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«Mudou tudo»: o renascimento de Raphinha no Barcelona alimenta as esperanças do Brasil para o Mundial

A ascensão de Raphinha ao topo do futebol europeu não seguiu uma trajetória linear. Na verdade, há pouco tempo, quase o afastou completamente do Barcelona.

Em 2024, em meio a dificuldades financeiras e incertezas no elenco, era amplamente esperado que o ponta brasileiro deixasse o clube. Ele já havia começado a explorar opções antes de o novo treinador, Hansi Flick, intervir e mudar o rumo de sua carreira.

“Eu estava saindo do Barcelona… e foi ele quem confiou em mim”, disse Raphinha à GOAL.

Essa decisão se mostrou decisiva. Flick reformulou o papel de Raphinha, tirando-o de uma posição fixa na ponta e integrando-o a um sistema ofensivo mais fluido. A mudança revelou uma versão diferente do jogador — uma que combinava pressão incansável com maior eficiência no último terço e melhor inteligência posicional.

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Ao final da temporada 2024–25, Raphinha havia participado de 59 gols, consolidando-se não apenas como um contribuinte importante, mas como uma das figuras centrais do Barcelona.

Da energia à influência

A intensidade sempre definiu o jogo de Raphinha, desde seus primeiros anos no Brasil até sua passagem pela Premier League. O que mudou na Espanha foi a forma como essa energia passou a se traduzir em momentos decisivos.

“Sempre fui um jogador muito ativo em campo, tanto na defesa quanto no ataque”, afirmou.

Sob o comando de Flick, essa atividade se tornou mais direcionada. Em vez de apenas percorrer o campo, ele passou a ditar fases do jogo — conectando meio-campo e ataque, criando espaços para os companheiros e aparecendo com mais frequência em posições de finalização.

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Foi uma mudança que o transformou de um ponta esforçado em um verdadeiro jogador decisivo.

Uma ligação de infância com a grandeza

Muito antes de despontar no Barcelona, Raphinha teve uma breve, mas marcante, conexão com um dos ícones do futebol brasileiro.

Em 2003, o grupo de samba de seu pai se apresentou na festa de despedida de Ronaldinho, antes de o ex-vencedor da Bola de Ouro partir para a Europa. Raphinha, então criança, estava presente.

“Era basicamente uma festa de despedida para seus amigos e familiares”, recordou na entrevista à GOAL.

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Desde então, esse momento ganhou um significado simbólico. Assim como Ronaldinho, Raphinha viria a representar o Barcelona e a carregar as expectativas do futebol brasileiro no cenário mundial.

A busca de identidade do Brasil

Esse cenário, no entanto, tem se tornado cada vez mais complexo.

O Brasil continua sendo uma das seleções mais vitoriosas do futebol, mas os torneios recentes expuseram uma lacuna entre reputação e resultados. Desde a conquista da Copa América em 2019, a equipe não conseguiu fazer uma campanha profunda em Copas do Mundo, e as atuações frequentemente careceram da fluidez historicamente associada à Seleção.

“Acredito que o futebol depende muito de resultados”, disse Raphinha. “Quando uma equipe não alcança os resultados que seus torcedores esperam, é natural que as pessoas comecem a pensar que já não é a mesma equipe.”

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As críticas têm sido constantes — e, às vezes, justificadas. As frequentes mudanças de treinador e as abordagens táticas variáveis deixaram a equipe em busca de consistência.

Um Brasil diferente

Sob nova liderança, o Brasil parece estar evoluindo para uma equipe mais pragmática. A ênfase passou a ser a estrutura e o equilíbrio defensivo, em vez do estilo ofensivo fluido que antes o definia.

Esse ajuste aumentou a importância de jogadores como Raphinha, cuja intensidade se encaixa no sistema, mas cuja criatividade ainda é essencial no terço final.

Com incertezas em torno do papel de Neymar e lesões afetando outras opções ofensivas, a responsabilidade já não é tão amplamente compartilhada como antes.

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O peso da expectativa

Poucas camisas no futebol mundial carregam tanta pressão quanto a do Brasil. Espera-se sucesso — mas também espetáculo.

“A pressão é bastante alta”, admitiu Raphinha. “Representar uma nação inteira é algo que exige muito de seus jogadores.”

Para uma geração que cresceu assistindo ao título de 2002, a ausência de um novo título mundial tornou-se cada vez mais significativa. Quanto mais a espera se prolonga, maior se torna esse peso.

Um legado ainda em construção

A carreira de Raphinha encontra-se agora em um ponto crucial. Em nível de clube, ele já mudou percepções, evoluindo de um ponta trabalhador para um dos atacantes mais produtivos da Europa.

Ele até sugeriu que suas atuações mereciam maior reconhecimento em prêmios individuais — um sinal de crescente confiança em seu lugar entre a elite.

Mas o futebol internacional oferece um tipo diferente de validação.

“Jogar em alto nível, pelos melhores clubes, e representar seu país é o que todos querem”, afirmou.

O momento que se aproxima

A Copa do Mundo representa uma oportunidade não apenas de vencer, mas de redefinir esta seleção brasileira — e o papel de Raphinha dentro dela.

Ele entende o que está em jogo.

“Estamos trabalhando para isso”, disse. “É um objetivo para todo o país: voltar a vencer depois de tantos anos.”

Se o Brasil conseguirá alcançar esse objetivo ainda é incerto. O futebol de torneios raramente segue as expectativas, e a história recente oferece poucas garantias.

Mas, para Raphinha, o caminho desde aquele momento de infância em 2003 até o presente o trouxe até aqui — rumo à oportunidade de moldar tanto seu legado quanto o futuro de seu país.

Fonte: GOAL