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O caso Negreira de 8,4 milhões de euros continua a pairar sobre el clasico

Um conflito que não desaparece

Sempre que FC Barcelona e Real Madrid se defrontam em jogos de grande dimensão, o caso Negreira volta ao centro do debate. A investigação judicial procura esclarecer por que motivo o clube catalão pagou milhões de euros, durante quase duas décadas, a empresas ligadas a Jose Maria Enriquez Negreira, antigo vice-presidente do comité técnico de árbitros da federação espanhola.

Segundo The Athletic, o processo em curso ainda não conseguiu determinar de forma conclusiva quais os serviços prestados nem se os pagamentos tinham como objetivo influenciar resultados desportivos. Essa falta de clareza mantém o caso como um foco constante de tensão institucional e mediática no futebol espanhol.

Depoimentos de dezembro e novas tensões

A polémica voltou a intensificar-se no final do ano passado, quando várias figuras de destaque prestaram depoimento em tribunal. De acordo com The Athletic, o presidente do FC Barcelona Joan Laporta, bem como os antigos treinadores Luis Enrique e Ernesto Valverde, foram ouvidos em dezembro.

O presidente do Real Madrid Florentino Perez também se pronunciou publicamente antes do Natal. Num encontro com jornalistas, afirmou que o caso Negreira expôs problemas estruturais profundos na arbitragem em Espanha e defendeu a necessidade de reformas, segundo The Athletic.

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A reação de Laporta e a escalada pública

Joan Laporta tem rejeitado de forma consistente qualquer irregularidade. Informações da imprensa espanhola citadas por The Athletic referem declarações filtradas nas quais defendeu que o FC Barcelona nunca tentou manipular a competição e classificou o processo como uma campanha orquestrada contra o clube.

O conflito agravou-se após a difusão de um vídeo pelo canal oficial do Real Madrid, questionando partes do seu testemunho. Num jantar de Natal do Barcelona, Laporta respondeu com duras críticas, acusando os seus opositores de abuso de poder e de disseminação de falsidades.

Mais tarde, reconheceu que as relações entre os dois clubes estão profundamente deterioradas, embora tenha admitido que uma reconciliação não é impossível, de acordo com The Athletic.

A origem do caso

O caso tornou-se público em fevereiro de 2023, quando o programa catalão Que t’hi jugues! revelou que o FC Barcelona tinha efetuado pagamentos ao longo de vários anos a uma empresa pertencente a Negreira. Segundo The Athletic, essas transferências surgiram inicialmente numa investigação fiscal e acabaram por revelar um total de 8,4 milhões de euros pagos entre 2001 e 2018.

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Durante esse período, Negreira ocupava um cargo influente na estrutura de arbitragem da federação espanhola, circunstância que levou à intervenção das autoridades judiciais e desportivas.

Principais etapas do processo judicial

Em março de 2023, o Ministério Público acusou o FC Barcelona e várias pessoas de crimes como corrupção desportiva, administração desleal e falsificação de documentos. Todos os arguidos negam as acusações, segundo The Athletic.

Jose Maria Enriquez Negreira recusou prestar declarações em março de 2024, alegando os seus advogados que sofre de Alzheimer. Posteriormente, um tribunal de Barcelona afastou os crimes de suborno, o que levou ao arquivamento do processo relativamente à atual direção do clube.

Outras linhas de investigação continuam em aberto. De acordo com The Athletic, o papel de Javier Enriquez Romero, filho de Negreira, permanece sob análise, e a companheira de Negreira, Ana Paula Rufas, foi acusada de branqueamento de capitais, acusações que ambos rejeitam.

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O principal obstáculo jurídico

Especialistas em direito sublinham que a maior dificuldade reside na prova da intenção. Como explica The Athletic, uma condenação por corrupção desportiva em Espanha exige demonstrar que os pagamentos tiveram como finalidade concreta influenciar resultados de jogos.

O antigo árbitro Xavier Estrada Fernandez, que participa no processo como parte lesada, defende que o simples facto de um clube pagar a um alto responsável da arbitragem já deveria ser considerado crime.

Em sentido oposto, o advogado catalão Victor Ballbe Sanfeliz afirmou a The Athletic que pagamentos elevados ou pouco transparentes não são suficientes. É necessário provar a existência de um plano destinado a manipular a competição.

Porque o desfecho continua a ser relevante

A fase de instrução deverá terminar a 1 de março. Após essa data, a juíza decidirá se o caso avança para julgamento criminal. Independentemente da decisão, são esperados recursos, segundo The Athletic.

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Apesar das críticas das autoridades do futebol a pagamentos secretos envolvendo responsáveis da arbitragem, não foram aplicadas sanções desportivas até ao momento. O presidente da La Liga Javier Tebas já afirmou que os factos estão prescritos no âmbito disciplinar.

O atual presidente do comité técnico de árbitros, Fran Soto, apelou a uma resolução rápida, afirmando que a prolongação do processo prejudica a credibilidade da arbitragem, embora não exista qualquer árbitro em atividade sob investigação.

Até existir uma decisão final, o caso Negreira continuará a alimentar desconfiança, rivalidade e tensão institucional sempre que FC Barcelona e Real Madrid se enfrentam.

Fontes: The Athletic, Cadena SER Catalunya, La Cope

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