Gianni Infantino não recua. A FIFA emitiu na sexta-feira um comunicado a confirmar que vai levar a votação a sua proposta FIFA Forward Enterprise (FFE), menos de 24 horas depois de os membros da UEFA terem ameaçado, por unanimidade, abandonar o próprio Mundial.
«Ninguém está a vender o futebol. Não é algo que a FIFA sequer equacionasse», afirmou o organismo, acrescentando que o seu «processo de consulta previsto foi perturbado por notícias incorretas na comunicação social».
Como está estruturado o plano FFE de 20 mil milhões de dólares
A FFE é o veículo que a FIFA propôs para vender uma participação minoritária de 20% no seu negócio comercial e de competições, incluindo o Mundial e o Mundial de Clubes, com uma avaliação de capital de 20 mil milhões de dólares.
Isso permitiria captar cerca de 4,2 mil milhões de dólares, tendo a firma nova-iorquina Thrive Eternal, de Joshua Kushner, sido escolhida para liderar o grupo de investidores.
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Cada associação membro seria elegível para um pagamento único de desenvolvimento no valor de 20 milhões de dólares no início de 2027, caso a proposta seja aprovada.
Pelo menos 90 dos 211 membros da FIFA já se opuseram publicamente. As 55 nações da UEFA votaram na quinta-feira, os 41 membros da Concacaf fizeram o mesmo nesse dia, e o presidente da Confederação Asiática de Futebol, o xeque Salman bin Ebrahim Al Khalifa, alertou que as «ações unilaterais» da FIFA «parecem minar os próprios alicerces do futebol continental».
A UEFA classifica o plano de «irresponsável e indefensável»
Foi a UEFA que, na quinta-feira, usou a linguagem mais dura.
O seu comité executivo classificou o lançamento da FFE como «irresponsável e indefensável» e acusou a FIFA de «um ato de coação» por acenar com dinheiro de desenvolvimento às federações mais pequenas.
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«Nenhuma seleção nacional da UEFA participará em qualquer competição da FIFA enquanto estas propostas se mantiverem em cima da mesa», afirmou a confederação.
O presidente Aleksander Ceferin acrescentou que «o futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cujo primeiro dever é maximizar o retorno financeiro».
A votação de 19 de setembro transforma-se numa contagem de apoios.
Ao manter o calendário, a FIFA transformou, na prática, a consulta numa contagem de apoios.
Cada uma das 211 associações tem de registar a sua posição até 19 de setembro, sendo suficiente uma maioria simples de 106 votos para aprovar a FFE.
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Às 90 nações já assumidamente contra o plano basta manter a posição e conquistar um pequeno punhado de aliados.
A FIFA, por seu lado, aposta que, uma vez colocada a oferta de 20 milhões de dólares por federação diante de cada membro, as contas irão mudar.
A Concacaf já sinalizou que não se remeterá ao silêncio, invocando a «falta de processo devido» e um «prazo artificialmente curto» e questionando por que motivo é necessário capital privado depois do Mundial mais lucrativo de sempre.
A próxima confederação a mexer-se é a CAF, cujo comité executivo está a avaliar a proposta.
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