A Copa do Mundo de 2026 faz sequer sentido?
A contagem regressiva começou para o que a FIFA descreve como a maior Copa do Mundo já realizada. Mas, enquanto a expectativa cresce na América do Norte, o torneio de 2026 acontece em meio a tensões políticas crescentes e instabilidade global.
Segundo Oliver Kay, no The Athletic, o que antes era promovido como uma festa unificadora do esporte está cada vez mais moldado por disputas migratórias, fricções diplomáticas e escaladas militares. O formato ampliado contará com 48 seleções, 104 partidas e 16 cidades-sede nos Estados Unidos, Canadá e México ao longo de 39 dias.
O Presidente da FIFA, Gianni Infantino, descreveu o torneio como “o maior evento que a humanidade já viu e jamais verá novamente”. Ele afirmou que até seis bilhões de pessoas poderão se envolver com a competição e que os pedidos de ingressos ultrapassaram 50 milhões no primeiro mês de vendas. “O mundo”, disse ele por meio dos canais de mídia da FIFA, “vai parar”.
Em campo, as narrativas são marcantes. Lionel Messi e Cristiano Ronaldo podem disputar sua última Copa do Mundo. Estrelas como Kylian Mbappe e Erling Haaland devem liderar o espetáculo, enquanto jovens talentos como Lamine Yamal ganham destaque. Seleções como Curaçao, Cabo Verde, Jordânia e Uzbequistão se preparam para participações históricas pela primeira vez.
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Mas o espetáculo esportivo colide com uma incerteza crescente, enquanto guerras e tensões globais, com os Estados Unidos no centro de muitos acontecimentos, dominam as manchetes.
Tensões crescentes
Segundo o The Athletic, as relações entre os Estados Unidos e os coanfitriões Canadá e México enfrentaram tensões nos últimos meses. Um endurecimento da política migratória dos Estados Unidos gerou preocupações de que torcedores de determinadas nações classificadas possam enfrentar dificuldades para obter vistos.
As tensões internacionais se intensificaram após uma operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irã. O Irã respondeu com ataques a bases militares americanas em partes do Oriente Médio. Como relatou Oliver Kay, a deterioração do cenário levantou dúvidas sobre a eventual participação da seleção iraniana no torneio.
O The Athletic também informou que, no início deste ano, algumas federações europeias discutiram cenários hipotéticos de boicote em meio às fricções geopolíticas. A Federação Alemã de Futebol declarou que um boicote “não está atualmente sob consideração”, citando o “poder unificador do esporte e o impacto global que uma Copa do Mundo pode ter”.
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Segurança e pressão política
Grandes torneios costumam ser acompanhados por previsões alarmistas, mas a dimensão da turbulência atual chama atenção. Copas anteriores enfrentaram controvérsias diferentes. A África do Sul em 2010 e o Brasil em 2014 lidaram com preocupações relacionadas à criminalidade. A Rússia em 2018 foi marcada por tensões políticas e acusações de racismo. O Catar em 2022 enfrentou críticas sobre as condições dos trabalhadores migrantes e os direitos da comunidade LGBTQ.
Em 2018, Infantino afirmou sobre a Rússia: “Esta é uma nova imagem da Rússia”. Posteriormente, a FIFA suspendeu a Rússia das competições internacionais após a invasão da Ucrânia. Mais tarde, Infantino argumentou que a punição “criou mais frustração e ódio”.
No ano passado, sob o lema “Football Unites the World”, a FIFA lançou um “Peace Prize” para “reconhecer indivíduos que tenham realizado ações excepcionais e extraordinárias pela paz”. O primeiro premiado foi o atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem Infantino descreveu como um “grande amigo”, uma escolha marcante que borrava a linha entre a mensagem de unidade do esporte e o simbolismo político explícito.
O financiamento da segurança também se tornou um tema interno nos Estados Unidos. Segundo relatos citados pelo The Athletic, autoridades alertaram para consequências potencialmente catastróficas caso as cidades-sede não recebam apoio federal durante uma paralisação parcial do governo. O aumento dos preços de hospedagem e os desafios logísticos acrescentam outra camada de preocupação.
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Entre espetáculo e instabilidade
O torneio está programado para começar em 11 de junho no Estádio Azteca, na Cidade do México, com a final marcada para 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey. São esperados recordes de público, audiência global e receitas comerciais.
Em 2022, Infantino declarou: “O futebol é e une na esperança. Une na alegria. Une na paixão. Une no amor, assim como na diversidade.”
Esse ideal permanece central na mensagem da FIFA. No entanto, como observou Oliver Kay no The Athletic, o clima político atual é muito diferente daquele existente quando Estados Unidos, Canadá e México lançaram sua candidatura conjunta, baseada nos pilares de unidade, segurança e oportunidade.
Apesar das guerras, crises e tensões diplomáticas, os números de audiência provavelmente baterão recordes. E, em meados de julho, um novo campeão mundial será coroado em Nova Jersey.
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Mas diante do cenário global atual, permanece uma pergunta difícil de ignorar: a Copa do Mundo de 2026 faz sequer sentido?
Fontes: The Athletic
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