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O milagre inesperado do futebol sudanês em meio a um país devastado pela guerra

O futebol como refúgio emocional

O Sudão enfrenta uma das piores crises humanitárias do mundo. Nesse contexto, a participação da seleção masculina na Copa Africana de Nações ultrapassa o âmbito esportivo. Para muitos sudaneses, a equipe passou a simbolizar união, resistência e esperança.

Segundo a Deutsche Welle, a simples classificação para o torneio já provocou forte impacto emocional entre comunidades sudanesas dentro e fora do país, especialmente entre aquelas afetadas por deslocamentos forçados e pela violência contínua.

Uma vitória aguardada há décadas no cenário africano

O Sudão conquistou uma vitória por 1,0 sobre a Guiné Equatorial em seu segundo jogo da fase de grupos da AFCON 2025, resultado que garantiu a vaga nas oitavas de final. De acordo com a DW, o triunfo gerou cenas de celebração tanto em Casablanca quanto em várias cidades sudanesas.

Foi a primeira vitória do Sudão na Copa Africana de Nações desde 2012 e apenas a segunda desde o título histórico conquistado em casa, em 1970, informou a DW.

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Imagens divulgadas no país mostraram torcedores agitando bandeiras, buzinando e entoando o nome do Sudão, manifestações que se tornaram raras desde o início do conflito armado.

“Jogar e vencer deixa nosso povo em casa feliz. Tentamos levar um sorriso aos rostos deles apesar de todas as dificuldades que estão enfrentando”, afirmou o meio campista Mohamed Abuaagla em entrevista à DW.

A guerra sempre presente

Desde abril de 2023, o Sudão vive um conflito violento entre as forças armadas e as Forças de Apoio Rápido. Segundo a Deutsche Welle, o confronto tem sido marcado por assassinatos em massa, violência sexual e ataques de motivação étnica.

As Nações Unidas classificaram a situação como a pior crise humanitária do mundo. Dados da ONU indicam que mais de 40.000 pessoas morreram, embora organizações humanitárias acreditem que o número real seja significativamente maior. Milhões foram deslocados e a fome e as doenças continuam a se espalhar.

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“A guerra destruiu muitas partes do país e matou pessoas inocentes demais”, disse Abuaagla em declarações citadas pela DW.

Jogar por uma nação ferida

O técnico Kwesi Appiah tem destacado a dimensão simbólica do torneio. Segundo a DW, ele lembra constantemente seus jogadores de que representam um povo que sofre.

“Digo sempre aos jogadores que lutem por seu povo em casa e garantam que as pessoas no Sudão atingido pela guerra possam sentir ao menos um momento de alegria”, afirmou Appiah à DW.

Para muitos torcedores, a seleção tornou se um símbolo de esperança. Idris Ahmed, que ajuda fãs sudaneses no Marrocos, explicou à DW que a equipe joga por todos os sudaneses, independentemente de onde estejam.

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“O time joga por todas as pessoas dentro e fora do Sudão”, afirmou.

Esperança sustentada pela memória e pelo orgulho

A história do futebol sudanês inclui momentos de grande sucesso, especialmente a conquista da AFCON em 1970. Segundo a DW, esse passado continua sendo uma fonte de orgulho e motivação em meio à crise atual.

Após a vitória em Casablanca, Appiah deixou claro que as ambições esportivas permanecem elevadas. O objetivo da equipe, afirmou, não é apenas vencer partidas isoladas, mas disputar o título.

Independentemente do desfecho do torneio, muitos torcedores acreditam que a seleção já alcançou algo essencial.

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“Esta equipe nos traz alegria, apesar da dor que vivemos no Sudão nos últimos três anos”, disse o torcedor Badr Eddine Zambel à DW.

Fontes: Deutsche Welle, Nações Unidas

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