Jack Wolff já tem um alvo nas costas. Tem nove anos.
Esse é, nas palavras do próprio pai, o reverso da medalha de ser filho do chefe de equipa mais poderoso da Fórmula 1. Toto Wolff, chefe de equipa e coproprietário da Mercedes, falou sobre o filho numa entrevista exclusiva à RacingNews365, um raro momento pessoal para um homem que quase nunca se abre sobre a família. Jack lidera atualmente a categoria IAME Series Italy X30 U10, depois da sua primeira vitória no karting em Cremona, em julho, uma corrida a que os pais faltaram por coincidir com o Grande Prémio da Grã-Bretanha.
«Para o Jack, há vantagens e desvantagens. A vantagem é que os pais conhecem o desporto motorizado e temos boas ligações. A desvantagem é que tem um alvo nas costas.»
«Toda a gente quer ser mais rápida do que o Jack, e toda a gente o quer tirar de pista com um toque, porque também é o mais novo. Isso está a torná-lo mais duro.»
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Na perspetiva de Wolff, o nome de família é uma moeda que o filho tem de conquistar.
«Precisa de ser um piloto melhor do que todos os outros. Só assim pode justificar que tudo o que faz é por mérito.»
A procura de talentos começa antes da puberdade
O contexto é o de um desporto que já levou a procura de talentos até às escolas primárias. A própria Mercedes integrou Niccolò Perico, de 11 anos, no seu Junior Programme para 2026, depois de o italiano ter arrasado na WSK Super Master Series na sua temporada de estreia no karting júnior. Perico é apenas três anos mais velho do que Jack.
A Red Bull tem pilotos com 11 e 12 anos sob contrato, disse Wolff à RacingNews365, e a Cadillac está a trabalhar com um jovem de 10 anos. A sua própria posição sobre o filho é a de que é «demasiado cedo», mas o mercado não espera.
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«Seis contra um»
Jack já percebeu as contas do paddock. O pai relatou uma conversa sobre correr sozinho contra equipas oficiais de karting, em que até seis pilotos envergam as mesmas cores e podem coordenar-se contra um rival.
«Papi, consigo com três, mas é difícil bater seis quando estão a trabalhar em conjunto.»
Ao falar com jornalistas no início deste ano, Wolff reconheceu como é fácil um pai ligado às corridas exceder-se.
«É importante encontrar o equilíbrio certo, porque, como pai, estamos obviamente envolvidos emocionalmente e isso é completamente normal.»
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«Mas ele tem nove anos, há tantas crianças pequenas e é preciso encontrar o equilíbrio certo, e tentamos. Às vezes falhamos.»
Os Wolff, no relato de Toto, conseguem montar uma estrutura de apoio «que alguns outros pais não conseguem, porque não percebem, porque não têm meios para isso, ou porque não conseguem organizar-se». E, no seu entender, é precisamente por isso que a pressão sobre Jack não deve ser aliviada.
«É aqui que tudo começa. A Fórmula 1 é basicamente isto em versão ainda mais intensa.»
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