A atual temporada da Premier League tem sido notavelmente marcada por um drama crescente nos lances de bola parada, com agarramentos, empurrões, puxões e lutas constantes tornando-se uma cena comum nas grandes áreas, segundo a BBC Sport. Essa intensidade física, especialmente em escanteios, gerou um debate significativo, culminando em uma recente decisão do VAR que anulou um gol crucial do West Ham contra o Arsenal.
No domingo, Callum Wilson, do West Ham, parecia ter marcado, apenas para o árbitro do VAR, Darren England, intervir. O gol foi finalmente anulado devido a uma falta de Pablo sobre o goleiro do Arsenal, David Raya. A decisão teve grandes repercussões, impactando as aspirações de título do Arsenal e a luta do West Ham para permanecer na Premier League. A análise do incidente identificou múltiplas infrações potenciais na construção do gol, incluindo:
- Tomas Soucek em Kai Havertz (primeiro poste)
- Martin Odegaard e Jean-Clair Todibo em agarramento mútuo
- Leandro Trossard em Pablo (segurando a cintura)
- Pablo em David Raya (impedindo o goleiro)
- Declan Rice em Konstantinos Mavropanos (braços em volta da cintura)
A falta crucial, no entanto, foi a obstrução direta de Pablo a Raya, envolvendo seu braço sobre o goleiro, segurando o braço esquerdo de Raya e prendendo seu braço direito com o bíceps esquerdo de Pablo. Embora Todibo também tenha sido visto puxando a camisa de Raya, as ações de Pablo foram consideradas decisivas.
Inconsistência e evolução tática
Apesar da natureza explícita da falta, o gol anulado do West Ham é o único a ser invalidado por agarramento ou empurrão após revisão do VAR nesta temporada. Isso contrasta com os 17 pênaltis concedidos por puxões e agarramentos, cinco dos quais vieram por intervenção do VAR, e mais três penalidades máximas que deveriam ter sido marcadas por chamadas perdidas do VAR. O técnico do Everton, David Moyes, expressou um sentimento compartilhado por muitos, afirmando: “Tem-se a sensação agora de que os árbitros realmente não querem se envolver em nada disso.”
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O panorama tático dos lances de bola parada evoluiu significativamente, com os primeiros defensores como Tony Pulis e Sam Allardyce lançando as bases. Sean Dyche é creditado por desenvolver o modelo moderno, mas o Arsenal de Mikel Arteta, sob a orientação do treinador de bolas paradas Nicolas Jover, realmente influenciou a abordagem desta temporada. O Arsenal marcou 21 dos seus 68 gols na liga (31%) nesta temporada a partir de lances de bola parada, frequentemente utilizando bolas fechadas em uma área de seis jardas lotada para impedir que os goleiros agarrem a bola. Essa estratégia, aproveitando a qualidade dos cruzamentos de Declan Rice e Bukayo Saka e a ameaça aérea de Gabriel, tem sido emulada por clubes como Manchester United, Chelsea e Tottenham.
Pedidos de mudança nas regras
A crescente fisicalidade e a percebida inconsistência na arbitragem levaram a pedidos por diretrizes mais claras ou até mesmo mudanças nas regras. A PGMOL (Professional Game Match Officials Limited) deverá consultar as opiniões das partes interessadas sobre questões de arbitragem, incluindo puxões de cabelo e agarramentos na área, no final da temporada. Uma solução proposta é que os árbitros emitam mais cartões amarelos antes mesmo de a bola estar em jogo.
Uma sugestão mais drástica vem do ex-árbitro assistente da Premier League, Darren Cann, que, falando no Match of the Day, propôs uma alteração fundamental nas regras. “Sinto que chegou a hora de uma mudança na lei em que nenhum atacante seja permitido na área de seis jardas antes que o escanteio seja cobrado”, afirmou Cann. Outra ideia é tornar o jogo ‘vivo’ assim que a bola for colocada no quadrante, permitindo pênaltis ou cobranças de falta por infrações cometidas antes mesmo de o escanteio ser cobrado. À medida que a temporada avança, o debate sobre como gerir o crescente caos nas bolas paradas deverá intensificar-se.
Fontes: www.bbc.com, www.bbc.co.uk, www.bbc.co.uk
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