Finanças do desporto: o futebol europeu atinge um nível recorde
Crescimento recorde no futebol europeu
Segundo o Annual Review of Football Finance 2025 da Deloitte, o mercado do futebol europeu cresceu 8 % na temporada 2023/24, atingindo um valor recorde de 38 mil milhões de euros. Os números mostram que a indústria do futebol continuou a expandir-se apesar de um contexto económico mais difícil, com custos mais elevados e uma atenção crescente à sustentabilidade financeira.
O relatório indica que as “Big Five” ultrapassaram, em conjunto, pela primeira vez, os 20 mil milhões de euros, o que representa 54 % do mercado europeu total. A visão geral da Deloitte sobre o relatório também associa esse crescimento a melhores desempenhos nas competições europeias e a uma distribuição mais ampla do sucesso desportivo entre os clubes. O valor global impressiona, mas também mostra até que ponto a força financeira continua concentrada no topo do futebol profissional.
O impulso comercial da Premier League
Segundo a análise de 2025 da Deloitte, o aumento das receitas dos clubes da Premier League foi impulsionado sobretudo pela atividade comercial, e não por um salto comparável nas receitas de direitos de transmissão. As receitas comerciais ultrapassaram pela primeira vez os 2 mil milhões de libras, impulsionadas pelo crescimento dos patrocínios, por novas ofertas comerciais e por projetos de desenvolvimento ligados aos estádios e ao imobiliário nas áreas circundantes.
Isso diz muito sobre onde os grandes clubes acreditam que estará o valor no futuro. As receitas de transmissão continuam a ser fundamentais, e as receitas de dia de jogo mantêm um papel central no negócio. Ainda assim, cada vez mais clubes procuram desenvolver fontes de rendimento que possam controlar de forma mais direta. Em Inglaterra, em particular, é cada vez mais evidente que os clubes de futebol já não pensam apenas como equipas dentro de campo. Estão também a agir como marcas de entretenimento, operadores de recintos e intervenientes com interesses no setor imobiliário.
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Os clubes querem mais controlo sobre as receitas
Segundo a análise da Deloitte sobre o mercado europeu do futebol, os principais clubes do continente estão a tentar colocar uma parte maior das suas receitas sob controlo próprio. A lógica é simples: quanto mais um clube depender das distribuições centralizadas de direitos televisivos, mais exposto ficará a mudanças no mercado dos direitos e a decisões tomadas por terceiros.
É por isso que muitos clubes estão a apostar mais na diversificação comercial. Estão a investir em experiências premium para adeptos, no desenvolvimento de recintos, em produtos digitais e em novas parcerias que permitam gerar receitas fora dos acordos televisivos tradicionais. É uma estratégia compreensível, mas que também traz riscos. Uma coisa é gerar crescimento, outra bem diferente é mantê-lo alinhado com a ambição desportiva e com a disciplina financeira. O relatório deixa claro que esse equilíbrio continua a ser difícil de alcançar.
Entre crescimento e credibilidade
O relatório da Deloitte também aponta para uma questão mais ampla: os clubes precisam de continuar relevantes numa altura em que os hábitos dos adeptos estão a mudar, sobretudo entre os públicos mais jovens. Os maiores clubes podem ter mais dinheiro e maior visibilidade global, mas isso não garante atenção duradoura nem lealdade automática. Hoje, o futebol é acompanhado de outra forma, os conteúdos são consumidos de maneira diferente, e muitos adeptos esperam uma relação mais direta e mais credível com os clubes do que no passado.
Isso significa que a próxima fase de crescimento não passa apenas por vender mais. Passa também por preservar a identidade enquanto a expansão comercial continua. Os clubes têm de falar ao mesmo tempo com os adeptos locais e com audiências internacionais, sem parecer artificiais nem desligados das comunidades que os ajudaram a crescer. Os números do Annual Review of Football Finance 2025 da Deloitte mostram que o mercado continua a crescer. Mas também sugerem que a questão mais difícil já não é saber se o futebol pode gerar mais dinheiro, e sim se esse crescimento pode acontecer de uma forma que continue a parecer credível para as pessoas que mais se importam com os seus clubes.
Fontes: Deloitte, Annual Review of Football Finance 2025, página de apresentação da Deloitte
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