Rui Pinto, 37 anos, divulgou a notícia no X na noite de sexta-feira. Segundo o próprio, as autoridades portuguesas agiram contra o seu estatuto de proteção poucas horas depois de a comissão independente ter decidido contra o Manchester City, clube cujas finanças as suas fugas de informação ajudaram a expor.
«Na quarta-feira, apenas algumas horas após o veredicto que confirmou oficialmente a culpabilidade do Manchester City, a Comissão responsável pelo programa português de proteção de testemunhas informou-me da sua decisão de pôr fim à minha participação no programa e de retirar a minha proteção policial, colocando-me assim conscientemente numa situação de risco de vida», escreveu.
Pinto afirmou que não tinha outra alternativa senão mudar-se dentro de poucos dias.
«Perante estas circunstâncias, não tenho outra alternativa senão mudar-me, nos próximos dias, para um local não revelado por tempo indeterminado, devido às múltiplas ameaças de morte que recebi e ao grave risco de uma tentativa de assassinato contra mim.»
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Do Football Leaks ao processo da Premier League
Pinto, informático português, fundou o Football Leaks em 2015 sob o pseudónimo «John». Entre 2016 e 2018 divulgou mais de 70 milhões de documentos confidenciais, incluindo os ficheiros que os investigadores da Premier League utilizaram para construir o processo de nove anos contra o Manchester City, relativo às épocas de 2009-2018.
Entrou no programa português de proteção de testemunhas em agosto de 2020, depois de ter aceitado dar às autoridades acesso ao seu arquivo. Em setembro de 2023, um tribunal português condenou-o a uma pena suspensa de quatro anos por crimes que incluíam acesso ilegítimo a dados e tentativa de extorsão. Em abril de 2026 foi agredido em Lisboa.
O Guardian, citado pela Al Jazeera, noticiou que, ainda assim, a polícia portuguesa avaliou o seu nível de risco como baixo. Foi aconselhado a evitar as redes sociais, a manter-se afastado de locais com muita gente e a ter cautela nos contactos com a família.
«Mais vulnerável agora do que em qualquer momento desde 2020»
Um comunicado dos advogados de Pinto afirmou que este foi «abruptamente privado da sua habitação protegida e mergulhado numa precariedade extrema» e que, segundo as informações, estaria «mais vulnerável agora do que em qualquer momento desde 2020».
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Os seus advogados apresentaram um recurso administrativo contra a decisão. Afirmam que o recurso tem efeito suspensivo, travando a cessação enquanto a impugnação é apreciada.
Pinto lançou uma campanha no GoFundMe para pagar a mudança. Durante o seu primeiro julgamento, em 2020, usou um colete à prova de bala em tribunal.
City apresenta o recurso
Uma comissão independente decidiu na terça-feira que o Manchester City cometeu violações graves das regras financeiras da Premier League ao longo de nove épocas, dando como provadas 114 das 115 acusações. O clube afirmou estar «desiludido e surpreendido» e prometeu ser «implacável» no seu recurso.
O Manchester City apresentou esse recurso esta semana, classificando o parecer da comissão como «não fiável» e argumentando que continha «erros materiais claros de direito, de princípio e de facto».
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O recurso será apreciado por uma nova comissão de três elementos. Não foi fixada qualquer sanção; a comissão ainda tem de realizar uma audiência separada sobre a punição, com opções que vão desde uma multa a uma pesada dedução de pontos ou mesmo à expulsão da Premier League.
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