O Manchester City pode enfrentar o rebaixamento se for considerado culpado
O Manchester City poderá enfrentar uma dedução de pontos suficientemente severa para resultar na sua despromoção, caso seja considerado culpado de violar as regras financeiras da Premier League, segundo o antigo diretor-executivo do Liverpool, Christian Purslow.
Falando no podcast The Football Boardroom, ao lado do jornalista Henry Winter, Purslow afastou a possibilidade de um acordo negociado e afirmou que a comissão independente responsável por analisar o caso deverá seguir os precedentes disciplinares estabelecidos.
«Não acredito que estas questões sejam resolvidas, como aconteceu no caso APT [Associated Party Transaction], através de um acordo extrajudicial entre a Premier League e o Manchester City», afirmou.
«Quero ser muito claro quanto a isso. Creio que seria um erro terrível se a Premier League fosse tentada… e ambas as partes pensassem: “Sabem que mais? Vamos simplesmente chegar a acordo sobre uma sanção razoável, um entendimento razoável, e seguir em frente”.
Leia também: Os Chiefs fazem uma grande alavanca no limite com o dinheiro de Mahomes
«Isso seria um erro terrível.»
Acrescentou: «O meu ponto é simples. Quando isto é deixado nas mãos dos juízes, por mais frustrante que seja o tempo que demora, entramos no domínio do precedente.
«O precedente é o da sanção desportiva. E a sanção desportiva deverá traduzir-se em deduções significativas de pontos, o que, em última instância, poderá resultar na despromoção.»
Três anos depois, ainda sem veredito
O City foi acusado pela Premier League, em fevereiro de 2023, de 115 alegadas infrações relacionadas com a prestação de informação financeira, o cumprimento regulamentar e a cooperação com as investigações. O clube nega veementemente todas as acusações, algumas das quais dizem também respeito às regras da UEFA.
Leia também: A reação impagável de Thierry Henry ao colapso tardio do Arsenal
Uma comissão independente composta por três membros analisou as provas durante uma audiência privada de dez semanas, entre setembro e dezembro de 2024. Ainda não foi proferido qualquer veredito, e é amplamente esperado que qualquer decisão venha a ser objeto de recurso por qualquer das partes.
Em janeiro, o The Independent noticiou, citando «fontes com conhecimento do processo», que poderá demorar «pelo menos mais um ano» até que o caso chegue a uma conclusão definitiva. A Premier League recusou comentar publicamente o calendário previsto.
O treinador Pep Guardiola afirmou, em fevereiro de 2024, que esperava uma decisão no prazo de um mês, mas essa expectativa não se concretizou.
Em que consistem as acusações
As alegadas infrações abrangem quase uma década, desde a época 2009/10 até 2017/18. Incluem alegações de que o clube não forneceu informação financeira precisa, não cooperou plenamente com as investigações da liga e declarou de forma incorreta as remunerações de jogadores e treinadores.
Leia também: O regresso da Rússia sob a bandeira nacional provoca protestos nos Jogos Paralímpicos
Outras alegadas infrações dizem respeito aos regulamentos de rentabilidade e sustentabilidade da Premier League, bem como aos requisitos de conformidade financeira da UEFA.
A Premier League não comentou as alegações de que o número total de infrações poderá ser superior devido a discrepâncias em relatórios anteriores.
Precedentes limitados na era moderna
Existem poucos precedentes diretos na Premier League para um caso desta dimensão. No entanto, punições administrativas anteriores no futebol inglês são por vezes mencionadas nas discussões sobre possíveis desfechos.
Em 1990, o Swindon Town foi despromovido após ter garantido a subida ao principal escalão, devido a irregularidades financeiras relacionadas com pagamentos ilegais. A sua punição foi posteriormente reduzida em recurso. O The Times noticiou que o caso do Swindon poderá ser citado como referência jurídica, embora as circunstâncias difiram significativamente da situação do City.
Leia também: De acordo com a FIFA, 500 milhões de pessoas estão a seguir o sonho do Campeonato do Mundo de 2026.
Mais recentemente, o Everton e o Nottingham Forest sofreram deduções de pontos por violações das regras de rentabilidade e sustentabilidade, sublinhando a disposição da liga em aplicar sanções desportivas.
A incerteza continua
A duração prolongada do processo deixou um dos clubes mais bem-sucedidos do futebol inglês numa situação de incerteza regulamentar. Com recursos esperados independentemente da decisão da comissão, o caso poderá prolongar-se muito além do veredito inicial, estendendo a incerteza em torno de uma questão que poderá ter consequências históricas para a Premier League.
Fontes: The Independent, The Times, The Football Boardroom podcast, Premier League.
Leia também: Arsenal sob pressão com a disputa pelo título cada vez mais acirrada: as quedas mais dramáticas da Premier League
