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A noite da Liga dos Campeões em Lisboa pode definir o futuro de Arbeloa

O pedigree europeu do Real Madrid raramente é posto em causa. Mas, na terça-feira à noite, em Lisboa, a reputação por si só não será suficiente.

A equipa de Álvaro Arbeloa defronta o Benfica com a sua campanha na Liga dos Campeões sob forte pressão, depois da derrota por 4-2 em janeiro a ter obrigado a disputar um play-off frente ao clube português. Para o Madrid, uma equipa que definiu a era moderna desta competição, a possibilidade de falhar o apuramento para os oitavos de final pela primeira vez em mais de três décadas representaria um revés significativo.

O duelo surge também de forma invulgarmente precoce no mandato de Arbeloa.

O treinador, de 43 anos, substituiu Xabi Alonso no mês passado, numa decisão que, segundo a BBC Sport, incluiu um contrato válido até ao final da próxima temporada, embora o clube ainda não tenha confirmado formalmente os termos. Em Madrid, sabia-se que se tratava de um risco calculado ao nomear um técnico sem experiência ao mais alto nível. Fontes disseram à BBC Sport que foram discretamente exploradas alternativas, incluindo o antigo treinador do Chelsea Enzo Maresca, durante um período inicial de resultados irregulares.

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Entretanto, os resultados acalmaram a discussão.

Seis vitórias nos últimos sete jogos colocaram o Madrid no topo da La Liga e aliviaram parte da ansiedade inicial em torno da nomeação. Ainda assim, as competições europeias tendem a acelerar os julgamentos no Bernabéu. Um desaire em Lisboa reacenderia rapidamente o escrutínio.

Reajuste tático após a derrota de janeiro

A resposta mais visível de Arbeloa à derrota anterior frente ao Benfica foi estrutural.

Abandonou o sistema 4-3-3 e optou por um 4-4-2 mais estreito, pedindo a Franco Mastantuono que atue numa posição mais recuada, enquanto Vinicius Jr., Kylian Mbappé e Gonzalo García rodam pelas posições ofensivas centrais. O ajuste privilegia a compacidade em detrimento da largura e procura fechar os corredores centrais que o Benfica explorou no encontro anterior.

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«Defensivamente, é uma estrutura que fecha o corredor central, onde há mais jogadores, e permite-nos ser mais compactos», afirmou Arbeloa.

«Com o tipo de jogadores que temos, se quisermos contra-atacar, também nos permite fazê-lo. Temos muita margem de progressão. Estou muito satisfeito porque, para além dos sistemas, a chave é o esforço, a mentalidade e o trabalho de equipa e estamos a consegui-lo.»

A ênfase, insiste, está na estabilidade.

«O objetivo é sempre ser sólidos», disse. «Hoje em dia é muito difícil jogar bom futebol se não formos sólidos, compactos e não soubermos pressionar alto.»

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Esse reajuste defensivo foi facilitado por uma melhor disponibilidade do plantel. Trent Alexander-Arnold e Antonio Rüdiger regressaram de lesão, reforçando as opções na defesa. Depois de Alexander-Arnold ter feito uma assistência na vitória por 4-1 sobre a Real Sociedad, para o campeonato, Arbeloa disse à Real Madrid TV que o clube tinha «sorte em contar com» ele.

«Não vamos descobrir nada de novo sobre o Trent», afirmou. «Foi uma agradável surpresa ver como entende o jogo e encontra os espaços. Essas coisas são muito importantes para um treinador ter jogadores que percebem o que queremos.»

Nem todas as preocupações desapareceram. Jude Bellingham continua de fora devido a uma lesão nos isquiotibiais e não deverá regressar antes de abril, enquanto Éder Militão está afastado até ao final da temporada. Raúl Asencio e Rodrygo estão suspensos para a primeira mão.

A influência de Mourinho e o fator ambiente

Se o Madrid carrega maior historial europeu, o Benfica chega com as suas próprias razões para confiança.

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José Mourinho, que anteriormente treinou o Real, orientou a sua equipa nessa vitória por 4-2 há três semanas e descreveu recentemente o antigo clube como «o rei» da Liga dos Campeões. Arbeloa não tem ilusões quanto ao desafio que o espera no Estádio da Luz.

«Temos de dar absolutamente tudo para ganhar. Esse é sempre o objetivo», disse. «Mas, para vencer, teremos de jogar muito, muito bem. Temos de fazer muitas coisas certas, defender bem, atacar bem, estar concentrados nas bolas paradas e realizar um jogo muito completo durante os 90 minutos.»

Acrescentou: «O espírito deles será muito semelhante ao de há três semanas. Têm um líder [Mourinho] que define o rumo, ditando a forma como jogam e competem… Será uma equipa muito competitiva e difícil. E temos de estar preparados.»

Para Arbeloa, a noite diz menos respeito ao legado e mais à validação. A direção do Madrid apostou no potencial e na continuidade quando lhe confiou o cargo. Lisboa oferece o primeiro verdadeiro teste europeu para avaliar se essa confiança foi bem depositada.

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A segunda mão, no Bernabéu, funciona como uma rede de segurança. Mas, em Madrid, o embalo seja positivo ou negativo raramente espera por uma segunda oportunidade.

Fontes: BBC Sport, Real Madrid TV