O momento que mudou a final
A final da Copa do Mundo de 2006 já era tensa, dramática e equilibrada quando Zinedine Zidane entrou para a história do futebol pelo motivo errado.
França e Itália estavam empatadas em 1 a 1 no prolongamento, no Olympiastadion de Berlim, quando Zidane, jogando a última partida de sua carreira profissional, virou-se para Marco Materazzi e deu uma cabeçada no peito do zagueiro italiano.
De acordo com o próprio relato da FIFA sobre o incidente, a cabeçada tornou-se o ato final da carreira de jogador de Zidane. Ele recebeu um cartão vermelho aos 110 minutos, e a Itália mais tarde venceu a final por 5 a 3 nos pênaltis, após o jogo ter terminado em 1 a 1.
Continua sendo um dos cartões vermelhos mais famosos da história do futebol, não apenas pelo palco, mas pelo jogador envolvido. Zidane não era apenas o capitão da França. Ele era o símbolo de sua equipe.
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As palavras antes da cabeçada
Por anos, a questão não era apenas o que Zidane havia feito, mas o que Materazzi havia dito.
De acordo com o relato do Football Italia sobre a versão posterior de Materazzi, Zidane primeiro disse ao zagueiro italiano: “Se você quiser minha camisa, eu te dou depois.”
A resposta de Materazzi foi muito mais provocadora. Ele disse mais tarde que o insulto foi direcionado à irmã de Zidane, com a frase grosseira traduzida como: “Eu preferiria a sua irmã prostituta.”
O comentário desencadeou a reação que encerrou a noite de Zidane, as esperanças da França e uma das maiores carreiras que o futebol já viu.
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Zidane desde então expressou arrependimento pelo incidente, mas não ofereceu um pedido de desculpas a Materazzi. De acordo com a ABC News, citando a entrevista de Zidane ao El País, o francês disse que pediria desculpas ao “futebol, aos torcedores e à equipe”, mas não ao zagueiro italiano.
Uma despedida que escureceu
A final havia sido enquadrada como a última dança de Zidane.
Ele havia retornado à seleção francesa após ter se afastado do futebol internacional, e sua influência cresceu à medida que o torneio chegava à sua fase decisiva. A França sobreviveu a um grupo difícil e depois melhorou drasticamente nas fases eliminatórias.
Zidane marcou no final da vitória por 3 a 1 sobre a Espanha, produziu uma aula magistral contra o Brasil e deu a assistência para o gol da vitória de Thierry Henry nas quartas de final, e depois marcou o pênalti decisivo contra Portugal na semifinal.
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Quando a França enfrentou a Itália em Berlim, a final parecia pertencer a ele.
Em vez disso, ela ficou marcada pelo momento em que ele perdeu o controle.
A foto que congelou a cena
A imagem de Zidane cravando a cabeça no peito de Materazzi tornou-se quase tão famosa quanto o próprio incidente.
Descrita pela PetaPixel em seu relatório sobre o fotógrafo da AFP John MacDougall, a fotografia foi extraordinária porque o incidente aconteceu longe da bola, enquanto a maioria dos fotógrafos olhava para outro lugar.
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MacDougall havia recebido uma instrução incomum naquele dia. Ele recordou: “Disseram-me para fotografar o que quisesse, exceto seguir a bola.”
Essa decisão colocou sua lente no lugar certo na hora certa.
“Produziu uma única foto. Fiquei em choque total”, disse MacDougall.
O resultado foi uma das imagens esportivas mais marcantes do século, um quadro que capturou tanto a violência do ato quanto a incredulidade que o cercava.
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Um legado que se recusa a desaparecer
Duas décadas depois, a cabeçada ainda permanece de forma incômoda no legado de Zidane.
Não apagou sua grandeza. Ele continua sendo um dos melhores jogadores de todos os tempos, campeão da Copa do Mundo em 1998, campeão europeu em 2000 e um dos meio-campistas mais marcantes de sua geração.
Mas mudou o final.
A final de 2006 deveria ter sido lembrada como a última chance de Zidane levantar a Copa do Mundo mais uma vez. Em vez disso, tornou-se a noite em que ele passou pela taça, deixou o campo mais cedo e viu a França perder sem ele.
É por isso que o momento ainda perdura. Não foi apenas um cartão vermelho. Foi a despedida de uma lenda, reescrita em questão de segundos.



