Cresce o escrutínio sobre a Copa do Mundo, preocupações com direitos humanos e tensões com o Irã aumentam a pressão sobre os anfitriões nos Estados Unidos
Enquanto milhões de torcedores se preparam para viajar para a Copa do Mundo da FIFA de 2026, a atenção já não está voltada apenas para os jogos, os estádios e as cidades-sede. Segundo Callum Jones, na UNILAD, a Anistia Internacional afirma que os Estados Unidos enfrentam um ambiente de direitos humanos cada vez mais preocupante antes do torneio, com comunidades de imigrantes e torcedores que viajam podendo estar mais expostos a riscos por causa de medidas ligadas à política de imigração. O torneio, que será realizado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, deve atrair enorme atenção global e grandes multidões, mas a Anistia sustenta que o ambiente ao redor do evento pode fazer com que muitas pessoas se sintam mais vulneráveis do que acolhidas.
Segundo Jones, o relatório da Anistia afirma que torcedores de comunidades de imigrantes podem enfrentar riscos maiores não apenas ao viajar, mas também ao se reunir para assistir ou comemorar os jogos. A organização argumenta que padrões recentes de aplicação da lei nos Estados Unidos já criaram medo em muitas comunidades e que esse clima pode se estender à Copa do Mundo caso as autoridades não ofereçam proteções mais robustas. A Anistia também afirma que ainda há pouca clareza sobre como torcedores e moradores locais serão protegidos contra perfilamento, operações, detenções ou outras formas de tratamento discriminatório durante o torneio.
Por que a Anistia diz que o torneio agora envolve riscos mais profundos
Segundo o artigo de Callum Jones, a preocupação da Anistia vai muito além de atrasos em aeroportos ou problemas de visto. O grupo afirma que o enfraquecimento mais amplo das garantias de devido processo legal, junto com o aumento das deportações e medidas de fiscalização mais agressivas, criou um ambiente que pode afetar a liberdade e a segurança com que as pessoas se deslocam, se reúnem e celebram um dos maiores eventos esportivos do mundo. Na visão da Anistia, a questão não é apenas se os torcedores conseguirão entrar no país, mas também se poderão participar do torneio sem medo de sofrer tratamento injusto.
Jones também informou que apenas quatro das 16 cidades-sede haviam publicado planos de direitos humanos no momento da publicação, um detalhe que a Anistia usou para argumentar que a preparação ainda é insuficiente. O relatório levantou dúvidas sobre se a FIFA e as autoridades dos Estados Unidos fizeram o bastante para garantir salvaguardas a comunidades que já podem se sentir vulneráveis, incluindo migrantes, refugiados e pessoas que queiram exercer o direito de protestar. Segundo a Anistia, o sucesso da Copa do Mundo não deve ser medido apenas pelo que acontece em campo, mas também por ser organizada de uma forma que proteja a dignidade, a equidade e os direitos fundamentais.
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Como o alerta do Departamento de Estado acrescenta outra camada de preocupação
Segundo Joe Yates, na UNILAD, o Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um alerta mundial pedindo que os americanos no exterior tenham cautela redobrada enquanto as tensões no Oriente Médio continuam aumentando. Yates informou que o aviso era especialmente relevante para pessoas que estavam na região ou viajavam por ela, mas que também tinha alcance mais amplo porque instalações diplomáticas dos Estados Unidos e outros locais associados ao país poderiam enfrentar riscos maiores. Esse alerta acrescenta uma nova camada de preocupação ao contexto internacional mais amplo no qual a Copa do Mundo será disputada neste verão.
Segundo Yates, o Departamento de Estado também manteve seu nível máximo de alerta para o Irã, aconselhando os americanos a não viajar para lá e instando aqueles que já estão no país a sair imediatamente. O aviso citou riscos como terrorismo, distúrbios civis, sequestro, prisão arbitrária, tortura e detenção injusta, ao mesmo tempo em que destacou que os Estados Unidos não têm embaixada no Irã e, por isso, não podem oferecer apoio consular normal dentro do país. Embora esse alerta seja separado da Copa do Mundo, ele reflete o tipo de instabilidade geopolítica que pode influenciar decisões de viagem, comunicações oficiais e preocupações de segurança durante um grande torneio global.
Por que dúvidas sobre viagens, segurança e direitos estão aumentando antes do início do torneio
Segundo os dois artigos da UNILAD, a Copa do Mundo de 2026 está se desenvolvendo em um ambiente muito mais politicamente carregado do que os organizadores talvez imaginassem no início. Jones informou que a Federação de Futebol do Irã estaria em conversas com a FIFA sobre a possibilidade de disputar seus jogos fora dos Estados Unidos após a escalada do mês passado, enquanto Yates descreveu um alerta de segurança mais amplo que destacou a crescente incerteza para americanos no exterior. Em conjunto, os dois textos sugerem que o torneio está se tornando parte de uma discussão maior sobre fronteiras, diplomacia, fiscalização estatal e segurança pública.
Isso significa que o desafio central para organizadores e autoridades já não se limita à preparação operacional. Segundo Callum Jones e Joe Yates, a questão mais profunda é saber se a FIFA e as autoridades dos Estados Unidos conseguirão tranquilizar os torcedores, proteger comunidades vulneráveis e impedir que acontecimentos internacionais ofusquem a própria competição. Se essas preocupações não forem tratadas de forma convincente antes do apito inicial, a Copa do Mundo de 2026 poderá ser lembrada não apenas pelo futebol, mas também pelas tensões em torno das condições em que foi disputada.
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Fontes: Callum Jones, UNILAD, Joe Yates, UNILAD, Anistia Internacional, Departamento de Estado dos Estados Unidos.
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