Gareth Bale fala sobre a realidade de trabalhar com Zinedine Zidane no Real Madrid
O antigo avançado do Real Madrid, Gareth Bale, revelou como era a vida nos bastidores durante um dos períodos mais bem-sucedidos da história do clube, oferecendo uma visão sobre os estilos de gestão que moldaram a equipa.
Falando no podcast Stick to Football, ao lado de Gary Neville, Roy Keane, Paul Scholes, Ian Wright e Jill Scott, o galês recordou a sua passagem pelo gigante espanhol e as diferentes abordagens adotadas pelos treinadores Zinedine Zidane e Carlo Ancelotti.
Bale passou nove temporadas no Real Madrid depois de se transferir do Tottenham em 2013, numa transferência que, na altura, foi recorde mundial. Durante esse período conquistou cinco títulos da Liga dos Campeões, incluindo três consecutivos sob o comando de Zidane entre 2016 e 2018.
Uma abordagem diferente ao treino
Segundo Bale, gerir as personalidades dentro do balneário do Real Madrid pode ser tão importante quanto o planeamento tático.
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“Não fiquei surpreendido por Xabi Alonso ter sido despedido pelo Real Madrid. Se tentares pensar demasiado nas coisas do ponto de vista tático no Real… simplesmente precisas de ser excelente a gerir pessoas. Manter os jogadores felizes. Permitir que façam no campo aquilo que fazem melhor”, disse Bale no podcast.
Ele apontou Carlo Ancelotti como um treinador que compreendia esse equilíbrio melhor do que a maioria.
“Ancelotti? Era como o teu melhor amigo. Mas tinha um interruptor: se treinasses mal, ele dava-te uma grande reprimenda, a qualquer um. O mesmo acontecia ao intervalo, mas tinha o equilíbrio perfeito”, explicou Bale.
O treinador italiano, acrescentou Bale, tinha uma capacidade única de manter a harmonia dentro do plantel, mesmo quando os jogadores não eram titulares habituais.
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“O Carlo sabia gerir pessoas melhor do que ninguém. Mesmo que não jogasses, fazia-te sentir como o seu melhor amigo. Tinha a capacidade de manter toda a gente bem-disposta e de criar o ambiente certo para a equipa.”
Zidane mantinha as coisas simples
Bale também descreveu a abordagem de Zidane nos treinos, sugerindo que o francês muitas vezes mantinha a preparação tática bastante breve.
“Zidane como treinador? Honestamente, ele não fazia muito”, disse Bale. “Revíamos algumas táticas antes dos jogos contra o Barcelona ou o Bayern — talvez 15 minutos de trabalho defensivo. Tirando isso, eram jogos de posse de bola, exercícios de remate e depois íamos para casa.”
Apesar da estrutura descontraída, Bale disse que Zidane impunha enorme respeito no balneário graças à sua lendária carreira como jogador.
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“Mas ganhou respeito graças às suas qualidades como jogador”, acrescentou Bale. “Ele participava nos treinos e até me ganhou algumas vezes — ainda está em grande forma.”
Manchester United tentou contratar Bale
Durante a mesma participação no podcast, Bale confirmou que o Manchester United tentou contratá-lo antes da sua mudança para Espanha em 2013.
“United e Madrid eram as duas equipas. Sim, falei com o United. Na verdade, ofereceram mais do que o Madrid”, disse Bale.
Quando lhe perguntaram se alguma vez considerou seriamente mudar-se para Old Trafford, respondeu de forma breve: “Não.”
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Bale explicou que já tinha decidido que queria juntar-se ao Real Madrid e que tinha um entendimento com o presidente do Tottenham, Daniel Levy, sobre uma possível transferência para o estrangeiro.
“O meu coração estava decidido pelo Madrid”, disse. “Tinha algo combinado com o Daniel Levy, talvez mais um acordo de cavalheiros, porque ele não queria vender-me a um rival.”
Segundo esse acordo, o Tottenham estava mais disposto a vendê-lo a clubes fora de Inglaterra, especialmente se a equipa não se qualificasse para a Liga dos Campeões.
“Por isso, se aparecesse uma equipa de Espanha, Itália ou de qualquer outro lugar, eu poderia potencialmente sair”, explicou Bale. “Tínhamos esse acordo de cavalheiros, mesmo que ele tenha tornado tudo muito difícil.”
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Fontes: Stick to Football podcast
