O diretor regional da Amnistia Internacional para a Europa, Steve Cockburn, apresentou a exigência na terça-feira, 48 horas antes de a Áustria e Israel se defrontarem na Raiffeisen Arena, na quinta-feira, para abrir o Grupo B3 da Liga das Nações 2026/27.
A queixa centra-se no próprio regulamento do futebol. A Amnistia argumenta que a Federação de Futebol de Israel (IFA) está em violação dos estatutos da FIFA, porque os clubes sediados em colonatos israelitas no Território Palestiniano Ocupado continuam a competir nos campeonatos internos de Israel, e defende que tanto a FIFA como a UEFA já deveriam há muito ter suspendido a IFA por esta se recusar a excluí-los.
«É inaceitável que a seleção masculina de futebol de Israel vá participar na Liga das Nações da UEFA este outono, apesar das provas claras de que a federação de futebol de Israel continua a apoiar colonatos ilegais», afirmou Cockburn.
«O desporto nunca deve ser usado como um espetáculo de relações públicas para Estados que cometem atrocidades. O jogo bonito deve unir as pessoas, não legitimar o apartheid.»
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A Amnistia escreveu pela primeira vez à FIFA e à UEFA em outubro de 2025 a pedir a suspensão da IFA, a menos que os clubes sediados em colonatos fossem retirados das competições israelitas. A FIFA anunciou em março de 2026 que não tomaria qualquer medida. A Federação Palestiniana de Futebol levou entretanto o litígio ao Tribunal Arbitral do Desporto.
UEFA rejeita pedido da Irlanda
O comunicado surge no meio de uma disputa de governação já em curso no futebol europeu. A Federação Irlandesa de Futebol (FAI), cujos membros votaram esmagadoramente em novembro de 2025 para que a direção pedisse a suspensão de Israel, solicitou à UEFA que mantivesse as duas seleções afastadas em sorteios futuros, depois de terem sido sorteadas no mesmo grupo em fevereiro.
A UEFA recusou o pedido.
«As decisões de evitar que determinadas seleções sejam sorteadas uma contra a outra são tomadas tendo em conta vários fatores, sobretudo as condições entre os dois países que geram riscos estruturais para a segurança», afirmou a UEFA na semana passada. O diretor executivo da FAI, David Courell, disse que os responsáveis irlandeses tinham sido informados de que a solução não era possível porque a Irlanda e Israel «nunca estiveram em conflito direto».
O chefe de comunicação da IFA, Shlomi Barzel, descartou a pressão irlandesa, perguntando se tinha havido «um inquérito oficial ou pedido sobre este assunto, ou trata-se apenas de mais uma declaração sem consequências?».
Recintos neutros na Hungria e na Sérvia
O encontro entre a Áustria e Israel em Linz, na quinta-feira, é o único jogo da jornada inaugural do grupo que se disputará com o estádio cheio de adeptos locais. A UEFA aprovou recintos neutros para os dois jogos entre a Irlanda e Israel: o jogo de 27 de setembro realiza-se em Debrecen, na Hungria, sem bilhetes atribuídos aos adeptos irlandeses, e o de 4 de outubro joga-se à porta fechada em Backa Topola, na Sérvia. O Kosovo também defronta Israel durante a mesma janela internacional.
A FIFA e a UEFA não comentaram publicamente a exigência da Amnistia.
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