UEFA responde aos comentários de Infantino com atualização sobre a proibição da Rússia
A UEFA afirma que não tem planos de levantar a suspensão da Rússia das competições europeias, traçando uma linha clara mesmo quando o presidente da FIFA, Gianni Infantino, colocou publicamente em dúvida se tais sanções realmente cumprem algum propósito.
A questão voltou à tona durante o Congresso da UEFA, em Bruxelas, onde o presidente da entidade, Aleksander Ceferin, abordou a posição do organismo ao aparecer ao lado de Infantino.
De acordo com a beIN Sports, Ceferin afirmou: “A posição da UEFA é clara e não mudou, mas estamos a analisar tudo diariamente.”
Acrescentou: “O mundo está a mudar tão rapidamente que é até difícil acompanhar. Vamos ver o que o futuro nos reserva.”
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A Rússia está afastada do futebol internacional desde fevereiro de 2022, quando a FIFA e a UEFA suspenderam o país após a invasão da Ucrânia. A decisão excluiu a Rússia do Mundial de 2022, no Catar, e do Euro 2024, além de impedir a seleção de disputar as eliminatórias para o Mundial de 2026, que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México.
Embora a suspensão se aplique às competições oficiais, a Rússia continuou a organizar jogos amigáveis fora dos torneios da FIFA e da UEFA, incluindo partidas contra o Peru e o Chile durante a janela internacional de novembro.
Um tom diferente por parte da FIFA
Infantino, no entanto, sinalizou disposição para reconsiderar o princípio mais amplo por trás desse tipo de suspensão.
Em entrevista à Sky News no início deste mês, ele foi questionado sobre a exclusão da Rússia e sobre a possibilidade de Israel enfrentar medida semelhante no contexto da guerra entre Israel e o Hamas. Infantino sugeriu que os estatutos do futebol deveriam afastar-se da ideia de punir seleções nacionais pelas ações dos seus governos.
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Falando à Sky News, declarou: “Temos de o fazer. Definitivamente. Porque esta proibição não alcançou nada; apenas criou mais frustração e ódio.”
Acrescentou que “permitir que meninas e meninos da Rússia possam jogar partidas de futebol noutras partes da Europa ajudaria” e defendeu que a FIFA deveria “consagrar nos seus estatutos que nunca deveríamos proibir qualquer país de jogar futebol por causa dos atos dos seus líderes políticos”.
As declarações geraram críticas por parte de figuras políticas ucranianas, que defendem a manutenção do isolamento da Rússia no desporto internacional.
O contraste entre a FIFA e a UEFA evidencia uma tensão persistente na governação do futebol mundial: como equilibrar as reivindicações de neutralidade política com a realidade dos conflitos geopolíticos. Para os dirigentes europeus, pelo menos por agora, a resposta permanece inalterada.
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O modelo olímpico
Outras entidades desportivas internacionais adotaram uma abordagem mais condicional. O Comité Olímpico Internacional permitiu que atletas russos competissem como Atletas Individuais Neutros, desde que comprovem não ter ligações com a guerra. Nesses casos, não são utilizados a bandeira nem o hino da Rússia.
O COI também indicou que equipas jovens russas poderão ser autorizadas sob determinados enquadramentos. A presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou recentemente que “o desporto deve permanecer neutro” e que os atletas não devem ser punidos pelas decisões políticas dos seus governos.
O próprio Ceferin já havia manifestado desconforto com proibições generalizadas a atletas. Em setembro, afirmou que “não sou defensor da proibição de atletas” e questionou: “O que pode um atleta fazer perante o seu governo para travar a guerra?” Na altura, observou que a suspensão não tinha posto fim ao conflito.
Ainda assim, a política formal da UEFA mantém-se. Qualquer alteração exigiria o acordo das suas federações-membro e, por agora, não há indícios de que uma mudança seja iminente.
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Fontes: Sky News, beIN Sports
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