Aumenta a incerteza sobre os Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita
O órgão dirigente da Fórmula 1 afirma que a segurança será o fator decisivo para as próximas corridas no Bahrein e na Arábia Saudita, enquanto as tensões militares no Oriente Médio geram nova incerteza em relação ao calendário de 2026.
O Grande Prêmio do Bahrein está programado para 17 de abril, e a Arábia Saudita deverá sediar a etapa no fim de semana seguinte. Ambos os eventos são paradas importantes na fase inicial da temporada e fazem parte da presença comercial de longa data da Fórmula 1 na região.
No entanto, a atenção se voltou para a possibilidade de essas corridas serem realizadas após uma forte escalada das hostilidades.
Durante o fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que “grandes operações de combate no Irã” haviam começado. Nos dias seguintes, instalações militares dos EUA no Catar, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, na Arábia Saudita, no Iraque, na Jordânia e no Bahrein teriam sido alvo de ataques de retaliação.
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Embora as três próximas etapas do campeonato Austrália, China e Japão não sejam afetadas geograficamente, a situação levantou dúvidas sobre a rodada dupla no Oriente Médio prevista para abril.
FIA: A segurança orientará as decisões
A Formula One Management declarou, em comunicado, que está acompanhando de perto os acontecimentos, ressaltando que o calendário imediato de corridas está fora da região.
“As nossas próximas três corridas serão na Austrália, na China e no Japão, não no Oriente Médio — essas provas acontecerão apenas daqui a algumas semanas”, afirma o comunicado. “Como sempre, acompanhamos de perto qualquer situação desse tipo e trabalhamos em estreita colaboração com as autoridades competentes.”
Segundo o Planet F1, o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, abordou diretamente a questão, enfatizando que a resposta do órgão dirigente será guiada por considerações de segurança.
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“Como presidente da FIA, meus pensamentos estão com todos os afetados pelos recentes acontecimentos no Oriente Médio. Estamos profundamente entristecidos com a perda de vidas e nos solidarizamos com as famílias e comunidades impactadas”, declarou.
“Neste momento de incerteza, esperamos calma, segurança e um rápido retorno à estabilidade. O diálogo e a proteção dos civis devem continuar sendo prioridades.”
Ben Sulayem acrescentou que a FIA permanece em contato com os organizadores locais e demais partes envolvidas.
“Estamos em contato próximo com nossos clubes membros, promotores dos campeonatos, equipes e colegas no local, enquanto acompanhamos os desdobramentos de forma cuidadosa e responsável”, afirmou. “A segurança e o bem-estar orientarão nossas decisões ao avaliarmos os próximos eventos programados na região para o Campeonato Mundial de Endurance da FIA e o Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA. Nossa organização é construída com base na união e em um propósito compartilhado. Essa união é agora mais importante do que nunca.”
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Considerações logísticas e históricas
O Oriente Médio tornou-se um pilar do calendário moderno da Fórmula 1, tanto do ponto de vista comercial quanto estratégico. O Bahrein recebe corridas desde 2004 e frequentemente sedia os testes de pré-temporada, enquanto a Arábia Saudita entrou no calendário em 2021.
O esporte já ajustou seus planos no passado em resposta a instabilidades na região. O Grande Prêmio do Bahrein de 2011 foi cancelado em meio a uma crise política, demonstrando que a Fórmula 1 está disposta a alterar seu calendário quando surgem preocupações com a segurança.
Qualquer adiamento neste momento representaria desafios logísticos significativos. O calendário de 2026 é bastante apertado, deixando pouca margem para realocar ou reagendar eventos sem criar sequências de corridas em fins de semana consecutivos.
O repórter da Sky Sports F1, Craig Slater, afirmou que os organizadores poderiam explorar datas alternativas, se necessário, destacando a capacidade de adaptação do esporte nas últimas temporadas.
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“Embora mantenham diálogo com os governos desses territórios, já demonstraram no passado que podem ser adaptáveis e flexíveis com o calendário”, disse Slater.
“É um calendário extenso só de olhar, não é fácil imaginar onde encaixar essas corridas novamente. Há um intervalo de três semanas em maio e existe a pausa de verão em agosto, mas faz muito calor no Oriente Médio nessa época para acrescentar uma corrida.
“Possivelmente perto de Singapura, poderia ser uma opção; se não puderem realizar Bahrein ou Arábia Saudita, poderiam realocá-las ali. O problema é que já existem blocos de duas e três corridas consecutivas, e não acredito que a Fórmula 1 queira ter quatro fins de semana seguidos de ação, porque isso seria um grande desafio logístico.”
Por enquanto, tanto a Formula One Management quanto a FIA afirmam que mantêm contato regular com as autoridades e os promotores locais. Com várias semanas ainda antes de o campeonato chegar à região, os dirigentes parecem adotar uma postura de cautela, aguardando a evolução dos acontecimentos.
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Fontes: Planet F1, Sky Sports F1
