A revolta contra Gianni Infantino é mais ruidosa do que qualquer outra que um presidente da FIFA tenha enfrentado desde Sepp Blatter. Mas os papéis necessários para o afastar não existem.
Segundo os estatutos da FIFA, 20 por cento das 211 associações-membro do organismo, ou seja, 43 assinaturas, têm de apresentar um pedido escrito para convocar um congresso extraordinário. É esse o mecanismo de que os opositores precisariam para realizar uma votação de censura, e o último dia para incluir uma moção deste tipo na ordem de trabalhos de um congresso marcado para 23 de novembro é 23 de setembro.
Uma análise da Forbes assinada por Michael Lewis, publicada a 25 de agosto, defende que a aritmética atual favorece Infantino ao chegar a essa data como titular do cargo e dá-lhe uma hipótese séria de esgotar o tempo até março.
O escudo africano
A razão mais evidente é a Confederação Africana de Futebol. A 7 de agosto, o comité executivo da CAF reconfirmou por unanimidade o seu apoio ao presidente da FIFA, agradecendo-lhe o apoio dado ao futebol africano.
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A CAF representa 54 das 211 associações-membro da FIFA. O seu executivo não pode, do ponto de vista legal, entregar esses votos em bloco, porque cada associação vota por si, mas o sinal político conta. Os opositores de Infantino não têm um caminho realista para as 43 assinaturas se não conseguirem obter deserções nessa região.
O que a Europa e a CONCACAF fizeram de facto
A 30 de julho, as 55 associações-membro da UEFA votaram por unanimidade boicotar as competições da FIFA se Infantino avançasse com um plano para vender uma participação de 20 por cento numa nova entidade comercial, denominada FIFA Forward Enterprise, a um grupo de investidores liderado por Joshua Kushner.
As 41 federações da CONCACAF, 35 das quais membros da FIFA, rejeitaram a proposta no mesmo dia, e a Confederação Asiática de Futebol juntou-se-lhes.
O comunicado da UEFA não poupou nas palavras.
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«Há coisas que são simplesmente demasiado importantes para se venderem. O Mundial da FIFA pertence ao futebol», afirmou na sua posição publicada.
Infantino abandonou o plano a 31 de julho, dizendo aos membros que o projeto tinha «criado divisões».
Esse colapso retirou o ponto de tensão imediato. Não se traduziu em 43 assinaturas. As confederações não controlam a forma como as suas associações-membro votam em Zurique, e a oposição pública a um plano de negócios não é o mesmo que um pedido assinado para afastar o presidente.
A luta pelo limite de mandatos é a outra via
Os presidentes da FIFA estão limitados a três mandatos de quatro anos. Infantino defende que a sua eleição de 2016, que completou o mandato de Blatter, não conta, deixando-o livre para se candidatar a um quarto mandato em Rabat.
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A interpretação é contestada por grupos de defesa de direitos e pela própria Comissão de Governação, Auditoria e Conformidade da FIFA, e é uma das maiores ameaças processuais à sua continuidade para além de março.
As datas que decidem tudo
23 de setembro de 2026: último dia para incluir uma moção de censura na ordem de trabalhos de um congresso extraordinário.
18 de novembro de 2026: prazo para os candidatos presidenciais se apresentarem.
23 de novembro de 2026: congresso extraordinário agendado.
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18 de março de 2027: eleição presidencial da FIFA, no 77.º Congresso, em Rabat, Marrocos.
Nenhum candidato formal se apresentou. Entre os nomes que circulam estão o presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, o presidente da Associação Europeia de Clubes, Nasser al-Khelaifi, o presidente da AFC, Sheikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa, e o presidente da CAF, Patrice Motsepe. A janela de apresentação de candidaturas fecha a 18 de novembro.
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