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Por que o Manchester City se antecipou na contratação de Antoine Semenyo

O acordo do Manchester City para contratar Antoine Semenyo por um valor inicial de £62,5 milhões reflete uma estratégia de recrutamento já conhecida sob o comando de Pep Guardiola: evitar o topo absoluto do mercado, mirar jogadores que estão entrando em seu auge e apostar no desenvolvimento em vez da reputação. Segundo o The Guardian, o atacante assinou contrato até 2031, após o City superar rivais nacionais na disputa.

Para o Bournemouth, a transferência reforça um modelo de negócios baseado em identificar talentos subvalorizados e vendê-los no momento exato. Para o City, trata-se de adicionar mais um atacante de lado fisicamente dominante, capaz de pressionar com intensidade e atuar em ambas as alas – um perfil que Guardiola tem priorizado cada vez mais.

A trajetória de Semenyo até este ponto esteve longe de ser direta. Quando adolescente, ele foi dispensado ou rejeitado por várias academias e chegou a ficar um ano longe do futebol. Esse desenvolvimento irregular nos primeiros anos foi o que permitiu ao Bournemouth contratá-lo antes que seu valor se consolidasse completamente.

O valor pago está em linha com a lógica recente de contratações do City. A experiência do clube com acordos de nove dígitos – especialmente o de Jack Grealish – trouxe retornos mistos, e a preferência nas últimas janelas tem sido investir levemente abaixo desse patamar. A renovação de contrato de Semenyo com o Bournemouth no último verão acabou fixando seu preço, assim como aconteceu com Dean Huijsen antes de sua ida ao Real Madrid.

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Embora Liverpool e Manchester United tenham monitorado o atacante ganês, nenhum dos dois agiu quando ficou claro que Semenyo queria se transferir em janeiro. No City, espera-se que ele complemente Jérémy Doku na ala oposta, oferecendo uma combinação contrastante de força, objetividade e intensidade ao redor de Erling Haaland.

Limites financeiros moldam a estratégia de transferências do Bournemouth

A disposição do Bournemouth em vender é moldada tanto por regulações quanto por ambições. Segundo The Guardian, o perdão de um empréstimo acionário de £71,4 milhões por parte do proprietário Bill Foley, registrado nas contas do clube da temporada 2022‑23, ajudou a garantir a conformidade com as Regras de Rentabilidade e Sustentabilidade da Premier League. Com os salários representando cerca de 71% da receita na temporada passada e os planos de expansão do estádio ainda não concretizados, a negociação de jogadores segue sendo peça central no equilíbrio financeiro do clube.

O treinador Andoni Iraola foi claro sobre sua relutância em perder um de seus jogadores mais produtivos: “Se ele puder jogar por anos conosco, melhor ainda”, disse Iraola. “Se não forem anos, que ao menos sejam meses.” No momento da venda, Semenyo estava entre os líderes da liga em gols e assistências combinados.

Um jogador em ascensão, moldado fora do sistema de academias

Sua transformação em um ponta moderno não era algo garantido. No início da carreira, Semenyo atuava de forma centralizada e não tinha o preparo físico adequado. David Hockaday, que trabalhou com ele durante um período de testes em Bisham Abbey, lembrou-se de lampejos de talento ainda cru. “Era como uma coceira que eu não conseguia esquecer”, disse Hockaday, ao descrever a decisão de encaminhá-lo ao futebol universitário e, posteriormente, ao Bristol City, após um empréstimo ao Bath City.

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Mesmo assim, o progresso foi irregular. Lee Johnson, o treinador que deu a Semenyo sua primeira chance como profissional no Bristol City, afirmou que o clube precisou investir muito no seu desenvolvimento. “Ele não tinha pedigree, não veio realmente de uma academia, todos no clube tiveram que se empenhar bastante”, disse Johnson, acrescentando que o jogador chegou “com alguns quilos a mais”.

Mudanças no estilo de vida e uma evolução constante se seguiram. Após cinco anos em Ashton Gate, o Bournemouth contratou Semenyo em janeiro de 2023. Agora, o Bristol City deve receber cerca de £10,5 milhões adicionais pela cláusula de revenda, além da taxa original.

Foi somente na última temporada, durante a longa sequência invicta do Bournemouth, que Semenyo se firmou de vez como peça central do time. A atual campanha começou com dois gols em Anfield na estreia e um prêmio de jogador do mês pouco depois. Com 26 anos completados em janeiro, ele chega ao City num momento em que o auge físico e a maturidade tática normalmente se alinham – mesmo para jogadores cujo desenvolvimento foi mais tardio.

Para o Bournemouth, sua saída é mais um lembrete de que o sucesso frequentemente acelera partidas. Para o City, é uma aposta calculada de que um jogador antes subestimado ainda pode alcançar o mais alto nível.

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Fontes: The Guardian

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