O dilema do número 9 do Arsenal coloca Gyokeres em destaque contra o Liverpool
A capacidade do Arsenal de fazer rotações livres no ataque tem sido central numa temporada que os levou ao topo tanto da Premier League quanto da Liga dos Campeões. No entanto, essa flexibilidade também intensificou o foco sobre o único jogador contratado para oferecer estabilidade na função de número 9.
O confronto de quinta-feira contra o Liverpool, disputado num raro jogo isolado no meio da semana no Emirates Stadium, oferece a Viktor Gyökeres um palco do qual poucos jogadores do Arsenal podem escapar e um momento que pode moldar a forma como sua temporada de estreia será avaliada.
Por que o Arsenal apostou em Gyökeres
Contratado em julho passado junto ao Sporting CP por um valor inicial de 55 milhões de libras, Gyökeres chegou após o Arsenal optar por não seguir adiante na negociação com o atacante do RB Leipzig, Benjamin Šeško, que acabou se transferindo para o Manchester United.
A decisão foi baseada em lógica. Gyökeres havia marcado 97 gols em 102 partidas em Portugal e já havia mostrado que podia se adaptar ao futebol inglês durante uma passagem de destaque pelo Coventry City, na Championship.
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Rendimento abaixo das expectativas
Esse histórico ainda não se traduziu totalmente na Premier League. Gyökeres marcou sete gols em 23 jogos pelo Arsenal, dois deles de pênalti, e passou em branco na maioria de suas atuações.
Ele continua sendo o artilheiro conjunto do clube, mas essa distinção diz tanto sobre o esforço coletivo no ataque quanto sobre o seu impacto individual. Quinze jogadores diferentes já marcaram nesta temporada, e gols de bola parada e contra também reduziram a dependência de um único atacante.
O portal GOAL classificou Gyökeres como uma das contratações mais decepcionantes da Premier League até agora um veredito mais baseado nas expectativas do que em um fracasso claro. O Arsenal acreditava que sua movimentação e presença física seriam suficientes para transformar chances em gols dentro de um sistema fluido. Até agora, essa conexão tem sido inconsistente.
Dúvidas sobre movimentação e encaixe
O ex-atacante da seleção inglesa Gary Lineker apontou a movimentação mais do que a finalização como o principal problema. No podcast The Rest Is Football, disse: “Como atacante, você precisa arriscar… Não vejo isso com frequência em Gyökeres atualmente”, comparando-o desfavoravelmente com a disposição de Dominic Calvert-Lewin em atacar os espaços antes do cruzamento.
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Há também preocupações quanto ao estilo de jogo. A força física de Gyökeres nem sempre se traduziu em domínio sobre os defensores da Premier League. O ex-meio-campista do Arsenal, Stefan Schwarz, sugeriu que ainda é preciso adaptação. “Espero que ele comece a criar e marcar gols… e que fique um pouco mais leve, porque é um jogador pesado”, disse Schwarz ao Hajper, ressaltando que entender o movimento dos companheiros leva tempo.
Pressão interna no elenco
O tempo, no entanto, começa a pesar. A concorrência pela vaga central está aumentando. Gabriel Jesus voltou bem de uma lesão no ligamento cruzado anterior, o que levou Jamie Carragher a afirmar na Sky Sports que o brasileiro deveria recuperar a titularidade em breve.
“Ele é melhor jogador que Gyökeres, isso é um fato”, disse Carragher, sugerindo também que Kai Havertz oferece mais refinamento atuando pelo meio.
Havertz também está perto de retornar de lesão, e Mikel Arteta sempre destacou sua importância. “É um jogador que sentimos muita falta… ele dá uma dimensão diferente ao time”, disse o treinador do Arsenal em dezembro, destacando como as opções no ataque estão se estreitando.
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Apoiado por Arteta e companheiros
Dentro do elenco, a contribuição de Gyökeres é vista de forma diferente. Declan Rice destacou a capacidade do atacante de atrair defensores e criar espaços para os companheiros.
“Os defensores da Premier League querem parar Viktor Gyökeres, porque ele é um dos melhores atacantes do mundo”, disse Rice, reconhecendo seu papel em gols que não aparecem diretamente nas estatísticas.
Arteta também tem reiterado esse apoio, frequentemente citando a ausência de uma pré-temporada completa e as exigências físicas da adaptação ao futebol inglês. “Temos total confiança nele”, disse o treinador, tratando a adaptação como um processo em andamento e não como motivo de alarme.
Um momento que pode mudar a narrativa
A visita do Liverpool ocorre num momento em que a oportunidade se encontra com a percepção. O Arsenal lidera os Reds por 14 pontos, enquanto o time de Arne Slot tem demonstrado fragilidades defensivas crescentes. Com o Liverpool sem confiança e desfalcado de peças ofensivas importantes, este é o tipo de jogo em que se espera que um atacante de peso faça a diferença.
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Para Gyökeres, não se trata de calar as críticas em uma só noite, mas de mostrar que seu papel pode ser decisivo, e não apenas teórico. Se a longa busca do Arsenal por um número 9 confiável pretende ser justificada, esse é o tipo de partida em que o progresso precisa, enfim, ser visível.
Fontes: GOAL, Sky Sports, Hajper
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