A Federação Cipriota de Futebol está a reunir elementos para uma queixa formal à UEFA sobre o plano do Barcelona de realizar um campo de férias para jovens na zona norte da ilha, ocupada pela Turquia, com o argumento de que o próprio site do clube espanhol classifica o local como “Chipre do Norte”, uma designação reconhecida apenas pela Turquia.
O Lefkosa Camp está agendado para decorrer na Near East University, no norte de Nicósia, em duas edições em setembro, de 7 a 11 de setembro e de 16 a 20 de setembro, e é aberto a jogadores dos 6 aos 18 anos. Treinadores licenciados vindos de Espanha ficarão encarregados das sessões, aplicando a metodologia da Barça Academy.
Chipre recorre à UEFA por causa da designação
A Federação Cipriota de Futebol afirmou, em comunicado divulgado pelo Cyprus Mail, que está a analisar o assunto, “dada a sensibilidade política e jurídica de um grande clube de futebol europeu realizar uma atividade desportiva organizada no norte”.
Segundo a imprensa grega sobre o próximo passo da Federação, o organismo está agora a reunir provas para apresentar à UEFA relativamente à designação “Chipre do Norte” nas páginas da Barça Academy, enquanto o governo cipriota abriu canais diplomáticos com o objetivo de conseguir o cancelamento do campo de férias.
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A Frente Nacional Popular (ELAM), de extrema-direita, classificou também o campo como “impensável” e apelou a Madrid e a Nicósia para intervirem.
Nea Salamina invoca o “Més que un club”
O Nea Salamina Ammochostos, clube fundado em Famagusta em 1948 e forçado a abandonar a cidade pela invasão turca de 1974, escreveu diretamente ao Barcelona a protestar.
A carta, assinada pelo presidente do clube, Pari Andreou, e noticiada pelo Politis, invoca o próprio lema do Barcelona, “Més que un club”, e pede ao emblema catalão que cancele o campo de férias e retire referências que normalizariam a ocupação. O Nea Salamina continua a disputar os seus jogos em casa longe de Famagusta, permanecendo no exílio há mais de meio século.
Üstel: “Não vamos vergar-nos a esta mentalidade”
O primeiro-ministro cipriota turco, Ünal Üstel, apresentou as objeções como uma tentativa de isolar a sua comunidade.
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“Uma abordagem desta natureza não pode gerar confiança nem construir um novo futuro em Chipre. Não nos vergámos a esta mentalidade ontem e não vamos vergar-nos a ela hoje”, afirmou Üstel em declarações divulgadas pelo Hürriyet Daily News.
O presidente cipriota turco, Tufan Erhürman, defendeu que a campanha para bloquear o evento foi concebida para restringir os contactos dos cipriotas turcos com a comunidade internacional.
O diretor de relações públicas da Near East University, Özer Turan, disse ao mesmo meio que o programa era “um evento desportivo apolítico aberto a todos, e não apenas a participantes turcos”, e afirmou que os preparativos estavam a “decorrer conforme planeado”.
O Barcelona não comentou publicamente. A primeira edição do Lefkosa Camp está agendada para começar na segunda-feira, 7 de setembro, na Near East University, no norte de Nicósia.
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