Cristiano Ronaldo fez esta terça-feira aquilo que os capitães das seleções quase nunca fazem: identificou o seu selecionador e acusou-o, em público, de ter quebrado a sua palavra por duas vezes.
«O selecionador tinha quebrado a sua palavra comigo», escreveu o jogador de 41 anos num comunicado publicado para os seus seguidores no Instagram. «Foi a segunda vez que quebrou a sua palavra comigo.»
A carta é o primeiro relato substancial de Ronaldo sobre o motivo pelo qual abandonou o estágio da equipa nacional em Copenhaga na semana passada. Tinha sido suplente não utilizado na vitória por 2-1 sobre a Noruega para a Liga das Nações, a 27 de setembro, abandonou a convocatória na véspera do jogo com a Dinamarca a 1 de outubro e, até agora, nada tinha dito publicamente além de uma breve publicação nas redes sociais.
Os 30 minutos que nunca chegaram
A primeira promessa quebrada, segundo o relato de Ronaldo, dizia respeito ao tempo de jogo frente à Noruega. Jorge Jesus tinha-lhe dito que entraria durante 30 minutos.
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«Toda a gente sabe o resto. Aqueci desde o intervalo em diante, vi os minutos a passar e não fui chamado», escreveu Ronaldo.
Uma reunião posterior entre Ronaldo, Jesus e o diretor desportivo do Al Nassr produziu aquilo que o jogador descreve como um acordo de oito pontos sobre o que o treinador diria em público. Num dos pontos, diz Ronaldo, Jesus admitia ter errado ao pôr a aquecer «um jogador da estatura de Pelé ou Maradona» e deixá-lo no banco. Quando Jesus enfrentou a imprensa, afirma Ronaldo, essa frase não estava lá.
«Castiguem-me e não facilitem»
Em vez de contestar uma sanção, Ronaldo pediu-a e disse à Federação Portuguesa de Futebol para não a atenuar.
«A Federação Portuguesa de Futebol deve avaliar as consequências dos meus atos e castigar-me por eles. Acredito que o castigo não deve ser reduzido», escreveu, segundo a Time News noticiou.
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Só depois de cumprir um castigo, afirmou, voltará a jogar por Portugal.
«Se estiver fisicamente apto, a jogar pelo meu clube e, esperemos, a marcar golos, então, depois de cumprir qualquer que seja a suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e vencer pela nossa seleção», escreveu na passagem veiculada pela Fox Sports.
A mensagem de despedida que nunca foi enviada
«Depois do Mundial de 2026, preparei uma mensagem para o povo português, que ainda guardo», escreveu Ronaldo. Não a enviou.
O presidente da FPF, Pedro Proença, eleito para liderar o futebol português em fevereiro de 2025, disse aos jornalistas que acredita que a decisão foi exclusivamente de Ronaldo e por Portugal.
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«Ronaldo é um ícone português, é um jogador absolutamente extraordinário que poderia ter terminado a sua carreira no Mundial e não quis, pelo amor que tem à Seleção Nacional», disse Proença a 4 de outubro.
Jesus já tinha fixado a sua posição
Jorge Jesus não respondeu publicamente ao comunicado de Ronaldo. A falar em Copenhaga a 1 de outubro, antes da carta do jogador, já tinha definido a sua linha.
«Sou eu o treinador. Nenhum jogador tomará jamais uma decisão por mim», disse Jesus aos jornalistas.
Portugal venceu em Copenhaga por 4-2 sem o seu capitão. Qualquer regresso depende agora da suspensão que Ronaldo pediu publicamente à federação para lhe aplicar primeiro.
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