Truque revelado na F1: equipes freiam por mais tempo em Shanghai para recuperar mais energia
Shanghai apresenta um desafio equilibrado para os freios
A Fórmula 1 retorna a Shanghai para o Grande Prêmio da China, a segunda corrida da temporada de 2026 e também o primeiro fim de semana Sprint do ano.
Segundo Paolo D’Alessandro do AutoRacer.it, os engenheiros da Brembo classificam o Shanghai International Circuit como um circuito de exigência média para os sistemas de freio. O traçado de 5,451 quilômetros possui sete zonas de frenagem por volta.
Os pilotos passam cerca de 16,3 segundos por volta utilizando os freios, o que corresponde a aproximadamente 18 por cento do tempo total de volta. Na escala de severidade da Brembo de um a cinco, o circuito recebe uma classificação de três.
Três zonas de frenagem são consideradas fortes, uma média e três de baixa intensidade, o que exige das equipes um equilíbrio entre estabilidade na frenagem e controle de temperatura após longas fases de aceleração.
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Curva 14 continua sendo a frenagem mais exigente do circuito
O ponto de frenagem mais exigente do circuito está localizado na Curva 14.
A curva aparece após uma reta de aproximadamente 1,2 quilômetro onde os carros de Fórmula 1 podem atingir cerca de 314 km/h antes de uma forte desaceleração. Segundo a análise citada pelo AutoRacer.it, os pilotos reduzem a velocidade para aproximadamente 77 km/h em pouco mais de três segundos.
Durante essa fase de desaceleração os carros percorrem cerca de 158 metros enquanto os pilotos aplicam aproximadamente 105 quilogramas de pressão no pedal de freio. A desaceleração máxima atinge cerca de 3,9 g e a potência de frenagem pode chegar a aproximadamente 1.665 kW.
Devido à longa reta que antecede a curva, a Curva 14 tradicionalmente se tornou um dos principais pontos de ultrapassagem no Shanghai International Circuit.
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Os carros de 2026 mudam a forma de frear
A chegada da nova geração de carros de Fórmula 1 em 2026 também está mudando as características das zonas de frenagem em Shanghai.
As simulações indicam que a diferença entre a velocidade de entrada e a velocidade de saída nas zonas de frenagem será ligeiramente menor porque os novos carros atingem velocidades máximas mais baixas do que nas temporadas anteriores.
Por outro lado, espera se que a duração das fases de frenagem aumente cerca de 20 por cento.
Segundo a reportagem de Paolo D’Alessandro para o AutoRacer.it, as equipes estão deliberadamente prolongando a fase de desaceleração para recuperar mais energia elétrica. Maximizar a energia armazenada na bateria tornou se um elemento fundamental da estratégia de corrida sob o novo regulamento técnico.
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Como resultado, os pilotos aplicam menos pressão máxima no pedal de freio e experimentam forças de desaceleração ligeiramente menores do que em temporadas anteriores.
Orifícios menores voltam aos discos de freio
Outra mudança técnica envolve o design dos discos de freio de carbono.
Em 2022 a introdução das rodas de 18 polegadas trouxe uma regra que exigia orifícios de ventilação com diâmetro mínimo de três milímetros. Essa regulamentação impediu o uso de orifícios menores de 2,5 milímetros que os engenheiros da Brembo consideravam mais eficientes para o resfriamento.
Para a temporada de 2026 esses orifícios menores voltaram a ser permitidos. Segundo a análise citada pelo AutoRacer.it, os engenheiros podem novamente utilizar discos de freio com até 1.440 orifícios de ventilação.
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Essa configuração melhora a dissipação de calor e ajuda as equipes a gerenciar melhor as temperaturas do sistema de freios durante stints longos.
A posição de largada costuma ser decisiva em Shanghai
A história do Grande Prêmio da China também mostra o quanto a posição no grid costuma ser importante.
Das 18 corridas disputadas em Shanghai, 13 foram vencidas por pilotos que largaram na primeira fila. Onze dessas vitórias vieram da pole position e duas do segundo lugar no grid.
Apenas cinco vitórias vieram de posições mais atrás e nenhum piloto jamais venceu largando da quarta posição.
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Lewis Hamilton continua sendo o piloto mais bem sucedido no Shanghai International Circuit e recentemente também venceu a corrida Sprint do Grande Prêmio da China com a Ferrari, um carro equipado com sistema de freios da Brembo.
Fontes: AutoRacer.it
