Gianni Infantino tem agora de explicar internamente a venda parcial do Mundial que abandonou. A FIFA confirmou que uma análise completa da proposta retirada FIFA Forward Enterprise (FFE) será apresentada ao seu Conselho de 37 membros na próxima reunião do organismo, em outubro.
A cedência surgiu após uma repreensão pública do presidente da federação dinamarquesa, Jesper Moller, que disse aos jornalistas ter recebido evasivas numa sessão da Comissão Jurídica onde esperava que o plano fosse esmiuçado.
«Naturalmente aproveitei a reunião para colocar várias perguntas críticas sobre o processo, que continuo a considerar profundamente problemático», afirmou Moller.
«Surpreende-me que a FIFA Forward Enterprise não tenha sido discutida pela Comissão Jurídica, que é precisamente o órgão que deve ser consultado sobre assuntos jurídicos relativos à FIFA.»
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O comunicado da FIFA, avançado inicialmente pela Reuters, foi lacónico.
«Tal como comunicado anteriormente, uma análise da proposta retirada FIFA Forward Enterprise será apresentada ao Conselho da FIFA», afirmou o organismo dirigente.
O que era a FFE e por que ruiu
A FFE era um plano para transferir a máquina comercial da FIFA, incluindo os direitos do Mundial, para uma subsidiária e vender uma fatia a investidores privados. A FIFA apresentou o veículo de 20 mil milhões de dólares com uma participação minoritária de 20% destinada a capital externo, uma estrutura que, segundo a própria, permitiria captar até 4,2 mil milhões de dólares. O investidor âncora identificado era a Thrive Eternal, a firma de capital de risco dirigida por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner.
O plano durou apenas dias em público. Infantino apresentou-o no final de julho e retirou-o nessa mesma semana, depois de os membros da UEFA terem ameaçado boicotar futuros eventos da FIFA até que o plano fosse retirado.
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A via jurídica paralela da UEFA
Ter posto fim ao negócio não pôs fim às consequências. A UEFA avançou num tribunal federal norte-americano na Florida para obter documentos e depoimentos de entidades da FIFA aí sediadas, preparando terreno para eventuais processos criminais na Suíça contra Infantino pelo que a UEFA descreveu como gestão desleal. A acusação central é a de que o presidente da FIFA negociou a venda parcial com um pequeno círculo de conselheiros e investidores, contornando o Conselho, as confederações e as associações membros.
A UEFA e a CONCACAF apelaram ambas a mudanças na estrutura de liderança da FIFA, e várias associações europeias, incluindo as federações dinamarquesa, francesa, austríaca e grega, retiraram publicamente o apoio à candidatura de Infantino à reeleição. Contudo, ao abrigo da constituição da FIFA, nada disso se traduz automaticamente em votos: o Congresso funciona pelo princípio de um membro, um voto, e cada uma das 211 associações vota individualmente.
A contagem decrescente de Rabat
A reunião do Conselho é o primeiro momento formal em que Infantino terá de enfrentar o seu próprio órgão de administração sobre a FFE. Situa-se também a seis meses das eleições presidenciais da FIFA, marcadas para 18 de março de 2027, em Rabat, onde o suíço-italiano procura um quarto mandato.
Moller afirmou que a federação dinamarquesa vai aproveitar este período para preparar um candidato alternativo.
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«A reunião confirmou que a FIFA não pode reconstruir a sua credibilidade sob a atual liderança. Chegou o momento de haver uma mudança de presidente na FIFA», disse aos jornalistas.
«Continuarei a trabalhar em estreita colaboração com os meus colegas europeus para encontrar um candidato que consiga reunir uma maioria. Não há confiança em Infantino nem na liderança da FIFA.»



