Carlo Ancelotti embarca em uma missão histórica, liderando o Brasil como seu primeiro técnico estrangeiro em uma Copa do Mundo. Tendo chegado a um acordo em maio de 2025, o condecorado treinador italiano tem a tarefa de guiar a Seleção ao título de 2026, visando encerrar um jejum de duas décadas desde o último triunfo em 2002. O Brasil nunca ficou seis edições sem erguer o troféu, adicionando uma imensa pressão à gestão sem precedentes de Ancelotti.
O desafio único de Ancelotti
A nomeação de Ancelotti não foi isenta de resistência inicial. Figuras como o bicampeão mundial Cafu e o campeão de 1970 Emerson Leão expressaram preocupações sobre um técnico estrangeiro liderar a seleção. Cafu afirmou: “Somos o único país a ter vencido a Copa do Mundo cinco vezes. Não é que um estrangeiro nunca deva treinar a seleção, mas eu teria optado por um técnico brasileiro.” Da mesma forma, Leão comentou: “Sempre disse que não gosto de técnicos estrangeiros no meu país.”
Apesar desses sentimentos, Ancelotti, um recordista com cinco títulos da Liga dos Campeões e troféus nas cinco principais ligas da Europa, comprometeu-se totalmente com o desafio. Ele já havia trabalhado com 43 jogadores brasileiros, mas só havia visitado a América do Sul uma vez antes, em uma missão de observação para a Juventus no início dos anos 2000. Para preencher a lacuna cultural, Ancelotti contratou um professor de português, Roberto Piantino, e dedicou-se a quatro aulas por semana. Piantino notou o compromisso excepcional de seu aluno, dizendo à BBC Sport:
“Fiquei surpreso com o seu empenho. Lembro-me de uma vez que terminamos uma aula numa sexta-feira e, como de costume, perguntei-lhe quando queria fazer a próxima. Ele disse: ‘Amanhã.’ Mas era um sábado. Eu disse: ‘Claro, sem problema.’ Isso significava 9h em Vancouver [onde Ancelotti vive com a esposa]. Aconteceu mais de uma vez. Isso me mostrou o quão sério ele realmente era em aprender.”
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A dedicação de Ancelotti estendeu-se à renovação do seu contrato. Antes da Copa do Mundo, a CBF prorrogou seu vínculo até 2030, mas Ancelotti atrasou a assinatura por cerca de um mês para garantir que outros três membros da equipe da CBF, que o auxiliaram em sua adaptação, também tivessem seus contratos estendidos até 2030. Esse compromisso parece estar repercutindo, com uma pesquisa do instituto brasileiro Quaest revelando que 41% dos brasileiros aprovam seu trabalho, em comparação com 29% que desaprovam.
Abordagem em campo e jogadores chave
Em campo, Ancelotti implementou um ousado sistema tático 4-2-4. Em seus 11 jogos iniciais, o retrospecto do Brasil é de:
- Seis vitórias
- Dois empates
- Três derrotas
A equipe recentemente garantiu uma vitória dominante por 6 a 2 sobre o Panamá em sua penúltima partida antes da Copa do Mundo. Os gols foram de Rayan (Bournemouth), Igor Thiago (Brentford), Vinicius Jr, Casemiro, Lucas Paquetá e Danilo. Ancelotti tem grande apreço por seu talento ofensivo, afirmando nos corredores da sede da CBF que o Brasil possui “dois dos cinco melhores jogadores do mundo”, referindo-se a Vinicius Jr (Real Madrid) e Raphinha (Barcelona).
No entanto, as lesões representam um desafio, com Rodrygo e Estevão Willian atualmente afastados, e Neymar potencialmente perdendo a estreia do Brasil na Copa do Mundo. A vitória contra o Panamá marcou apenas a terceira vez que Ancelotti teve Vinicius Jr e Raphinha juntos em campo, após uma vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai em junho de 2025 e uma derrota por 2 a 1 para a França em março deste ano (onde Raphinha foi substituído no intervalo).
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O estilo de liderança calmo e autoritário de Ancelotti também foi notado. O meio-campista do Manchester United, Casemiro, em entrevista a Rio Ferdinand, relatou um incidente que destacou a abordagem única de Ancelotti:
“No jogo contra o Paraguai [em junho de 2025], precisávamos vencer para nos classificar para a Copa do Mundo. No intervalo, muita gente falava, falava, falava. Então ele disse: ‘Pessoal, esperem. Vou fumar um cigarro, volto em cinco minutos e aí vocês podem falar.’ Depois disso, ele voltou, falou, e todo mundo ficou tipo: ‘OK. Esse cara é diferente.'”
À medida que a Copa do Mundo se aproxima, a combinação de perspicácia tática, compromisso com a integração cultural e liderança distinta de Ancelotti estará sob intenso escrutínio enquanto ele tenta entregar o sexto título mundial ao Brasil.
Fontes: www.bbc.com
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