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O dilema do Manchester United e por que Thomas Tuchel é a escolha certa

A próxima decisão do Manchester United em relação ao seu treinador não determinará apenas quem ocupará o banco na próxima temporada ela revelará se o clube aprendeu algo com uma década de instabilidade.

Com mais um interino no comando e mais uma reconstrução prometida, a diretoria enfrenta um dilema familiar: optar pelo conforto e controle, ou apoiar uma figura forte o suficiente para impor clareza a uma instituição à deriva.

Uma pausa, não uma solução

A nomeação de Michael Carrick como treinador interino após a saída repentina de Ruben Amorim visa estabilizar o presente em vez de definir o futuro. Internamente, o United reconhece que o momento da saída de Amorim os deixou com poucas opções de elite disponíveis de imediato.

Reportagens do GOAL destacaram essa realidade, observando que o grupo mais forte de candidatos deverá surgir no verão, quando vários contratos da Premier League chegarão ao fim incluindo os de Andoni Iraola no Bournemouth, Oliver Glasner no Crystal Palace e Marco Silva no Fulham.

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Por enquanto, Carrick ganha tempo. O que o United fará com esse tempo é o que realmente importa.

Tuchel nunca foi embora

O nome de Thomas Tuchel continua a circular em Old Trafford porque, na verdade, ele nunca saiu. O United manteve conversas com o treinador alemão antes de renovar o contrato de Erik ten Hag em 2024 uma decisão que acabou se tornando mais um erro de avaliação.

Na época, as explicações para a hesitação de Tuchel variaram. Alguns apontaram preocupações com uma estrutura esportiva que limita o controle do treinador. Outros citaram o esgotamento após um período intenso no Bayern de Munique.

Esse contexto torna mais compreensível sua decisão de seguir para o futebol internacional. O cargo na seleção inglesa oferecia um ritmo diferente, menos demandas diárias e um início apenas em janeiro condições ideais para um técnico que buscava se reequilibrar sem se afastar totalmente.

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Um catalisador comprovado a curto prazo

O que diferencia Tuchel da maioria dos candidatos disponíveis não é a longevidade, mas a eficácia imediata. Poucos técnicos no futebol moderno demonstraram sua capacidade de transformar equipes rapidamente, muitas vezes em meio ao caos.

Ele sucedeu Jürgen Klopp no Borussia Dortmund sem hesitação, conquistou títulos nacionais na Alemanha e na França, e levou o Chelsea ao título da Liga dos Campeões poucos meses após substituir Frank Lampard. Esses sucessos não foram construídos com base em projetos de longo prazo, mas sim com uma clareza de propósito imediata.

Com a seleção inglesa, Tuchel voltou a demonstrar essa qualidade, comandando uma campanha impecável nas Eliminatórias da Copa do Mundo, vencendo todos os jogos competitivos sem sofrer gols.

Para um clube que busca direção mais do que filosofia, esse histórico tem muito peso.

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Autoridade traz atrito

A intensidade de Tuchel sempre foi uma faca de dois gumes. Ele nunca escondeu sua inquietação, brincando em sua apresentação como treinador da Inglaterra: “Estou trabalhando no meu jogo de longo prazo”, uma admissão da sua tendência de deixar os clubes após dois ou três anos.

Mas essa mesma força de personalidade é justamente o que muitos acreditam que falta ao United no momento. O ex-atacante inglês Alan Shearer, em entrevista à Betfair, afirmou que apenas um treinador com verdadeira autoridade pode romper o ciclo de recomeços do clube.

“Você quebra o ciclo ao trazer uma figura realmente forte e deixá-la trabalhar”, disse Shearer.

Para Sir Jim Ratcliffe, isso exigiria uma mudança de abordagem, após meses de atritos internos e incertezas públicas.

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A complicação da Copa do Mundo

Qualquer tentativa de contratar Tuchel viria inevitavelmente com polêmica. Assumir um clube antes de um grande torneio já teve resultados variados no passado desde o bem-sucedido Mundial de 2014 de Louis van Gaal com a Holanda até a saída desastrosa de Julen Lopetegui da Espanha às vésperas do torneio de 2018.

A federação inglesa se recusou a comentar o futuro de Tuchel, embora o próprio treinador tenha sido claro ao dizer que não faz planos além da Copa do Mundo.

O risco é evidente: distração, escrutínio da mídia e culpa caso a Inglaterra decepcione. Mas para o United, evitar riscos dificilmente trouxe estabilidade.

Um risco calculado

Tuchel não seria uma escolha segura nem confortável. Ele desafiaria estruturas, expectativas e autoridades como fez em todos os lugares por onde passou.

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Mas a história recente do United sugere que soluções graduais e escolhas acomodadas apenas agravaram o problema. Se o clube deseja realmente um reinício, talvez precise de um treinador capaz de forçar essa mudança pela força, e não pelo consenso.

Nesse sentido, a questão não é se Tuchel representa um risco mas se o United pode continuar se dando ao luxo de escolher opções que não resolvem nada.

Fontes: GOAL, Betfair