A decisão de Pep Guardiola de continuar a apoiar o Manchester City provocou uma reação contundente do jornalista Matthew Syed. Na sua perspetiva, o escândalo financeiro levanta questões incómodas sobre a reputação do antigo treinador.
Na sua coluna no The Times, Syed apresenta uma alternativa dura: Guardiola conhecia os mecanismos financeiros ou não percebeu o que acontecia à sua volta.
«Ou Pep sabia e, nesse caso, não é uma lenda nem um visionário, mas uma fraude.»
A alternativa, segundo Syed, é que Guardiola tenha sido extraordinariamente míope. A crítica questiona a avaliação dos feitos do treinador, mas não estabelece aquilo que ele realmente sabia.
Leia também: Jorge Jesus quebra o silêncio enquanto a crise Ronaldo se aprofunda em Portugal
As conclusões que motivaram a crítica
Segundo o comunicado da Premier League publicado a 29 de setembro, uma comissão independente considerou o City culpado de graves infrações financeiras entre as épocas 2009/10 e 2017/18, além da maioria das acusações relacionadas com a falta de cooperação na investigação.
A comissão concluiu que determinados acordos comerciais tinham aumentado artificialmente as receitas e reduzido os custos declarados em mais de 900 milhões de libras ao longo desse período. Considerou também que o clube ocultou a sua verdadeira situação financeira aos auditores e às entidades reguladoras do futebol.
Guardiola chegou em 2016, pelo que as duas últimas épocas do período abrangido coincidiram com o seu mandato. Essa sobreposição, porém, não demonstra que tenha pessoalmente concebido, aprovado ou compreendido os mecanismos.
A distinção é importante. Questionar o discernimento de um treinador e a sua defesa pública dos empregadores é diferente de apresentar provas de participação em irregularidades financeiras.
Leia também: Saliba está de regresso ao Arsenal
Guardiola mantém o apoio ao clube
Guardiola respondeu com uma mensagem de solidariedade, sem se distanciar do City. Conforme noticiado pelo Heavy, apoiou publicamente os proprietários, os dirigentes, os jogadores, os funcionários e os adeptos após a decisão.
«Que fique claro: vamos ultrapassar isto juntos. Adoro-vos a todos.»
O apoio incluiu também o seu sucessor, Enzo Maresca. Guardiola deixou o clube em maio, depois de dez épocas, com seis títulos da Premier League e uma Liga dos Campeões entre os seus 20 grandes troféus.
Esse palmarés explica a dimensão do debate. Os méritos táticos de Guardiola são consideráveis, enquanto as conclusões contra o seu antigo clube convidam ao escrutínio das condições financeiras que acompanharam o sucesso. A mensagem deixa clara a sua lealdade, mas não explica em detalhe o que sabia sobre os acordos.
Leia também: Mbappé festeja lesão com saída noturna em Paris
City contesta a decisão
O Manchester City rejeita as conclusões da comissão e indicou que pretende recorrer. O clube argumenta que a decisão contém erros substanciais de direito, de princípio e de facto.
O prazo para exercer esse direito termina a 2 de outubro. As sanções serão analisadas separadamente, pelo que a decisão publicada ainda não determina o castigo que o clube receberá.
Para Guardiola, o debate sobre a sua reputação já começou. Defender o City demonstra lealdade, mas deixa a pergunta central sem resposta: o que compreendia sobre as finanças que sustentavam a equipa que dirigia?
Leia também: Jorge Jesus revela o que Cristiano Ronaldo lhe disse antes de abandonar a Seleção



