Vinte e quatro horas antes, Neymar tinha estreado um festejo a imitar quem dá cartas para responder aos críticos do seu estilo de vida ligado ao póquer e, logo a seguir, colocou o Santos a par no empate a 2-2 com o Chapecoense.
No domingo, já estava a gravar uma Story de Instagram para desmentir as alegações de que teria repreendido asperamente dois dos próprios jovens no intervalo.
«Vejo alguns rumores a circular sobre uma alegada repreensão minha aos jogadores mais novos no balneário. Não é nada disso.»
Foi assim que Neymar reagiu no domingo às notícias do órgão brasileiro Globo, segundo as quais teria arremetido contra o médio Gabriel Bontempo durante o intervalo do empate. As informações davam conta de que o jogador de 34 anos chamou «idiota» a Bontempo e insinuou que este em breve estaria a jogar na Série B. A Globo alegava ainda que Neymar pôs em causa o nível técnico do defesa João Ananias, depois de um autogolo do próprio ter colocado o Santos em desvantagem na segunda parte.
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Neymar não negou que as vozes se tivessem levantado. Negou foi contra quem se levantaram.
«Podem perguntar a qualquer pessoa do balneário, foi uma repreensão à equipa.»
«A partir de agora, não vou aceitar estas mentiras que publicam na internet.»
Uma repreensão à equipa, não dirigida a ninguém
Na versão de Neymar, avançada pela beIN Sports, a troca de palavras ao intervalo partiu de um grupo de jogadores mais experientes que exigia mais do plantel, depois de a equipa se ter visto em desvantagem em casa frente a um recém-promovido, e não de um homem só a apontar o dedo aos mais novos.
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Neymar sublinhou a ideia na segunda-feira, com uma fotografia sua com Bontempo, legendada «Seu fedelho» acompanhada de um emoji a rir, que Bontempo depois repartilhou, uma demonstração pública de cumplicidade da parte do jogador que alegadamente estaria a ser humilhado no dia anterior, segundo noticiou a Goal.
Uma noite de herói que azedou depressa
A reviravolta é que é a história. No sábado à noite, Neymar foi o salvador do Santos: dois golos ao Chapecoense e um festejo trocista a imitar quem dá cartas, dirigido aos comentadores que passaram a semana a questionar-lhe o profissionalismo por causa de sessões de póquer que vieram a público. Já no domingo de manhã, estava a defender a sua conduta num balneário onde acabara de salvar um ponto.
Fechou a resposta com a frase mais afiada do fim de semana.
«Quem escreve estes artigos maldosos e falsos não sabe nada. Vocês não sabem o que é futebol.»
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O que aí vem para o Santos
A polémica cai numa altura frágil para o Santos, orientado pelo treinador Cuca, que regressou ao clube no início do ano e tenta estabilizar um plantel cujas oscilações de humor são todas amplificadas pela presença de Neymar. O próprio Neymar, segundo o OneFootball, já disse à direção do Santos que tenciona cumprir o contrato até dezembro antes de decidir o próximo passo, com a retirada ou uma mudança para os Estados Unidos em cima da mesa.
A próxima questão não é se os jogadores voltam aos treinos a falar uns com os outros. É se a divisão entre veteranos e jovens descrita pela Globo existe mesmo, e se Cuca consegue manter este plantel alinhado até ao final do ano.
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