmente declarados, aumentando as preocupações entre adeptos e investidores.

Os dados apresentados na mais recente assembleia geral de acionistas indicaram perdas acumuladas de 155 milhões de euros nas últimas três temporadas. O detalhe inclui 19 milhões de euros na época 2022,23, 82 milhões em 2023,24 e 54 milhões de euros na temporada 2024,25.

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“São perdas substanciais”, afirmou o presidente do clube, José María del Nido Carrasco, em declarações ao Palco23, reconhecendo a dimensão das dificuldades financeiras.

Um momento mais amplo de reflexão em Sevilha

A proposta de Ramos surge num período em que Sevilha tem sido palco de debates internacionais sobre responsabilidade financeira. Em julho de 2025, a cidade acolheu a quarta Conferência Internacional das Nações Unidas sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que terminou com a adoção do Compromisso de Sevilha.

De acordo com a UN News, o acordo estabelece um roteiro para sistemas financeiros mais justos, maior transparência e uma responsabilização mais sólida, especialmente em contextos de tensão económica. Organizações da sociedade civil sublinharam que a reconstrução da confiança exige liderança enraizada nas comunidades locais, investimentos sustentáveis e uma visão de longo prazo, em detrimento de soluções imediatas.

Embora a conferência se tenha centrado no desenvolvimento global, os seus temas tiveram eco local numa cidade confrontada com endividamento, desigualdades e perda de confiança institucional, desafios que encontram paralelos na situação do Sevilla FC.

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Muito mais do que uma transação financeira

O possível regresso de Ramos como proprietário tem também um forte peso simbólico. Natural de Sevilha, formou se na academia do clube e regressou mais tarde na sua carreira como jogador.

Segundo análises publicadas pelo Mundo Deportivo, alguns setores encaram a iniciativa como uma alternativa à venda do clube a fundos de investimento estrangeiros. A prioridade seria recuperar estabilidade e identidade num momento em que a confiança na liderança se encontra fragilizada.

Uma tendência crescente entre jogadores de elite

Caso a operação seja concluída, Ramos juntar se á a um grupo cada vez maior de jogadores atuais e antigos que investem diretamente em clubes. Gareth Bale é proprietário do Plymouth Argyle, Luka Modrić adquiriu uma participação no Swansea City e Giorgio Chiellini é acionista do Los Angeles FC.

Fontes: Mundo Deportivo, Cadena SER, Palco23, UN News

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