Ucrânia critica Infantino por dizer que a Rússia deveria ser readmitida na FIFA
A Ucrânia criticou duramente o presidente da FIFA, Gianni Infantino, depois que ele sugeriu que a Rússia deveria ser autorizada a retornar ao futebol internacional, reacendendo o debate sobre se o esporte global pode permanecer neutro durante uma guerra em curso.
Para Kyiv, a resposta é clara. As autoridades ucranianas afirmam que as sanções esportivas não são gestos simbólicos, mas parte de uma pressão internacional contínua sobre Moscou, mais de três anos após a Rússia ter lançado sua invasão em larga escala da Ucrânia.
Os comentários de Infantino, feitos em entrevista à Sky Sports, concentraram-se na possibilidade de flexibilizar as restrições para jogadores das categorias de base. A Rússia está proibida de participar das competições da FIFA desde 2022, uma medida adotada após a invasão e alinhada às sanções mais amplas impostas pelos governos ocidentais.
Segundo a Sky Sports, Infantino afirmou que a proibição não conseguiu reduzir a hostilidade e, ao contrário, aprofundou o ressentimento. Ele argumentou que permitir que crianças russas competissem no exterior poderia ajudar a reduzir divisões, especialmente no futebol juvenil.
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Kyiv destaca o custo pago pelas crianças
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, rejeitou esse argumento em uma publicação na rede X em 2 de fevereiro, respondendo diretamente à ideia de que o esporte juvenil poderia ser separado da guerra.
“Seiscentas e setenta e nove meninas e meninos ucranianos nunca poderão jogar futebol: a Rússia os matou”, escreveu Sybiha, citando números divulgados pelas autoridades ucranianas.
“E continua matando mais, enquanto degenerados morais sugerem levantar as proibições, apesar de a Rússia não ter encerrado sua guerra. As futuras gerações verão isso como uma vergonha comparável aos Jogos Olímpicos de 1936.”
A referência evoca os Jogos realizados na Alemanha nazista, frequentemente citados como um alerta sobre como o esporte internacional pode ser usado para normalizar a agressão e o autoritarismo.
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A FIFA e uma reação já conhecida
A FIFA já enfrentou críticas semelhantes no passado. Em 2023, a entidade tentou brevemente reintegrar as seleções russas sub-17, mas voltou atrás após protestos de federações europeias de futebol e de governos.
Um ano depois, em dezembro de 2024, a organização voltou a causar indignação quando um mapa exibido durante o sorteio da Copa do Mundo de 2026 excluiu a Crimeia da Ucrânia, apesar de a península ser internacionalmente reconhecida como território ucraniano.
Uma investigação publicada em dezembro de 2025 pelo veículo neerlandês de jornalismo investigativo Follow the Money revelou que a FIFA havia pressionado clubes europeus a pagar taxas de transferência pendentes a entidades russas, apesar das sanções impostas após a invasão.
Esporte, neutralidade e pressão
Autoridades ucranianas afirmam que a Rússia há muito tempo trata o esporte internacional como uma extensão da política de Estado, e não como um espaço neutro. Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão, o presidente Volodymyr Zelensky impôs sanções a indivíduos e organizações ligados ao esporte russo, argumentando que o atletismo é rotineiramente usado para propaganda estatal.
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Algumas entidades esportivas internacionais, incluindo as federações de atletismo e de hóquei no gelo, mantiveram as restrições à participação russa, evidenciando uma divisão crescente sobre como a neutralidade deve ser aplicada. A posição da FIFA tem a colocado cada vez mais em desacordo com essa abordagem.
As autoridades ucranianas também afirmam que muitos atletas russos que competem internacionalmente como participantes “neutros” têm vínculos documentados com o Kremlin ou manifestaram apoio público à guerra.
Enquanto isso, a Ucrânia afirma que a invasão matou centenas de seus atletas e treinadores e destruiu instalações esportivas em todo o país por meio de ataques com mísseis e drones — perdas que Kyiv considera inseparáveis de qualquer debate sobre o retorno da Rússia às competições globais.
Fontes: Sky Sports, Follow the Money
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