A sete voltas do fim em Zandvoort, a Mercedes afastou George Russell para dar passagem ao companheiro de equipa Kimi Antonelli, protegeu o segundo lugar e alargou discretamente a vantagem do líder do campeonato. Mika Hakkinen quer que a próxima decisão deste género seja bem mais difícil de justificar.
«Todos estes pilotos têm hoje em dia uma enorme base de adeptos em todo o mundo, e se um dia a equipa decidir que este piloto vai ser o número dois, os adeptos vão crucificar essa equipa», disse o finlandês à Sky Sports.
O veredicto surge a 11 corridas do fim e com Antonelli a deter uma vantagem de 59 pontos sobre Russell no campeonato de pilotos, com Russell empatado com 183 pontos com Lewis Hamilton, da Ferrari, atrás de si.
Volta 65 de 72 em Zandvoort
A decisão em Zandvoort, em 24 de agosto, foi processual e não pessoal. Um virtual safety car na volta 55 tinha dado a Antonelli pneus novos e, com dois Ferraris a aproximarem-se, a Mercedes ordenou a Russell que deixasse passar o companheiro de equipa na volta 65.
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Antonelli terminou em segundo, atrás do vencedor da corrida, Lando Norris. Russell segurou Hamilton para ficar em terceiro e cedeu três pontos ao companheiro de equipa na classificação.
O diretor de engenharia de pista da Mercedes, Andrew Shovlin, explicou a decisão como uma proteção de corrida: com Antonelli em pneus mais frescos e provavelmente a passar de qualquer forma, a equipa não queria que Russell perdesse tempo a lutar com o carro-irmão enquanto os Ferraris se aproximavam.
Russell aceitou a decisão nos momentos após a corrida.
«Claro que, quando estamos em corrida, queremos lutar por cada posição», disse à Formula1.com após a corrida.
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«Com o ritmo do pneu novo, ele ter-me-ia ultrapassado de qualquer forma, por isso foi a decisão certa.»
O aviso de Hakkinen é preventivo
O argumento de Hakkinen não é que a Mercedes tenha estado errada em Zandvoort. É que uma decisão semelhante, assim que as contas da época obrigarem a uma escolha direta entre dois candidatos ao título, vai cair de forma muito diferente junto dos adeptos.
«Que equipa vai fazer este tipo de mudança e quais são os argumentos que vão dar e apresentar aos adeptos? Este vai ser um fator importante», disse Hakkinen.
«Por isso, hoje em dia é preciso ter muito cuidado com a forma como se acionam este tipo de ordens de equipa.»
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Recorreu à sua própria carreira como piloto para sublinhar o quanto a cultura mudou.
«Quando eu corria contra Michael Schumacher, na altura em que ele estava na Ferrari, começavam já a dar ordens de equipa logo na primeira corrida da época», disse Hakkinen.
O Grande Prémio de Itália realiza-se em Monza este fim de semana, com a partida agendada para as 15h, hora local, de domingo, 6 de setembro.
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