O caos mundial de Trump, guerra e política ameaçam o maior torneio de futebol do mundo
Os preparativos para a maior Copa do Mundo da história estão avançando nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Ainda assim, o torneio já enfrenta debates políticos e preocupações com a segurança.
Segundo a análise de Don Riddell publicada pela CNN, a controvérsia começou durante o sorteio oficial do torneio, quando Donald Trump foi convidado ao palco para receber um novo prêmio criado pela FIFA.
“This is your peace prize,” disse o presidente da FIFA, Gianni Infantino. “There is also a beautiful medal for you that you can wear wherever you want to go.”
Um vídeo exibido durante a cerimônia descreveu Trump como “a dynamic leader who has engaged in diplomatic efforts that created opportunities for dialogue and de-escalation and stability.”
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Um prêmio controverso
A cerimônia ocorreu antes do sorteio dos grupos do Mundial ampliado para 48 seleções. Donald Trump subiu ao palco enquanto a liderança da FIFA lhe entregava o novo Prêmio da Paz.
Segundo a CNN, o vídeo apresentado destacava iniciativas diplomáticas de Trump e seus encontros internacionais. As imagens e a narração apresentavam o presidente americano como alguém que teria contribuído para a estabilidade global.
Quando Trump colocou a medalha no pescoço, o público reagiu com aplausos. Dirigentes da FIFA apresentaram o momento como um símbolo do poder do futebol de unir pessoas em todo o mundo.
No entanto, críticos questionaram rapidamente se homenagear um líder político em exercício poderia arrastar o futebol para conflitos políticos globais.
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A guerra muda o foco
Apenas alguns meses após receber o prêmio, Donald Trump anunciou uma operação militar em conjunto com Israel contra o Irã.
“We’re knocking the crap out of them,” disse Trump durante uma entrevista ao jornalista da CNN Jake Tapper. “We’ve got the greatest military in the world and we’re using it.”
Segundo reportagens da CNN, os ataques atingiram várias cidades iranianas e resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
A escalada colocou imediatamente sob escrutínio a decisão anterior da FIFA. A entidade costuma afirmar que o futebol pode ser uma ferramenta de paz e união global.
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De acordo com a análise da CNN, o contraste entre o prêmio da paz e a realidade de um conflito militar crescente gerou fortes críticas.
Crescem as preocupações de segurança
Enquanto as tensões internacionais aumentam, preocupações de segurança também surgiram em um dos países anfitriões.
Segundo reportagens citadas pela CNN, as autoridades mexicanas lançaram recentemente uma grande ofensiva contra o poderoso Cartel Jalisco Nueva Generación.
O líder do cartel, Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, morreu durante a operação. Em seguida ocorreram confrontos violentos que deixaram dezenas de mortos.
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A violência ocorreu perto de Guadalajara, uma das cidades que sediarão partidas da Copa do Mundo.
Os acontecimentos levantaram dúvidas sobre se a situação de segurança poderia afetar os preparativos do torneio.
A FIFA mantém confiança
Apesar das preocupações, a FIFA insiste que o torneio poderá acontecer normalmente.
“Mexico is a great country, like in every other country in the world, things happen; we don’t live on the moon or another planet,” disse o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
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“That’s why we have governments, police, and authorities who will ensure order and security. We are convinced that everything will go as smoothly as possible.”
A Cidade do México sediará a partida de abertura entre México e África do Sul no dia 11 de junho.
Segundo a CNN, outros jogos serão disputados em Guadalajara e Monterrey, duas cidades que também já enfrentaram episódios de violência ligados a cartéis.
O dilema do Irã
O conflito com o Irã também pode afetar a participação de uma das seleções mais fortes da Ásia.
O Irã já havia se classificado para a Copa do Mundo de 2026 e planejava estabelecer seu centro de treinamento em Tucson, no estado do Arizona.
No entanto, segundo a CNN, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã criou dúvidas sobre a participação da equipe.
O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, indicou que a presença da seleção agora está em dúvida.
“What is certain is that after this attack, we cannot be expected to look forward to the World Cup with hope,” disse ele ao portal esportivo Varzesh3.
Se o Irã se retirar, será a primeira vez desde a Copa do Mundo de 1950 no Brasil que uma equipe classificada abandona o torneio.
Problemas de vistos
Mesmo antes da escalada militar, as tensões políticas já complicavam os preparativos para o torneio.
Segundo a CNN, novas restrições de viagem impostas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos dificultariam que muitos torcedores iranianos obtivessem vistos.
Autoridades iranianas já haviam considerado boicotar o sorteio do torneio em Washington depois que vários membros de sua delegação não receberam autorização de viagem.
Torcedores de países como Haiti, Costa do Marfim e Senegal também podem enfrentar dificuldades para conseguir vistos.
Segundo a CNN, essas restrições parecem contradizer declarações anteriores da FIFA de que todas as equipes e torcedores deveriam ter acesso ao país anfitrião.
Infantino e Trump
A relação próxima entre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e Donald Trump também tem atraído atenção internacional.
Segundo reportagens do The Guardian citadas na análise da CNN, Infantino apareceu ao lado do presidente americano em vários eventos, incluindo reuniões na Casa Branca e cúpulas internacionais.
Fotografias dos dois líderes circularam amplamente nos últimos meses.
Durante o sorteio da Copa do Mundo foi exibida uma imagem de Infantino fazendo um gesto de polegar para cima, que o The Guardian descreveu como parecendo “a proud football dad.”
As imagens alimentaram críticas de que a FIFA poderia estar comprometendo sua neutralidade política.
Política em torno do torneio
A Copa do Mundo de 2026 também fará parte das celebrações do 250º aniversário dos Estados Unidos.
Segundo uma reportagem do The Athletic citada na análise da CNN, as zonas de fãs podem incluir “freedom trucks” destinados a promover a cultura americana.
Embora esses eventos sejam organizados por comitês locais, eles mostram como o torneio pode se conectar com mensagens políticas.
Donald Trump já demonstrou em diversas ocasiões disposição para usar grandes eventos esportivos para promover temas políticos.
Segundo a CNN, o presidente americano permaneceu no palco durante a celebração do Chelsea após a vitória na final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, um momento que chamou atenção em todo o mundo.
Um torneio sob pressão política
Com guerras, tensões diplomáticas e desafios de segurança ocorrendo ao mesmo tempo, a Copa do Mundo de 2026 poderá acontecer em um ambiente altamente politizado.
Segundo a análise de Don Riddell para a CNN, a influência global de Donald Trump e sua relação próxima com a liderança da FIFA podem entrelaçar o torneio com acontecimentos políticos internacionais.
Isso levanta dúvidas sobre se o órgão que governa o futebol mundial conseguirá manter o esporte separado de conflitos políticos.
Enquanto as seleções se preparam para a maior Copa do Mundo já realizada, o torneio já se desenvolve em meio a um cenário marcado por guerra, diplomacia e rivalidades globais.
Fontes: CNN
