Desporto

Voluntária russa lidera a Ucrânia na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos

Quando os atletas ucranianos entraram no estádio a 6 de fevereiro, nos Jogos de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo, poucos espectadores sabiam que a mulher que transportava o letreiro com o nome do país era natural da Rússia.

Segundo o portal ucraniano Obozrevatel, tratava se de Anastazja Kuczerowa, arquiteta nascida na Rússia e a viver em Milão há vários anos. Na cerimónia, os voluntários foram responsáveis por conduzir as delegações nacionais, e ela terá pedido aos organizadores para acompanhar a equipa ucraniana.

A sua presença ao lado dos atletas rapidamente gerou debate nas redes sociais, num contexto marcado pela guerra em curso entre a Rússia e a Ucrânia e pelas tensões políticas que têm influenciado o desporto internacional.

Em declarações citadas pela Associated Press, Kuczerowa explicou a sua motivação. “Quando caminhas ao lado daquelas pessoas, percebes que têm todo o direito de sentir ódio em relação a cada russo. Ainda assim, acredito que é importante dar, nem que seja, um pequeno passo para lhes mostrar que talvez nem todos pensem da mesma forma”, afirmou.

Leia também: Bukayo Saka compromete-se com o Arsenal em contrato recorde

Um gesto sob escrutínio internacional

Kuczerowa contou que os atletas ucranianos notaram o seu sotaque russo e começaram a falar com ela nesse idioma. Interpretou esse momento como sinal do que descreveu como um “laço profundo entre as nações”.

Numa publicação no Instagram após a cerimónia, escreveu que se sentia orgulhosa por ter acompanhado a equipa num momento tão simbólico.

“Admiro a força, a dignidade, a bondade e a determinação de cada atleta que veio aos Jogos Olímpicos, mas os atletas ucranianos são a verdadeira personificação do espírito olímpico, guerreiros da luz. Virei me para aquela equipa maravilhosa e disse: dentro de instantes vão ver que todo o estádio vos vai aplaudir”, escreveu.

As suas palavras circularam amplamente nas redes sociais. As reações variaram entre elogios a um gesto simbólico de aproximação e críticas de quem considera qualquer presença russa ao lado da Ucrânia extremamente sensível.

Leia também: O evento UFC na Casa Branca de Trump ganha forma com o surgimento da segunda luta pelo título

Simbolismo num contexto político delicado

A cerimónia de abertura realizou se simultaneamente em Milão e em Cortina d’Ampezzo, com o acendimento da chama olímpica nas duas cidades. Ao todo, 92 delegações nacionais participam nos Jogos.

Atletas da Rússia e da Bielorrússia competem sob bandeira neutra, de acordo com as diretrizes do Comité Olímpico Internacional. Não participaram na cerimónia de abertura.

O episódio envolvendo Kuczerowa ocorreu neste enquadramento político complexo e demonstra como até um papel cerimonial num grande evento desportivo pode assumir um significado simbólico relevante.

Fontes: Obozrevatel

Leia também: A noite da Liga dos Campeões em Lisboa pode definir o futuro de Arbeloa

Leia também: O Manchester City começa a planear a vida após Pep Guardiola