A WADA adia a decisão sobre a possível exclusão de Trump dos principais eventos desportivos até depois do Mundial
Uma disputa de longa data entre os Estados Unidos e a Agência Mundial Antidopagem (AMA) permanecerá, por ora, sem resolução, adiando uma decisão politicamente sensível que poderá afetar a presença de altos funcionários em grandes eventos esportivos internacionais.
A AMA informou na terça-feira que aguardará até setembro para reavaliar uma proposta que permitiria à organização impedir a participação de representantes governamentais em competições caso seus países retenham voluntariamente contribuições financeiras. Segundo a Associated Press, o adiamento empurra quaisquer consequências imediatas para além da Copa do Mundo masculina deste verão, que os Estados Unidos sediarão em conjunto com o Canadá e o México.
O momento é significativo. Mesmo que a regra seja aprovada ainda este ano, ela provavelmente entrará em vigor bem antes dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, deixando em aberto a possibilidade de restrições que afetem eventos futuros em solo americano.
Um impasse financeiro com implicações mais amplas
No centro da disputa está a decisão dos Estados Unidos de suspender o pagamento de suas contribuições à AMA em 2023. A Associated Press informou que Washington reteve cerca de 7,3 milhões de dólares referentes a 2024 e 2025, citando preocupações com a forma como a agência lidou com um caso de doping envolvendo nadadores chineses, entre outras questões.
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O desacordo não segue claramente linhas partidárias. De acordo com a AP, os recursos foram retidos tanto durante a presidência de Donald Trump quanto durante a de Joe Biden, refletindo uma insatisfação mais ampla em Washington em relação à governança e à transparência da AMA.
Caso a regra proposta seja eventualmente adotada e os pagamentos dos EUA permaneçam congelados, autoridades americanas, incluindo o presidente, poderiam, em teoria, ser impedidas de participar de determinados eventos esportivos globais. No entanto, a AP observa que há ceticismo quanto à capacidade da AMA de fazer cumprir tal proibição na prática.
Incerteza sobre a aplicação das regras
A AMA tem apresentado sinais contraditórios sobre como qualquer nova política poderá ser implementada. O porta-voz James Fitzgerald declarou anteriormente à Associated Press que a regra “não seria aplicada retroativamente”, sugerindo que eventos futuros, como a Copa do Mundo e os próximos Jogos Olímpicos em Los Angeles e Salt Lake City, não seriam afetados.
Entretanto, a AP também informou que uma versão preliminar da proposta obtida por seus jornalistas não incluía claramente essa exceção. Fitzgerald não respondeu a perguntas de acompanhamento que buscavam esclarecimentos, deixando incertezas sobre como a regra será efetivamente aplicada.
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O que vem a seguir
Após a reunião de terça-feira, o diretor-geral da AMA, Olivier Niggli, destacou a importância mais ampla da disputa, alertando que a retenção de contribuições pode enfraquecer os esforços globais de combate ao doping.
“A retenção de contribuições por governos por razões políticas ou outras razões voluntárias continua sendo uma questão de grande preocupação para todas as partes interessadas da AMA”, afirmou Niggli. “A instabilidade no financiamento tem um impacto direto no funcionamento e no desenvolvimento do Programa Mundial Antidopagem. Em última análise, os mais diretamente e negativamente afetados são os atletas em todo o mundo.”
Antes que qualquer regra possa entrar em vigor, o comitê executivo da AMA precisará aprová-la, e o conselho de fundação da agência deverá então ratificá-la. A próxima reunião do conselho está prevista para novembro, embora o cronograma possa mudar caso as discussões se acelerem.
Por enquanto, o adiamento mantém a questão em aberto, prolongando uma disputa que se situa na interseção entre o esporte global, a política e a governança, com consequências potenciais ainda incertas às vésperas de dois dos maiores eventos esportivos do mundo.
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Fontes: Associated Press, declarações da AMA.
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