Ministro do Desporto chama Infantino de «irresponsável»
O ministro dos Desportos da Ucrânia criticou duramente o presidente da FIFA, Gianni Infantino, após as suas recentes declarações em que questionou a eficácia da suspensão da Rússia do futebol internacional — um debate que continua a ganhar destaque à medida que a guerra na Ucrânia se prolonga.
Matvii Bidnyi afirmou que os comentários de Infantino revelam um perigoso distanciamento da realidade do conflito, argumentando que o desporto não pode ser separado da violência que se desenrola na Ucrânia.
Em declarações citadas pela Sky News, Infantino sugeriu que o afastamento das equipas russas não produziu resultados significativos. O presidente da FIFA afirmou que a proibição “não alcançou nada” e que, pelo contrário, “criou mais frustração e ódio”.
Acrescentou ainda que permitir que jovens jogadores russos competissem no estrangeiro poderia ter um impacto construtivo. “Permitir que raparigas e rapazes da Rússia possam jogar partidas de futebol noutras partes da Europa ajudaria”, disse Infantino.
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Bidnyi rejeitou esse argumento de forma categórica. “As palavras de Gianni Infantino soam irresponsáveis, para não dizer infantis”, afirmou à Sky News. “Elas desligam o futebol da realidade em que crianças estão a ser mortas.”
Contexto da suspensão
As seleções nacionais e os clubes russos foram suspensos pela FIFA e pela UEFA em fevereiro de 2022, poucos dias depois de Moscovo ter lançado a sua invasão em larga escala da Ucrânia. Como resultado, a Rússia foi excluída do Mundial de 2022, do Euro 2024 e não participará na fase de qualificação para o Mundial de 2026.
Bidnyi afirmou que as autoridades do futebol ucraniano continuam firmemente opostas a qualquer flexibilização das restrições. “A guerra é um crime, não política”, disse. “É a Rússia que politiza o desporto e o utiliza para justificar a agressão.”
Embora a Rússia continue excluída das competições organizadas pela FIFA e pela UEFA, tem disputado um número limitado de jogos internacionais contra países não ocidentais. Esses encontros estão fora da jurisdição dos dois organismos dirigentes.
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Escrutínio sobre a liderança do futebol
As declarações de Infantino também reacenderam a atenção sobre os seus vínculos passados com a Rússia. Depois de o país ter acolhido o Mundial de 2018, foi-lhe atribuída pelo presidente Vladimir Putin a Ordem da Amizade — uma condecoração que tem sido alvo de novas críticas desde a invasão da Ucrânia.
Bidnyi afirmou que a Rússia deve permanecer excluída do desporto mundial enquanto a guerra continuar. “Enquanto os russos continuarem a matar ucranianos e a politizar o desporto, a sua bandeira e os seus símbolos nacionais não têm lugar entre pessoas que respeitam valores como a justiça, a integridade e o fair play”, declarou.
Repercussões desportivas mais amplas
A Ucrânia manifestou objeções semelhantes para além do futebol. No ano passado, condenou a decisão do Comité Paralímpico Internacional de levantar a proibição imposta a atletas da Rússia e da Bielorrússia. O Comité Paralímpico Nacional da Ucrânia afirmou que a medida permitia aos dois países “hastear as suas bandeiras, encharcadas no sangue de centenas de milhares de pessoas”.
Apesar dessa decisão, atletas russos e bielorrussos não participarão nos próximos Jogos Paralímpicos de Inverno, em Milão e Cortina d’Ampezzo. Embora o IPC supervisione os Jogos, as federações internacionais de cada modalidade mantêm autoridade sobre a elegibilidade, e várias conservaram as suas próprias proibições. A autorização para a participação no hóquei no gelo chegou demasiado tarde para que qualquer um dos dois países se pudesse qualificar.
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Fontes: Sky News, comunicados da FIFA
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