Tênis

Alcaraz adverte que o ténis «foi longe demais» com as câmaras nos bastidores

O debate sobre quanto acesso o ténis deve conceder aos adeptos e aos meios de comunicação volta a ganhar destaque no início da temporada de terra batida, com Carlos Alcaraz entre os mais recentes jogadores a manifestar preocupação.

Falando aos jornalistas antes do Masters de Monte Carlo, o número um do mundo afirmou que o uso crescente de câmaras nos bastidores está a começar a esbater a linha entre o envolvimento dos adeptos e a vida privada.

«Para os adeptos, é ótimo. Adoram ver o que acontece nos bastidores», disse Alcaraz durante a sua conferência de imprensa antes do torneio. «Mas para os jogadores, é um pouco estranho, porque já não temos um lugar onde possamos relaxar.»

O jogador de 22 anos, que inicia esta semana a sua campanha em terra batida como campeão em título em Monte Carlo, entra numa fase crucial da temporada, que inclui também torneios em Roma e Roland Garros, onde derrotou Jannik Sinner na final de 2025.

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Embora a expansão da cobertura tenha aproximado os adeptos do desporto, Alcaraz sugeriu que o nível atual de acesso pode ter ido longe demais. Apontou que estão a ser colocadas câmaras em áreas tradicionalmente consideradas privadas, acrescentando que os jogadores estão cada vez mais conscientes de que estão a ser filmados, mesmo durante os seus momentos de descanso.

Acrescentou ainda que os torneios deveriam considerar a criação de espaços onde os jogadores não sejam filmados, descrevendo a situação como «excessiva» em termos de visibilidade constante.

Preocupações semelhantes têm sido levantadas no circuito WTA nos últimos meses. No Open da Austrália, Coco Gauff criticou a divulgação de imagens dos bastidores que a mostravam a partir uma raquete após uma derrota, afirmando mais tarde que os jogadores podem sentir-se «como animais num zoo». Aryna Sabalenka expressou uma frustração semelhante após um incidente distinto depois da final do US Open.

O antigo número um do mundo Boris Becker também comentou o tema, escrevendo na rede social X que este nível de acesso mediático não teria sido aceite durante a sua carreira.

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Apesar das suas preocupações, Alcaraz sublinhou que valoriza o apoio que recebe dos adeptos em todo o mundo. Ainda assim, os seus comentários refletem uma questão mais ampla, à medida que o ténis se adapta à transmissão moderna, ao conteúdo digital e à crescente procura por acesso aos bastidores.

Resta saber se o desporto irá ajustar esses limites, mas o debate está a ganhar força à medida que mais jogadores falam abertamente sobre a necessidade de maior privacidade.

https://twitter.com/TheBorisBecker/status/2040888149157511408

Fontes: SportBible, conferências de imprensa do ATP Tour, entrevistas a jogadores

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