O plano de venda da BBL fica em suspenso, à medida que os estados pressionam a Cricket Australia para abrandar o processo
O esforço da Cricket Australia para introduzir investimento privado na Big Bash League está a enfrentar uma resistência crescente, levantando novas incertezas quanto à direção a longo prazo da competição.
Embora as conversações entre a CA e as entidades estaduais estejam em curso, começam a surgir divergências sobre se a venda de participações nas franquias é o caminho certo a seguir para o futuro da liga.
A resistência dos estados complica os planos
A proposta encontrou uma oposição firme por parte da Cricket NSW, um dos intervenientes mais influentes do críquete nacional. Segundo o The Guardian, o diretor executivo Lee Germon confirmou que nem os Sydney Sixers nem os Sydney Thunder irão participar no atual processo de avaliação liderado pela CA.
Falando na quarta-feira, Germon deixou claro que a organização continua não convencida dos benefícios do investimento externo.
Entretanto, o diretor executivo da Cricket Australia, Todd Greenberg, sublinhou que as negociações continuam em andamento.
“Estamos a receber respostas dos estados à nossa proposta de investimento privado nos clubes da BBL e continuamos abertos a discutir quaisquer questões ou preocupações sobre este modelo”, afirmou Greenberg.
“Este processo mantém-se respeitoso e colaborativo, tendo como principal prioridade o interesse do críquete australiano para todas as partes envolvidas.”
A Cricket Queensland adotou uma posição mais cautelosa e continua a procurar mais esclarecimentos antes de tomar uma decisão final, segundo o The Guardian.
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Uma mudança em direção às tendências globais de franquias
O plano da CA reflete uma mudança mais ampla no críquete global, onde as ligas de franquias estão a atrair cada vez mais capital privado. A competição inglesa The Hundred, por exemplo, garantiu recentemente cerca de 520 milhões de libras em investimento, informou o The Guardian, destacando o potencial financeiro deste modelo.
De acordo com a proposta australiana, até 49% de cada franquia da BBL poderia ser vendido a investidores privados, com avaliações das equipas a atingir, segundo relatos, até 200 milhões de dólares. As receitas seriam divididas entre financiamento imediato para as associações estaduais e a criação de uma reserva financeira a longo prazo.
Este movimento surge também numa altura em que a BBL enfrenta uma pressão crescente de novas ligas T20 na África do Sul e nos Emirados Árabes Unidos, que competem pelos melhores jogadores e pela atenção do público durante a tradicional janela de verão australiana.
Preocupações quanto à influência e ao controlo
Apesar do potencial financeiro, os críticos manifestam preocupações quanto às implicações de introduzir propriedade externa num sistema tradicionalmente gerido por entidades estaduais.
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“A nossa maior preocupação é a entrada de investimento externo num ecossistema de críquete que atualmente funciona de forma muito eficaz”, disse Germon.
“Vemos aqui alguns riscos, que, aliás, também são partilhados pela Cricket Australia.”
Acrescentou que os investidores privados poderão não partilhar as mesmas prioridades que os administradores do críquete no que diz respeito à gestão do desporto.
“Penso que todos compreendemos que um dos riscos de introduzir esse investimento é abrir a porta ao envolvimento de investidores externos que não terão objetivos alinhados com os dos estados ou da Cricket Australia quanto à forma como o jogo deve ser gerido.”
Um caminho alternativo sem venda de participações
Em vez de vender participações, a Cricket NSW defende uma estratégia centrada no aumento das receitas internas. A abordagem foca-se em reforçar os rendimentos provenientes da bilheteira, da afluência, dos patrocínios e de outras fontes comerciais.
“Há várias linhas nesse sentido: rendimento da bilheteira, afluência, patrocínio comercial, entre outros fatores”, afirmou Germon.
“Algumas serão mais viáveis do que outras, algumas mais aceitáveis, mas acreditamos que devem ser analisadas como uma oportunidade para financiar o nosso desenvolvimento e fazer crescer a BBL sem recorrer diretamente à venda dos nossos clubes.”
Observou ainda que parcerias no setor das apostas poderão fazer parte do conjunto de receitas, mas sublinhou que serão consideradas juntamente com outras opções.
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Um futuro incerto
Com intervenientes-chave divididos, a Cricket Australia enfrenta o desafio de alcançar um consenso sobre a estrutura futura da BBL. Como inicialmente reportado pelo The Guardian, o resultado destas negociações deverá moldar o modelo financeiro e a posição competitiva da liga nos próximos anos.
Fontes: The Guardian
