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Quando o controlo não é suficiente: PSG procura a chama da última temporada

A temporada do Paris Saint-Germain continua estável no papel, mas as recentes exibições reacenderam dúvidas que pareciam resolvidas na primavera passada. O campeão europeu continua a competir em várias frentes, mas a confiança que antes acompanhava o seu domínio começou a vacilar.

Esse desconforto voltou a manifestar-se após a derrota da semana passada na Liga dos Campeões frente ao Sporting. Luis Enrique, um treinador pouco dado a insistir nas falhas, descreveu a derrota como a melhor exibição fora de casa do PSG desde a sua chegada. Segundo a BBC Sport, a avaliação surpreendeu muitos observadores embora as estatísticas de base apoiassem parcialmente a sua opinião.

Domínio sem recompensa

Em Lisboa, o PSG dominou a posse de bola, rematou 28 vezes e teve três golos anulados. Nada disso impediu o colapso final, quando o avançado do Sporting, Luis Suárez, marcou dois golos para inverter o rumo do jogo.

“Merecíamos vencer, mas o futebol é assim”, disse Luis Enrique. A BBC Sport destacou que o resultado reavivou uma preocupação já conhecida: a tendência do PSG para permitir falhas defensivas e desperdiçar oportunidades, comprometendo exibições por vezes dominantes tal como aconteceu nos primeiros meses da campanha europeia da época passada.

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A diferença, na altura, foi a reação. Com o avançar da temporada, o controlo passou a ser acompanhado por precisão, sobretudo fora de casa. Desta vez, essa mesma autoridade ainda não se traduziu em consistência.

Falhas no ataque

Na época passada, a frente de ataque era fluida, muitas vezes construída em torno de Ousmane Dembélé como falso nove, o que desconcertava blocos defensivos e criava espaços através de movimentações constantes. Essa agudeza perdeu-se nesta temporada, substituída por uma circulação mais lenta e menos ações decisivas no último terço.

As derrotas frente ao Marselha e ao Mónaco, na liga, ilustraram esta mudança. As lesões de Dembélé, Désiré Doué, Nuno Mendes e Achraf Hakimi ajudam a explicar parte do problema, mas a eliminação da Taça de França frente ao Paris FC também reportada pela BBC Sport sugere dificuldades que vão além da condição física.

“Criámos muitas oportunidades, mas falta-nos um pouco de confiança e precisão para finalizá-las”, disse Luis Enrique após uma vitória sofrida contra o Auxerre.

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Desequilíbrio no plantel

O regresso gradual de Dembélé apenas evidenciou o quanto o PSG ainda depende da sua mobilidade e intensidade. Gonçalo Ramos tem tido dificuldades em impor-se quando é titular, encontrando pouco espaço perante defesas recuadas. Apesar de o seu jogo de apoio continuar eficaz, os seus golos têm surgido sobretudo nas fases finais dos jogos.

A aposta do PSG na promoção de jovens da academia trouxe energia, mas também alguma irregularidade. Senny Mayulu tem desempenhado várias funções em campo, enquanto Ibrahim Mbaye tem sentido dificuldades na adaptação ao nível sénior. Warren Zaïre-Emery, com apenas 19 anos, tem cumprido bem como lateral, embora a influência ofensiva de Hakimi seja difícil de replicar. O tão esperado regresso de Hakimi após lesão poderá restaurar o equilíbrio e aliviar a pressão sobre os mais jovens.

Pontos de pressão

Os novos reforços também enfrentaram críticas precoces. O guarda-redes Lucas Chevalier e o defesa Illia Zabarnyi estiveram envolvidos em momentos decisivos na derrota contra o Sporting, sublinhando os desafios de se adaptarem sob intensa pressão em Paris. Luis Enrique tem defendido os recém-chegados, frisando que as críticas são inevitáveis na primeira temporada no clube.

“Está tudo na cabeça”, disse no início deste mês. “Quando ganhamos por 5-0, ninguém está cansado. Quando perdemos, todos estão. É normal.”

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À procura de precisão

Com o Newcastle como próximo adversário na Europa, o PSG continua bem posicionado no panorama geral. A qualificação ainda está ao alcance e o rendimento doméstico mantém o clube perto do topo. No entanto, para lá das tabelas e projeções, a preocupação é mais subtil.

O PSG procura o fio de eficácia que outrora transformava o controlo em inevitabilidade a precisão que tornava a sua superioridade em resultados decisivos. Até que isso regresse, é provável que persistam as dúvidas já conhecidas.

Fontes: BBC Sport

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