Um clube de futebol não costuma precisar de pedir aos seus próprios adeptos que se comportem. O Estrela Vermelha fê-lo num comunicado publicado a 21 de outubro.
«Pedimos que nos apoiem de forma justa e desportiva e que não atirem objetos para o relvado», lê-se no apelo.
O apito inicial frente ao FC Copenhaga no Estádio Rajko Mitić, o recinto que Belgrado continua a chamar Marakana, está marcado para as 18h45 locais de hoje, na fase de grupos da Liga Conferência. Os visitantes viajam com as suas próprias orientações. O Copenhaga pediu aos adeptos que mantenham cachecóis e camisolas fora de vista nas ruas em redor do estádio, seguindo as recomendações de segurança locais noticiadas pela televisão dinamarquesa TV 2.
Os Delije e a sombra de Arkan
A claque do Estrela Vermelha, os Delije, não é uma curva de adeptos qualquer. Durante as guerras dos Balcãs nos anos 90, vários dos seus membros foram integrados nos Tigres de Arkan, a unidade paramilitar liderada por Željko Ražnatović. Três décadas depois, a sua presença continua a moldar o quotidiano em Belgrado.
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Tea Sindbæk Andersen, professora na Universidade de Copenhaga que investiga a história do sudeste da Europa, disse à TV 2 que são os Delije que ditam o ambiente a partir do próprio clube.
«O Estrela Vermelha é uma cultura dentro de uma cultura, onde pessoas muito específicas conseguem impor a agenda através dos adeptos extremistas dos Delije, e são bastante violentos, bastante sinistros e poderosos», afirmou.
«Existe uma hierarquia bastante desagradável e uma organização bastante desagradável por trás destes grupos.»
A tarja de Mladic em Plzeň
A 27 de agosto, o Estrela Vermelha perdeu por 5-1 após prolongamento em casa do Viktoria Plzeň, na segunda mão do play-off da Liga Europa. Os seus adeptos deslocados entoaram o nome de Ratko Mladic, fizeram saudações de estilo militar e exibiram uma tarja a elogiá-lo. Mladic tinha morrido aos 84 anos nesse mesmo dia, a cumprir uma pena de prisão perpétua por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
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A UEFA multou o Estrela Vermelha em 90 000 euros por «cânticos impróprios para um evento desportivo» e «comportamento racista e/ou discriminatório». O clube foi proibido de vender bilhetes para adeptos visitantes no jogo europeu seguinte, em Lugano, na Liga Conferência, ficando uma segunda proibição suspensa por um período probatório de dois anos.
O Daily Sabah noticiou que imagens do jogo foram também divulgadas nos próprios canais de redes sociais do Estrela Vermelha, atraindo mais escrutínio da UEFA.
Uma fratura no crânio, há cinco anos
Os clubes dinamarqueses conhecem este recinto. Quando o FC Midtjylland visitou o Estrela Vermelha em 2021, um funcionário do próprio clube da casa foi atingido por um objeto atirado pelos adeptos do Estrela Vermelha. O alvo pretendido, segundo a TV 2, era o árbitro. O funcionário sofreu uma fratura no crânio, e o guarda-redes do Estrela Vermelha, Milan Borjan, interveio para evitar mais estragos.
O Copenhaga é o próximo clube dinamarquês a passar aqueles torniquetes, entrando num estádio cujo próprio clube acaba de pedir publicamente aos Delije que não atirem nada.
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