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Cláusula contratual da FIFA pode impedir a ICE de intervir nos jogos da Copa do Mundo

Uma cláusula pouco conhecida nos acordos da FIFA com as cidades-sede pode limitar o papel de agentes federais de imigração dos Estados Unidos nos jogos da Copa do Mundo disputados fora do território norte-americano, acrescentando mais uma camada de complexidade ao planejamento de segurança do torneio de 2026.

De acordo com reportagens da imprensa canadense, os contratos da FIFA com suas cidades-sede no Canadá exigem coordenação apenas com as forças policiais e de defesa nacionais uma redação que pode excluir agências dos Estados Unidos, como o Immigration and Customs Enforcement (ICE), de atuarem em partidas realizadas ao norte da fronteira.

A Copa do Mundo masculina, organizada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, terá início em 11 de junho e contará com um formato ampliado, com 48 seleções. Embora os organizadores tenham se concentrado publicamente na preparação dos estádios e no transporte, os arranjos políticos e de segurança vêm sendo cada vez mais examinados à medida que o torneio se aproxima.

Pressões políticas e logísticas

A preparação para o evento coincide com um renovado debate sobre as políticas de imigração e de fiscalização dos Estados Unidos. A administração Trump suspendeu o processamento de vistos de imigrante para cidadãos de 75 países, incluindo várias nações cujas seleções se classificaram para o torneio, o que levantou questionamentos sobre o acesso de torcedores e autoridades.

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A FIFA também tem sido alvo de críticas em relação aos custos associados ao evento. Os preços dos ingressos para partidas de maior destaque provocaram reações negativas, com o assento mais barato para a final no MetLife Stadium, em Nova Jersey, anunciado por mais de 3.000 libras esterlinas.

Preocupações dos torcedores com o ICE

Para alguns torcedores, a possível presença do ICE nas sedes da Copa do Mundo tornou-se uma preocupação central. As ações de fiscalização da agência dentro dos Estados Unidos têm sido alvo de protestos e boicotes nos últimos anos.

Essas preocupações se intensificaram após as mortes de Renee Good e Alex Pretti, que, segundo a mídia local, teriam sido mortos por agentes federais em Minneapolis no início deste ano. Os casos reacenderam o debate público sobre práticas de fiscalização e levantaram dúvidas sobre a segurança em grandes eventos internacionais.

Como resultado, a atenção voltou-se para a possibilidade de o ICE atuar além das fronteiras dos Estados Unidos durante o torneio.

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Reação no Canadá

A emissora CTV informou que os vereadores de Vancouver Pete Fry, do Partido Verde, e Sean Orr, da Coalition of Progressive Electors, estão preparando uma moção para se opor a qualquer envolvimento do ICE caso as seleções nacionais dos Estados Unidos disputem partidas no Canadá. A moção solicitária às autoridades federais que deixem claro que agentes de imigração norte-americanos não estariam autorizados a fornecer segurança em eventos locais da Copa do Mundo.

Fry afirmou que a proposta surgiu após relatos de que o ICE seria mobilizado para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão–Cortina, na Itália.

“O ICE e algumas de suas operações nos Estados Unidos causaram muita fricção política, digamos assim, e muita ansiedade, e vimos isso se manifestar em protestos e boicotes”, disse Fry à CTV.

“A ideia aqui é nos anteciparmos a esse cenário potencial e pedir ao governo federal que deixe bastante claro que o ICE não seria bem-vindo a Vancouver para desempenhar funções de segurança de qualquer tipo.”

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O que cobrem os acordos da FIFA

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos afirmou que os deslocamentos do ICE para grandes eventos esportivos têm como objetivo “avaliar e mitigar riscos provenientes de organizações criminosas transnacionais”.

No entanto, o National Observer informou que os acordos da FIFA com a cidade-sede de Vancouver, assim como um contrato paralelo com Toronto, exigem cooperação exclusivamente com a polícia e as forças militares canadenses. Esses acordos geralmente são negociados entre a FIFA, os governos nacionais e as autoridades municipais anfitriãs e não concedem automaticamente poderes a forças de segurança estrangeiras.

A redação mencionada sugere que o ICE poderia ser impedido de atuar em partidas realizadas no Canadá, independentemente das preferências de segurança dos Estados Unidos. A FIFA não comentou publicamente como essas cláusulas seriam interpretadas na prática.

Declarações de Trump

O presidente Donald Trump continuou a defender publicamente o papel do ICE nas operações de segurança interna. Ao comentar nesta semana ações de fiscalização em Los Angeles, ele elogiou a agência ao lado da Guarda Nacional.

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“Faremos isso novamente se for necessário. E, a propósito, teremos Jogos Olímpicos muito seguros e uma Copa do Mundo muito segura”, afirmou Trump.

Ele acrescentou que as autoridades federais estavam considerando deslocamentos para outras cidades, embora tenha destacado que tais medidas dependeriam da cooperação dos líderes estaduais.

A final da Copa do Mundo está marcada para o dia 19 de julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Fontes: CTV, National Observer

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