Um mês depois de ter abandonado o seu plano de 20 mil milhões de dólares para vender uma participação no Mundial a investidores privados, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, surge agora como um homem à procura de um caminho diferente para reconquistar a maioria dos 211 membros da FIFA: um caminho que garantiria a mais deles um lugar assegurado no maior evento do futebol.
Uma análise independente encomendada pela FIFA sobre a expansão do torneio masculino de 48 para 64 equipas a partir da edição de 2030 deverá ser entregue a 11 de setembro, depois de a decisão interna de lançar a revisão ter sido tomada a 14 de agosto. O torneio de 2030, já dividido entre Marrocos, Portugal e Espanha, com três jogos do centenário na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, voltaria a ser reformulado se o Conselho da FIFA aceitar a recomendação.
Este calendário não avança de forma isolada. A 18 de novembro, encerra-se o prazo para quem pretenda concorrer contra Infantino no 77.º Congresso da FIFA em Rabat, a 18 de março de 2027, onde um candidato precisa de 106 dos 211 votos para vencer.
As regiões que Infantino não se pode dar ao luxo de perder
A revolta contra ele tem-se alimentado das confederações cujos membros menos beneficiariam, ou não beneficiariam de todo, com mais vagas. A UEFA, a AFC e a CONCACAF ponderam uma votação formal de censura, e a FA inglesa, a Sérvia, a Suécia e o País de Gales retiraram o seu apoio público desde o verão.
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África, a maior parte da América do Sul e um bloco de associações árabes mantiveram-se ao seu lado. O presidente da CAF, Patrice Motsepe, afirmou que Infantino mantém o apoio do continente, e a CONMEBOL emitiu um comunicado a rejeitar qualquer tentativa de o afastar sem uma votação plena dos 211 membros. São precisamente essas regiões, mais um leque asiático alargado, que um Mundial de 64 equipas mais diretamente recompensaria com novos lugares.
Essa é a leitura política avançada pela Forbes, que noticiou a 11 de agosto que Infantino poderá apoiar a expansão, em parte, para reforçar votos de África, Ásia e CONCACAF a caminho de março.
«Se não dermos aos países mais pequenos a oportunidade de participar no Mundial, faltar-lhes-á o incentivo para continuarem a evoluir», disse Infantino em julho, classificando a ideia de um formato de 64 equipas como «definitivamente algo a analisar».
A ideia era da CONMEBOL antes de ser de Infantino
O formato de 64 equipas não teve origem no gabinete do presidente da FIFA. Foi proposto pela CONMEBOL para assinalar, em 2030, o centenário do primeiro Mundial, disputado no Uruguai, e formalmente avançado pelo seu presidente, Alejandro Domínguez. O próprio Infantino só abraçou publicamente a ideia em julho, depois de o torneio de 48 equipas ter decorrido nos Estados Unidos, no Canadá e no México.
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A oposição mantém-se ruidosa. O presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, classificou uma nova expansão como «uma má ideia», e o presidente da AFC, Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, afirmou publicamente que não concorda com ela. As confederações, contudo, não controlam o sentido de voto dos seus membros; cada uma das 211 associações da FIFA vota individualmente, e o apoio a Infantino tem, ao longo do verão, cruzado repetidamente as fronteiras entre confederações.
A análise independente chega primeiro
A data de entrega, a 11 de setembro, chega mais de dois meses antes do prazo de candidaturas de novembro. Se as conclusões da revisão forem usadas para abrir a porta a mais vagas para África, Ásia e CONCACAF, fá-lo-ão no momento em que potenciais candidatos como o presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, e o presidente da Qatar Sports Investments, Nasser al-Khelaïfi, ainda ponderam se se candidatam.
Até agora, nenhum candidato para além de Infantino se declarou para a votação de março.
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