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Revolução no Mundial 2026: Novas regras do VAR e contagens obrigatórias aprovadas

O Mundial deste verão, realizado nos Estados Unidos, México e Canadá, marcará a entrada em vigor de algumas das alterações regulamentares mais relevantes dos últimos anos. A International Football Association Board, IFAB, aprovou oficialmente um pacote de medidas destinado a acelerar o ritmo das partidas e ampliar o papel do vídeoárbitro.

De acordo com a BBC Sport, as novas regras entram em vigor a 1 de junho de 2026, o que significa que serão aplicadas tanto no Campeonato do Mundo como na temporada 2026, 27.

A agência Ritzau e a TV 2 Danmark também noticiaram as mudanças aprovadas, destacando o seu impacto nas decisões disciplinares, nas reposições de bola e na dinâmica do jogo.

VAR alargado a segundos amarelos e cantos

Uma das decisões mais relevantes é a ampliação do sistema Video Assistant Referee, VAR.

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Com as regras atualizadas, os árbitros de vídeo poderão rever lances que resultem num segundo cartão amarelo. Até agora, o VAR só podia intervir em casos de cartão vermelho direto, penáltis, golos e erros de identificação.

Isto significa que expulsões por acumulação de dois amarelos poderão ser reavaliadas com recurso ao vídeo, algo que pode ter impacto decisivo em jogos a eliminar.

Além disso, o VAR poderá verificar se um pontapé de canto foi corretamente assinalado. No entanto, qualquer correção deverá ser feita de imediato e sem atrasar a reposição de bola.

Segundo a BBC Sport, a IFAB considera que este alargamento aumentará a precisão das decisões sem comprometer de forma significativa o fluxo do jogo.

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Maior precisão em momentos decisivos

Um segundo cartão amarelo resulta automaticamente numa expulsão. Permitir a sua revisão reduz o risco de um jogador ser injustamente expulso em partidas cruciais. Uma decisão errada pode alterar profundamente o rumo de um encontro, sobretudo em fases a eliminar.

Mais equidade e uniformidade

Os critérios de arbitragem variam entre competições e países. A revisão de segundos amarelos e de cantos mal assinalados poderá contribuir para maior consistência, especialmente em torneios de dimensão global como o Mundial.

Menos polémicas prolongadas

Erros de arbitragem costumam dominar o debate público durante dias. Corrigir falhas evidentes no momento poderá diminuir as críticas dirigidas aos árbitros e às entidades responsáveis.

Proteção contra simulações

Quando um jogador tenta provocar o segundo amarelo de um adversário, o VAR pode ajudar a identificar exageros ou contactos mínimos.

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No entanto, também existem potenciais desvantagens.

Mais interrupções e ritmo mais lento

Mesmo com limites bem definidos, a expansão do VAR pode aumentar as paragens no jogo. A fluidez é uma das características centrais do futebol, e revisões adicionais poderão gerar frustração entre jogadores e adeptos.

A subjetividade mantém se

Muitos segundos cartões amarelos dependem de interpretação, como faltas táticas ou protestos. O VAR não eliminará totalmente a controvérsia, já que continuará a existir margem para avaliação subjetiva.

Risco de aplicação inconsistente

Se o VAR intervier em algumas situações e não noutras semelhantes, poderá surgir confusão. Será essencial estabelecer critérios claros para evitar acusações de incoerência.

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Possível enfraquecimento da autoridade do árbitro

Uma intervenção mais frequente do vídeo em decisões disciplinares pode afetar a perceção da autoridade do árbitro principal, sobretudo se os jogadores passarem a exigir revisão em todos os lances duvidosos.

Risco de expansão gradual

Alguns críticos argumentam que permitir revisões de segundos amarelos pode abrir caminho à análise de decisões cada vez mais rotineiras, alterando gradualmente a natureza da arbitragem.

Em síntese, a mudança procura reforçar a justiça desportiva, mas traz o risco de tornar o jogo mais lento e alimentar novos debates.

Contagens rigorosas contra a perda de tempo

Outro foco central das reformas é o combate à perda deliberada de tempo.

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A IFAB introduz uma contagem de cinco segundos para lançamentos laterais e pontapés de baliza. Se o limite for ultrapassado, a posse de bola será atribuída à equipa adversária. Na prática, um pontapé de baliza demorado poderá resultar num canto para o oponente.

As substituições também passam a ser mais controladas. Os jogadores terão dez segundos para abandonar o relvado após o seu número aparecer no painel. Caso não cumpram o prazo, terão de sair imediatamente, e o substituto só poderá entrar na próxima interrupção, após pelo menos um minuto adicional de jogo.

Além disso, qualquer jogador que receba assistência médica após uma interrupção deverá permanecer fora do campo durante pelo menos um minuto antes de regressar.

Segundo a Ritzau e a TV 2 Danmark, estas medidas pretendem reduzir interrupções táticas e aumentar o ritmo das partidas.

Proposta de fora de jogo de Wenger será testada no Canadá

Para além das alterações já aprovadas, a IFAB também autorizou um teste da chamada regra do fora de jogo com “luz do dia”, proposta por Arsène Wenger no início do ano.

De acordo com a proposta, um atacante estará em posição legal desde que qualquer parte do seu corpo com a qual possa marcar golo esteja alinhada com o último defesa. O teste deverá começar no Canadá em abril, segundo a BBC Sport.

Os defensores da medida acreditam que poderá incentivar o jogo ofensivo e reduzir decisões milimétricas. Já os críticos alertam para novas zonas cinzentas e potenciais polémicas adicionais.

Com a entrada em vigor marcada para 1 de junho de 2026, o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá será o primeiro grande torneio disputado sob este novo enquadramento regulamentar.

As autoridades do futebol deixam assim uma mensagem clara antes da competição: menos perda de tempo, maior controlo e uma nova abordagem a uma das regras mais debatidas do jogo.

Fontes: BBC Sport, Ritzau, TV 2 Danmark