O colapso de Amorim volta a mergulhar o Manchester United no caos
A decisão do Manchester United de dispensar Ruben Amorim voltou a colocar em destaque a instabilidade do clube. Mais de uma década após a saída de Sir Alex Ferguson, o emblema inglês continua preso a um ciclo de expectativas elevadas e frustrações recorrentes.
A explicação oficial foi curta e contida. No entanto, segundo vários meios de comunicação, os motivos reais vão muito além de uma simples sequência de maus resultados.
Grandes expectativas com queda rápida
Amorim chegou a Old Trafford em novembro de 2024 com uma reputação sólida construída no Sporting CP. Segundo o The Guardian, havia terminado um jejum de 19 anos sem títulos de liga e criado uma equipa moderna e de pressão alta.
A aposta num sistema 3,4,3 foi inicialmente vista como ousada para um clube à procura de identidade. O otimismo inicial, porém, dissipou se rapidamente.
Leia também: Flex explode enquanto o United demite Amorim
Catorze meses depois, um empate 1,1 frente ao Leeds United a 4 de janeiro deixou o United no meio da tabela e fora das principais competições. Num comunicado, o clube apontou a falta de progresso em campo como razão para a saída.
Segundo o The Guardian, o desempenho desportivo foi apenas parte do problema.
Tensões de poder nos bastidores
Vários órgãos de comunicação relataram fricções crescentes entre Amorim e a liderança do clube. Segundo o The Guardian, divergências sobre a política de contratações e os limites financeiros impostos pelas regras de sustentabilidade financeira geraram uma luta de poder com a hierarquia.
O Manchester Evening News falou numa rutura nas relações entre o treinador e os dirigentes, especialmente no que toca ao controlo da planificação do plantel.
Leia também: As condições de Zinedine Zidane para assumir o comando do Manchester United após a saída de Amorim
O próprio Amorim deu a entender frustração na sua última conferência de imprensa. “Cheguei com certas expectativas e, se não forem cumpridas, talvez seja altura de reconsiderar”, afirmou.
Wayne Rooney criticou posteriormente essas declarações como pouco úteis, segundo o Football365.
Dúvidas táticas persistentes
A rigidez tática de Amorim foi outro tema recorrente após a sua saída. Segundo o The Independent, responsáveis do clube pressionaram o treinador a adaptar o seu sistema após derrotas pesadas frente a rivais diretos.
Fabrizio Romano indicou também que existia pressão interna para maior flexibilidade face às exigências da Premier League.
Leia também: Uma piada, um troféu e uma guerra, por que a provocação de Jimmy Kimmel a Trump agora soa mais sombria
Críticos apontaram substituições tardias e fraca gestão de jogo, especialmente frente ao Leeds, como sinais de que a abordagem não estava a evoluir com a rapidez necessária.
Pressão emocional em destaque
A Sky Sports News relatou preocupações com o comportamento emocional e inconsistente de Amorim, incluindo sessões de treino tensas e críticas públicas aos jogadores.
A CNN descreveu a passagem do treinador pelo United como uma montanha russa, sublinhando como o entusiasmo inicial deu lugar a uma frustração cada vez mais visível.
Parte dos adeptos considera que Amorim foi mais uma vítima de problemas estruturais profundos. Segundo o Football365, muitos apontam a propriedade e a instabilidade crónica como fatores que têm comprometido sucessivos treinadores.
Leia também: Djokovic abala o mundo do ténis e afasta se do seu próprio movimento de jogadores
Um cruzamento familiar para o united
Enquanto o Manchester United inicia mais uma procura por um novo treinador, as questões fundamentais permanecem sem resposta. Controlo, identidade e planeamento a longo prazo continuam no centro do debate.
Se uma nova mudança no banco técnico será suficiente para resolver estes problemas é incerto. O que parece claro é que a saída de Amorim acrescenta mais um capítulo a um período marcado pela turbulência constante.
Fontes: The Guardian, Manchester Evening News, Sky Sports News, CNN, Football365
Leia também: A saída de Amorim aumenta o peso financeiro das mudanças no Manchester United
