A controvérsia na final da AFCON agrava-se após reviravolta surpreendente
A Confederação Africana de Futebol (CAF) enfrenta um escrutínio crescente após uma decisão controversa que anulou o resultado da final da Copa Africana de Nações deste ano, desencadeando uma reação política no Senegal e levantando novas preocupações sobre a governança do futebol africano.
O presidente da CAF, Patrice Motsepe, defendeu o processo judicial da organização, insistindo que suas decisões são independentes e serão respeitadas enquanto o Senegal prepara um recurso legal.
Decisão em apelação gera críticas
O comitê de apelação da CAF decidiu esta semana que o Senegal perdeu a final de 18 de janeiro depois que seus jogadores deixaram temporariamente o campo durante a partida. A decisão anulou a vitória do Senegal por 1 a 0 na prorrogação e, em vez disso, atribuiu ao Marrocos uma vitória por 3 a 0.
Segundo a CAF, os jogadores deixaram o campo sem a autorização do árbitro durante uma interrupção causada por protestos nas arquibancadas.
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Em declarações em um vídeo publicado pela CAF, Motsepe reconheceu a controvérsia e destacou as conclusões divergentes alcançadas pelos órgãos jurídicos da organização.
“O comitê disciplinar da CAF tomou uma decisão. O comitê de apelação da CAF adotou uma posição totalmente diferente”, afirmou, acrescentando que o recurso planejado pelo Senegal era “muito importante”.
“Nós acataremos e respeitaremos a decisão que for tomada no mais alto nível.”
Senegal pede investigação
O governo do Senegal solicitou uma investigação internacional sobre o que descreveu como “suspeita de corrupção” em torno da decisão.
As autoridades também condenaram o veredito como uma “interpretação manifestamente errônea dos regulamentos, levando a uma decisão grosseiramente ilegal e profundamente injusta”, indicando que a disputa ultrapassou o âmbito esportivo.
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CAF defende seu processo judicial
Motsepe rejeitou as alegações de parcialidade, afirmando que os órgãos disciplinar e de apelação da CAF são compostos por especialistas jurídicos indicados por suas 54 associações membros.
“Se você observar a composição desses órgãos, verá alguns dos advogados e juízes mais respeitados do continente”, disse. “São pessoas com integridade e com um histórico comprovado.”
Ele acrescentou que decisões divergentes entre os comitês demonstram sua independência, e não influência política.
O que aconteceu na final
A controvérsia tem origem nos acontecimentos durante a final, quando os jogadores do Senegal deixaram o campo por quase 10 minutos enquanto torcedores protestavam contra um pênalti concedido ao Marrocos após um gol do Senegal ter sido anulado.
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A partida foi retomada, o Marrocos desperdiçou o pênalti e o Senegal acabou marcando o gol da vitória na prorrogação.
Inicialmente, o comitê disciplinar da CAF multou ambas as equipes em mais de 1 milhão de dólares e aplicou suspensões, mas manteve o resultado. Posteriormente, o comitê de apelação reverteu essa decisão.
Próximos passos e preocupações mais amplas
A federação senegalesa de futebol afirmou que recorrerá da decisão ao Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne, na Suíça.
Motsepe também abordou preocupações mais amplas sobre a confiança no futebol africano, reconhecendo que o ceticismo em relação à arbitragem e à governança tem sido um problema de longa data.
“O que aconteceu naquela final compromete o bom trabalho que a CAF realizou ao longo de muitos anos para garantir integridade, respeito e credibilidade”, afirmou.
Ele também rejeitou sugestões de que o Marrocos tenha recebido tratamento favorável, dizendo: “Nenhum país na África será tratado de maneira mais preferencial, mais vantajosa ou mais favorável do que qualquer outro.”
O desfecho do recurso do Senegal poderá agora desempenhar um papel fundamental na confiança na governança e na tomada de decisões da CAF.
Fontes: comunicados da CAF, declarações do governo senegalês.
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