O contrarrelógio da 16.ª etapa do Tour de France tem uma ligação particularmente familiar para o público português.
Juan Ayuso e Paul Seixas, dois dos quatro ciclistas separados por apenas 90 segundos na luta pelo terceiro lugar, já travaram um duelo direto contra o relógio esta temporada na Volta ao Algarve.
Em Vilamoura, Ayuso ganhou sete segundos ao francês e reforçou a liderança que viria a transformar na vitória final. João Almeida terminou a corrida portuguesa no terceiro lugar, atrás de Ayuso e Seixas.
Cinco meses depois, o espanhol e o francês reencontram-se numa batalha ainda mais importante, agora acompanhados por Isaac del Toro e Florian Lipowitz na disputa pelo último lugar do pódio do Tour.
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Uma corrida que Portugal já viu
A Volta ao Algarve ofereceu uma primeira indicação sobre a capacidade destes ciclistas em esforços individuais.
Filippo Ganna venceu o contrarrelógio de 19,5 quilómetros em Vilamoura, mas Ayuso foi o melhor entre os candidatos à classificação geral. O espanhol ganhou sete segundos a Seixas e 35 a Almeida.
De acordo com o AS na crónica da etapa algarvia, Ayuso chegou a registar o melhor tempo no ponto intermédio antes de perder algum ritmo na parte final.
Seixas respondeu posteriormente nas subidas, mas Ayuso acabou por vencer a classificação geral da Volta ao Algarve, com o francês a 14 segundos e Almeida a 59.
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Esse antecedente não determina o resultado no Tour. O percurso é mais exigente e os ciclistas chegam depois de duas semanas de desgaste. Ainda assim, demonstra que Ayuso e Seixas sabem disputar uma classificação ao segundo.
O percurso pode alterar o pódio
A etapa entre Évian-les-Bains e Thonon-les-Bains tem 26,1 quilómetros e cerca de 500 metros de desnível positivo.
Os primeiros 9,7 quilómetros conduzem à Côte de Larringes, com uma inclinação média de 4,3 por cento. Segue-se uma descida rápida, antes de uma secção final mais plana e técnica junto ao lago Léman.
Não é um percurso exclusivamente para especialistas pesados nem para trepadores puros. Os ciclistas terão de combinar potência, capacidade aerodinâmica, técnica de descida e uma gestão rigorosa do esforço.
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Ayuso parte às 17h05, Lipowitz às 17h07 e Seixas às 17h09. Del Toro começa às 17h11, seguido por Evenepoel e Pogačar.
Pogacar pode gerir, Evenepoel tem de atacar
Tadej Pogačar lidera o Tour com cinco minutos de vantagem sobre Remco Evenepoel.
O esloveno pode controlar o esforço e evitar riscos excessivos na descida. Mesmo que perca alguns segundos, a camisola amarela dificilmente ficará ameaçada.
Evenepoel encontra-se numa situação diferente. O belga tem uma oportunidade clara de vencer a etapa e consolidar o segundo lugar antes das grandes jornadas alpinas.
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O percurso equilibrado favorece a sua potência, especialmente nos quilómetros finais. Pogačar, no entanto, deverá recuperar parte do terreno na subida inicial.
A verdadeira luta está no terceiro lugar
Isaac del Toro ocupa a terceira posição, a 5:58 de Pogačar. Seixas está a 6:23, Lipowitz a 6:48 e Ayuso a 7:28.
Isso significa que apenas 25 segundos separam del Toro de Seixas, enquanto Lipowitz está a 50 segundos do pódio. Ayuso, apesar das dificuldades no Plateau de Solaison, encontra-se a 1:30.
Segundo a classificação atual publicada pelo Cyclingnews, os quatro jovens ocupam consecutivamente os lugares entre terceiro e sexto, tornando esta etapa uma corrida paralela dentro do próprio Tour.
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Del Toro tem a vantagem da posição, mas não é um especialista tão comprovado como alguns dos rivais. Seixas foi campeão mundial júnior de contrarrelógio e já venceu uma etapa WorldTour nesta disciplina.
Ayuso possui o precedente positivo do Algarve, enquanto Lipowitz combina capacidade na montanha com uma sólida resistência em esforços longos.
O papel da UAE também será decisivo
A UAE Team Emirates-XRG chega ao contrarrelógio com Pogačar na liderança e del Toro em terceiro.
A formação, bem conhecida dos adeptos portugueses pela presença de João Almeida, poderá terminar a etapa com dois ciclistas no pódio provisório. Pogačar não precisa de trabalhar diretamente para o companheiro num contrarrelógio, mas a sua superioridade na classificação permite à equipa concentrar a atenção na defesa do lugar de del Toro.
Red Bull-Bora-hansgrohe encontra-se numa situação semelhante, com Evenepoel em segundo e Lipowitz em quinto. A diferença é que a equipa alemã já deixou claro que o belga será a principal prioridade na última semana.
Prognóstico
Evenepoel é o ligeiro favorito para a vitória, com Pogačar, Ganna e Josh Tarling entre os principais adversários.
Na luta pelo pódio, Seixas pode ganhar tempo a del Toro graças ao seu passado na disciplina. Ayuso também deverá aproximar-se, desde que tenha recuperado do esforço e das dificuldades da 15.ª etapa.
A Volta ao Algarve mostrou que sete segundos podem mudar a liderança de uma corrida. No Tour, diferenças igualmente pequenas podem decidir quem sobe ao pódio em Paris.



