Portugal venceu a Dinamarca por 4-2 sem Cristiano Ronaldo no relvado. A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) continua a ter todas as razões para o manter entre os convocados, e a maioria dessas razões é financeira.
Esse é o argumento central de uma análise comercial do Heavy.com, que apresenta números concretos sobre o que uma rutura total custaria à federação. O artigo refere que as 29 publicações de Ronaldo em torno do último Mundial geraram um valor estimado de 107 milhões de dólares em audiência, mais do que as 565 publicações da própria FPF no mesmo período, que ficaram pelos 79 milhões.
A receita da federação em 2024-25 foi de 153 milhões de dólares, avança o Heavy, com 23,5 milhões ligados à seleção principal através de contratos de publicidade, televisão e licenciamento. Abdicar do jogador que gera mais alcance digital do que toda a instituição torna essa linha de receita mais difícil de defender.
O presidente da FPF pacifica, não confronta
Ronaldo deixou a concentração da seleção portuguesa a 1 de outubro, depois de o treinador Jorge Jesus ter confirmado que não seria titular frente à Dinamarca. O jogador de 41 anos já tinha ficado de fora de toda a vitória por 2-1 sobre a Noruega, quatro dias antes, a sua primeira ausência por Portugal sem ser por lesão ou castigo desde novembro de 2024.
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No Instagram, Ronaldo disse aos seus seguidores que tinha falado com o presidente da FPF, Pedro Proença, antes de sair.
«A seu tempo, direi a todos os portugueses a verdade sobre as razões que me motivaram a sair», escreveu.
A resposta de Proença não foi a de um dirigente a contrariar o jogador.
«Fará sempre parte deste grupo se estiver tecnicamente apto para jogar», afirmou o presidente da FPF, descrevendo a disputa como um mal-entendido que teria de ser resolvido internamente.
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«Ronaldo é um símbolo do nosso país. É um ícone português, um jogador absolutamente extraordinário que podia ter posto fim à carreira internacional depois do Mundial, mas optou por não o fazer por amor à seleção.»
Suspensão de seis meses está prevista, mas por aplicar
Segundo o regulamento da FPF, um jogador que abandona uma concentração da seleção arrisca uma suspensão de um a seis meses e uma multa. Não foi aberto qualquer processo disciplinar.
O próprio Jesus desvalorizou a saída.
«Se quiser, voltará à seleção. Podemos conversar antes da próxima convocatória, mas é o Cris quem vai decidir», disse aos jornalistas.
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A razão para esse tom brando está fora do campo. Ronaldo assinou em 2016 uma parceria vitalícia com a Nike, segundo a imprensa avaliada em até mil milhões de dólares ao longo da sua vigência, e mantém contratos ativos com a Herbalife e a Tag Heuer. A Forbes situa o seu rendimento anual em patrocínios em cerca de 65 milhões de dólares.
É também a pessoa mais seguida no Instagram, com 679 milhões de seguidores em outubro de 2026, uma plataforma em que a federação se tem apoiado para rentabilizar tudo, desde lançamentos de equipamentos a jogos amigáveis.
Os próximos jogos de Portugal são a 14 e 17 de novembro. Jesus disse estar disposto a conversar antes da próxima convocatória, e Proença deixou a porta aberta.
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