Brasil em modo de crise antes do Mundial
Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando rapidamente, o Brasil se encontra em uma posição incomum: com falta de clareza, coesão e confiança. A nomeação de Carlo Ancelotti tinha como objetivo trazer estabilidade, mas os primeiros sinais sugerem que problemas estruturais mais profundos continuam sem solução.
A preocupação ficou evidente na recente derrota do Brasil em um amistoso contra a França, em Massachusetts. Segundo o GOAL, a equipe teve dificuldades para se impor mesmo depois de a França ficar com 10 jogadores, sem conseguir registrar um único chute a gol antes do intervalo e com posse de bola limitada durante grande parte da partida. A frustração no estádio se transformou em cantos pedindo Neymar — um lembrete de quanto a equipe ainda depende do brilho de sua estrela ausente.
Após a partida, Ancelotti rejeitou essa narrativa, insistindo que o foco deve permanecer nos jogadores disponíveis, e não nos que estão ausentes. Ainda assim, a persistência do debate sobre Neymar aponta para uma questão mais ampla: a falta de poder ofensivo do Brasil.
A chegada do treinador italiano em maio de 2025 ocorreu após uma longa investida da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que apresentou sua contratação como uma declaração de intenções. No entanto, o período que antecedeu sua chegada foi marcado por instabilidade. As passagens interinas de Ramon Menezes e Fernando Diniz produziram resultados inconsistentes, enquanto Dorival Jr foi demitido após uma série de más atuações, incluindo uma pesada derrota para a Argentina. Fora de campo, problemas de governança dentro da CBF, incluindo controvérsias envolvendo sua liderança, aumentaram a sensação de desorganização.
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Esses problemas agora se refletem no próprio elenco. O Brasil parece carecer de profundidade em várias posições-chave, com lesões expondo a falta de alternativas confiáveis, especialmente na defesa. No meio-campo, a dependência de jogadores experientes evidencia a escassez de opções, enquanto o ataque tem dificuldade para apresentar regularidade.
Uma estatística ressalta a questão: desde a última Copa do Mundo, os defensores do Brasil marcaram mais gols do que os atacantes. Esse desequilíbrio tem alimentado os pedidos pelo retorno de Neymar, apesar das preocupações contínuas com sua condição física e forma.
O ex-atacante Romário afirmou em entrevista ao Jornal O Dia: “É melhor ter um jogador estrela como Neymar, mesmo quando ele não está a 100%, do que convocar qualquer outro jogador.”
Ainda assim, as dificuldades do Brasil vão além da ausência de um único jogador. Atacantes importantes como Vinicius Junior e Raphinha ainda não conseguiram traduzir de forma consistente suas atuações em clubes para a seleção, enquanto outras opções permanecem relativamente inexperientes. As lesões também prejudicaram a continuidade, com Raphinha enfrentando um período fora justamente em uma fase crucial da preparação.
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Os resultados sob o comando de Ancelotti pouco ajudaram a dissipar as preocupações. Ele venceu quatro de seus primeiros nove jogos à frente da equipe, e a posição do Brasil nas eliminatórias da Copa do Mundo piorou nesse período, levantando novas dúvidas sobre o progresso sob sua liderança.
Ainda há tempo para melhorar antes do início do torneio, mas o panorama geral é preocupante. O Brasil não está apenas em busca de resultados, mas também de uma identidade. O foco contínuo em Neymar reflete essa incerteza, mas pode, em última análise, ser um sintoma e não a causa principal dos problemas.
Fontes: GOAL, Jornal O Dia
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